Egon Schiele: o prazer impregnado de dor, ou vice-versa

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Salve o “Neukunstgruppe”!

Falo aqui de Egon Schiele (Tulln an der Donau, 12 de Junho de 1890 — Viena, 31 de Outubro de 1918), se trata de um dos meus pintores prediletos, cujo filme Egon Schiele – Excesso e Punição” de 1981, me aproximou de sua realidade.

Integrante mais que legítimo do expressionismo alemão, em 1908, Egon Schiele abandonou os estudos acadêmicos e fundou uma grupo ao qual chamou de Neukunstgruppe (“Grupo nova arte”), cuja ideologia era exaltar a sexualidade.

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Suas imagens eram predominantemente nus, escancarados, quase sempre base de tons terra, ocres, mesclando verdes, amarelos e laranjas, um traço de muita personalidade, anatomia distorcida, ossos marcados, rostos cansados apesar da sexualidade exposta. Não me lembro de outro pintor que tenha pintado corpos com tanta crueza. É como se o prazer estivesse impregnado de dor, ou vice-versa. Seus modelos eram jovens, o que contrasta com os traços de exaustão marcado nas faces de suas pinturas.

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Seu pai havia morrido de sífilis quando ele tinha 15 anos, e o seu hábito de pintar prostitutas adolescentes, não deixavam a população de Neulengbach (perto de Viena) muito satisfeita. Tendo se recolhido mais para o interior, o seu estúdio se transformou em um antro de delinquentes, e o rapaz chegou a ficar preso por 21 dias, por ter exposto a sexualidade de adolescentes.

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Em 1918 atingiu seu auge participando do salão de Viena, cometendo a “heresia” de pintar seu auto-retrato, na Santa Ceia, no lugar de Cristo. Ou seja, o garoto era o Rimbaud da pintura. No mesmo ano, sua então esposa, grávida, faleceu de gripe espanhola… Egon se matou 3 dias depois.

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“Este grande representante do expressionismo austríaco deixou trabalhos onde estavam seres humanos transfigurados por sentimentos fortes implícitos no seu traço, amantes revirados em amontoados de lençóis brancos, diversas mulheres posando para ele e auto-retratos provocantes mostrando a sua visão de si (provavelmente), assim como também fez algumas paisagens e residências burguesas, nos quais exibe um estilo cuidadoso e elegante, de traços bordados, com fortes contrastes entre ocres e cores primárias.” – Fonte

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Veja também:

Egon Schiele revolucionou o modo de ver a pintura figurativa

Erika Pessanha8 Posts

Dirige uma ONG com foco em arte e cultura na cidade de Maricá-RJ, a Casa Amarela Maricá. Auto-didata, a vida e as paixões levaram à estudos solitários de artes, design, cultura, cinema, escrita, filosofia e arte terapia. Ministra uma oficina de escrita criativa em sua cidade com foco na produção autoral digital (ebooks e áudio livros). Escreve, produz e distribui contos e poesias de sua autoria e de outros autores.

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