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Arteref - Referência e Notícias em Arte Contemporânea


2 individuais na Leme

Gabriel Acevedo Velarde-Leme

Quem é o artista? Gabriel Acevedo Velarde e Jessica Mein
O que vai ter na exposição? A exposição de Velarde será dividida em duas partes, sendo a primeira formada por um conjunto de mesas/esculturas em vários materiais e um vídeo, e a segunda por uma série de colagens e gravuras. Para sua primeira exposição individual na Galeria Leme, Jessica Mein apresenta um conjunto de desenhos e colagens sobre papel, e uma vídeo-animação, todos inéditos no Brasil.
É um bom programa? Recomendo.
A galeria é conceituada? A Leme é muito bem conceituada em SP, e agora conta com um novo prédio, com um projeto muito bom e bem maior que o espaço anterior.
Até quando? Até 5 de maio

GABRIEL ACEVEDO VELARDE | ESCORPIÃO E/OU FOTOCÓPIAS DE 1999

Abertura: 10 de abril

O artista peruano Gabriel Acevedo Velarde apresenta Escorpião e/ou Fotocopias de 1999, a sua terceira exposição individual na Galeria Leme. Conforme explicitado pelo título, a exposição será dividida em duas partes, sendo a primeira formada por um conjunto de mesas/esculturas em vários materiais e um vídeo, e a segunda por uma série de colagens e gravuras.

A decisão de dividir a exposição em dois responde diretamente à sensação de divisão, ou até oposição e conflito, que o artista experimenta na condição de artista latino-americano radicado na Europa. E de fato, as alusões contidas no título da exposição referem-se, mesmo que de maneira aberta e substancialmente metafórica, à condição pós-colonial: a menção ao escorpião, em particular, é uma maneira de introduzir a lenda (comprovadamente falsa) de que o escorpião matar-se-ia com seu próprio veneno quando rodeado pelo fogo. Na visão de Acevedo, o mito torna-se uma metáfora do espaço trans-cultural, onde várias leituras do mesmo conceito podem conviver ou até se contradizer. Dessa forma, o círculo de fogo e o círculo que o escorpião cria ao injetar-se o veneno dão vida a uma série de circuitos em que o mainstream e a periferia retroalimentam-se, ao passo que se chocam. O artista aponta também para o período anterior ao advento da internet, isto é, até final dos anos 1990, quando o único jeito, no Peru, de tomar conhecimento do que acontecia no mundo era recorrendo a fotocopias das poucas publicações disponíveis.

De um ponto de vista formal, a exposição é representativa da produção recente de Acevedo, cada vez mais diversificada. Apesar da pluralidade de suportes e materiais empregados, contudo, tanto o conjunto de mesas que irão ocupar o espaço principal da galeria, quanto as obras de parede, devem ser reconduzidos à pesquisa do artista sobre o progressivo enrijecimento do legado modernista na produção contemporânea. E é nessa ótica que precisa ser lida também a referência a Oskar Schlemmer, figura proeminente da Bauhaus, onde era encarregado da organização de festas e de peças de teatro e de dança, isto é, ocupava-se de fornecer uma dionisíaca válvula de escape da inflexível pureza modernista, que por vezes, segundo Gabriel Acevedo Velarde, parece assediar e sufocar a sociedade contemporânea como um círculo de fogo.

Sobre o artista:

Gabriel Acevedo Velarde (Lima, Peru, 1976, vive e trabalha em Berlim, Alemanha)

Seu trabalho foi apresentado em diversas exposições entre as mais recentes destacam-se individuais no Arratia Beer, Berlim, Alemanha; Museum of Modern Art of Fort Worth, EUA; Museo de Arte Carrillo Gil, México. E as coletivas 11ª Biennale de Lyon, França; 29ª Bienal internacional de São Paulo, Brasil; 7ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil; 3rd Guangzhou Triennial, China. Gabriel possui obras em coleções particulares e públicas como Mali, Lima, Peru; Malba, Buenos Aires, Argentina; Lacma, LA, EUA; Museum of Fine Arts, Houston, EUA; JPMorgan Chase Art Collection, EUA.

JESSICA MEIN | BLACKOUT

Para sua primeira exposição individual na Galeria Leme, Jessica Mein apresenta um conjunto de desenhos e colagens sobre papel, e uma vídeo-animação, todos inéditos no Brasil. O fio condutor do trabalho de Mein, tanto nesses trabalhos quanto em outros produzidos anteriormente, é o embate entre o uso de tecnologias digitais e meios mecânicos de reprodução, por um lado, e a intervenção da mão da artista, demorada, laboriosa e fatalmente sujeita a falhas e acidentes de percurso, por outro. A relação ambígua entre essas duas vertentes é enfatizada pela própria justaposição dos trabalhos: se, por um lado, seus desenhos e colagens possuem um aspecto impessoal e automático, aparentando ser o resultado de um processo inteiramente mecânico, o vídeo (Blackout, 2012) preserva uma aparência artesanal, que revela o processo de trabalho extremamente lento e complexo da artista.

Os desenhos e as colagens tomam como ponto de partida a visão de torres, postes e fios de alta tensão de Dubai, mas essa referência torna-se rapidamente, como é usual no trabalho da artista, apenas anedótica. Poder-se-ia dizer que a proliferação dos fios e a desconstrução das torres respondem ao desejo de Mein de enfatizar a onipresença desses elementos na paisagem, mas é evidente que, ao multiplicar e repetir exaustivamente os traços, a artista visa também transformar em puro signo gráfico uma imagem da qual ela se apropria, em primeiro lugar, por ser extremamente pertinente com seu próprio universo artístico.

A vídeo-animação Blackout, por sua vez, é composta pela rápida sucessão de mais de 700 desenhos, colagens, frames e imagens produzidos e manipulados pela artista através da repetição obsessiva de poucas ações fundamentais como recortar, dobrar, espelhar, copiar, etc. A sequencia resultante abdica de qualquer pretensão narrativa, tornando-se quase abstrata, o que por sua vez representa um ponto de inflexão na carreira de Mein. Os cabos e fios de alta tensão, que nos desenhos e colagens tornam-se, por vezes, quase indecifráveis, funcionam aqui também como elemento central, tanto diretamente quanto, ao ser recortados e quase que subtraídos da imagem, fazendo transparecer fugazes visões de um céu imaginário.

Sobre o artista:

Jessica Mein (São Paulo, 1975, vive entre São Paulo, Nova York e Dubai)

Seu trabalho foi apresentado em diversas exposições entre as mais recentes destacam-se as individuais, The Pavilion Downtown, Dubai, Emirados Arabes; Simon Preston Gallery, Nova York, EUA; Gallery Pfeister, Dinamarca. E as coletivas Museo Tamayo de Arte Contemporaneo, Mexico; El Museo del Barrio, Nova York, EUA. Seu trabalho faz parte de coleções como The Museum of Modern Art, Nova York, EUA e Julia Stoschek Collection, Dusseldorf, Alemanha.

Abertura: 10 de abril– 19h

Até 05 de maio, 2012

 

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Gabriel Acevedo Velarde-Leme
2 individuais na Leme
Galeria Leme - São Paulo (São Paulo)
Av. Waldemar Ferreira, 130
+5511 3814-8184
www.galerialeme.com
Este evento ocorrerá entre os dias 10/04/2012 e 05/05/2012
Horário: Seg - Sex: das 10h às 19h / Sáb: das 10h às 17h
Preço: gratuito

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