Uma breve história do roxo na arte

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Uma cor nobre

 

Pintura rupestre mostrando cavalos malhados na caverna de Pech Merle, na França. Uma das primeiras evidências do pigmento roxo.
Pintura rupestre mostrando cavalos malhados na caverna de Pech Merle, na França. Uma das primeiras evidências do pigmento roxo.

 

O roxo surge pela primeira vez nas cavernas Neolíticas. O pigmento, produzido a partir de minerais como o hematita e o magnésio, era utilizado para retratar figuras de animais, como os cavalos malhados encontrados na caverna de Pech Merle, na França [foto acima].

É na Antiguidade, entre os povos fenícios, que o roxo adquire valor nobre: o pigmento, chamado púrpura de tíria, era extraído dos caramujos marinhos. A cor distinguia os cidadãos de altas classes e era amplamente valorizada por não desbotar e tornar-se mais intensa e brilhante quando exposta ao sol. As leis suntuárias proibiam o uso da cor pelos cidadãos comuns e a produção de animais que forneciam a tinta era rigorosamente controlada pelo Império Bizantino.

 

Tigela egípcia de cerca de 1550-1450 A.C., pintura com pigmentos azul e púrpura
Tigela egípcia de cerca de 1550-1450 A.C., pintura com pigmentos azul e púrpura

Em 1464, foi decretado pelo Papa Paulo II que a cor púrpura de tíria não deveria mais ser utilizada pelos sacerdotes. Assim, bispos e arcebispos adotaram o vermelho, simbolizando o sangue de Cristo, e o púrpura de tíria tornou-se comum entre intelectuais e professores universitários.

 

Virgem Maria e o Menino Jesus (1266-1320) - Giotto de Bondone
Virgem Maria e o Menino Jesus (1266-1320) – Giotto de Bondone

 

Entre os séculos 18 e 19, o roxo – especialmente a tonalidade violeta -, devido ao alto custo de sua produção, era ainda uma cor da aristocracia. Membros da alta-sociedade, como a Imperatriz Catarina da Rússia, eram frequentemente retratados em trajes púrpuras ou violetas. A cor era uma dentre as favoritas dos pintores pré-Rafaelitas, que utilizavam-na para criar cenas românticas.

 

Imperatriz Catarina, A Grande (1780) - Fyodor Rokotov
Imperatriz Catarina, A Grande (1780) – Fyodor Rokotov

 

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April Love (1856) – Arthur Hughes

 

Artistas impressionistas como Claude Monet nutriam grande afeição pela tonalidade violeta. Críticos e historiadores a apontarem este período da história da arte como “violettomania”. “Eu finalmente descobri a verdadeira cor da atmosfera”, disse Monet. “É violeta. O ar fresco é violeta.”

 

The Artist's Garden at Giverny (1900) - Claude Monet
The Artist’s Garden at Giverny (1900) – Claude Monet

 

Posteriormente, o violeta tornou-se a cor-símbolo do movimento sufragista, pertencente a Primeira Onda do Feminismo.

 

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