Junya Ishigami e a Fondation Cartier em Paris

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Junya Ishigami, Liberando a arquitetura na Fondation Cartier

 

Enquanto parte de sua coleção viaja à Shanghai na Power Station of Art (PSA), a Fondation Cartier pour l’Art contemporain em Paris não fica vazia. Pelo contrário, o sucesso da exposição Freeing Architecture de Junya Ishigami resultou na sua prolongação do dia 10 de junho até dia 09 de setembro. São dois meses a mais para descobrir a obra do jovem arquiteto japonês.

Ishigami Fondation Cartier. Foto: Jean Baptiste le Mercier

Leão de Ouro da Bienal de Veneza em 2010, quando tinha apenas 36 anos, Junya Ishigami é o autor de uma obra conceitual e poética. Um espaço de meditação que mais parece uma nuvem planando sobre a água, uma casa que se integra tão bem na paisagem que quase chega a ser invisível a olhos nus, oito vilas estruturadas e sustentadas por grandes pedras… De pequenos projetos à construções monumentais, a obra de Junya Ishigami está sempre em simbiose com a natureza fazendo desaparecer, assim, as fronteiras entre interior e exterior.

 

«Eu gosto de pensar livremente, ter uma visão a mais flexível, a mais aberta, a mais sutil possível, para ir além das ideias preconcebidas sobre arquitetura », diz Junya Ishigami – que molda a arquitetura assim como o tempo molda uma pedra.

Ishigami Fondation Cartier. Foto: Jean Baptiste le Mercier

A exposição Freeing Architecture na Fondation Cartier apresenta 19 projetos diferentes do arquiteto através de maquetes construídas especialmentes para a ocasião, além de desenhos, fotos e outros arquivos.

 

Entre suas obras mais impressionantes está a House & Restaurant, uma habitação e um restaurante em Yamaguchi, no Japão. Ainda em construção, o prédio foi encomendado por um chefe de cozinha que queria reunir seu ambiente de vida e de trabalho em um só espaço e aos modos de uma cava de vinho. Junya Ishigami pensou então um projeto onde o solo serviria de molde para a construção. Para isso cavou crateras e as encheu com cimento. Em seguida, removeu a terra ao redor do bloco que se formou. O resultado se aproxima de uma espécie de gruta, mas onde o sol pode entrar.

Ishigami Fondation Cartier. Foto: Jean Baptiste le Mercier

Junya Ishigami não poderia escolher um lugar melhor para esta exposição que a Fondation Cartier: o prédio de vidro e transparente projetado por Jean Nouvel, também estabelece esse diálogo com o jardim de Lothar Baumgarten à sua volta.

 

Em profundo respeito com o ambiente para onde são pensados e levando em conta o modo de vida contemporânea, não é só a arquitetura que os projetos de Junya Ishigami libera, mas toda uma maneira de pensar. Se for preciso deslocar toda uma floresta para salvá-la, isso não deveria ser um problema. E, para Junya Ishigami, isso nunca será.

 

Junya Ishigami, Freeing architecture

Fondation Cartier pour l’art contemporain

Em cartaz até dia 09 de setembro de 2018

Para mais informações: fondationcartier.com

 

Marina Mantoan8 Posts

Formada em Critica e Curadoria de Arte (PUC-SP), mudou-se para Paris para estudar Estética e Filosofia da Arte (Universidade Paris IV - Sorbonne). Atualmente cursa o master em História e Gestão do Patrimônio Cultural da Universidade Paris 1 Panthéon - Sorbonne. Apaixonada por arte contemporânea e dança, é também uma globetrotter assumida.

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