7 filmes do cinema contemporâneo para se impressionar!

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28MOSTRA APRESENTA FILMES DE ABBAS KIAROSTAMI EM PORTO ALEGRE

O Ministério da Cultura, Banco do Brasil, Sala Redenção – Cinema Universitário, Cinemateca Capitólio e Sala P. F. Gastal apresentam entre os dias 14 e 20 de junho a mostra Um filme, cem histórias: Abbas Kiarostami, reunindo sete grandes filmes do mais importante diretor iraniano. Entrada Franca.

Um dos nomes mais influentes do cinema contemporâneo, Kiarostami foi vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes com Gosto de Cereja (1997) e do Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza com O Vento nos Levará (1999). A retrospectiva apresenta as duas obras em cópias 35mm, além de outros marcos de sua trajetória, como O Relatório (1977), Close-Up (1990), Através das Oliveiras (1994), Dez (2002) e seu filme mais recente, Um Alguém Apaixonado (2012), ainda inédito no circuito comercial de Porto Alegre.

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ABBAS KIAROSTAMI
No cinema de Kiarostami, muito nos escapa. A nós, ocidentais, pode escapar o uso do véu, o tapete persa, o pão barbari, as cordilheiras acidentadas, uma troca de olhar. Seus filmes começaram a circular pelo Ocidente no final dos anos 1980 e, graças a Onde fica a casa do meu amigo? (1987), a atenção dos críticos e dos festivais voltou-se àquele que se tornaria um dos maiores cineastas contemporâneos. Difícil de classificar, a originalidade de sua obra reside em aliar documentário e ficção de maneira até então desconhecida. Como diria Alain Bergala, Kiarostami conjuga de modo original transparência e dispositivo, brutalidade do real e cinema mental, realidade e abstração, realismo e fantástico, física e metafísica, tradição e vanguarda, Oriente e Ocidente.

Nascido em Teerã, Kiarostami cursou belas-artes na universidade da capital iraniana e iniciou a carreira concebendo anúncios publicitários, ilustrando, pintando e roteirizando. O encontro com o cinema aconteceu alguns anos depois, em 1969, quando Kiarostami foi convidado a assumir o departamento de cinema do Kanoon – instituto para o desenvolvimento intelectual de jovens e adultos. Criado pela esposa do Xá, em 1964, o instituto teria como objetivo o estímulo à educação. Durante a parceria, que perdurou até 1992, o cineasta realizou algumas obras-primas que continuam pouco conhecidas do grande público, como O recreio (1972), O viajante (1974) e Lição de casa (1989). Ainda como colaborador do Kanoon, fez Close-up (1990), filme que, por fim, o tornou reconhecido internacionalmente. Pouco anos depois, em 1995, o prestigiado Festival de Locarno organizou, pela primeira vez, uma retrospectiva integral de seu trabalho. No mesmo ano, sob direção de Laurent Roth, os Cahiers du Cinéma lhe dedicaram um número especial: Quem é você, sr. Kiarostami?, dossiê que reuniu artigos sobre sua obra, comentários biográficos, filmografia comentada (bastante proveitosa para os pesquisadores) e um conto escrito pelo próprio cineasta.

No Brasil, a recepção dos filmes de Kiarostami esteve principalmente a cargo da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda sob direção de Léon Cakoff, com quem o cineasta manteve uma estreita ligação. Além de integrar o júri internacional da 22ª Mostra, Kiarostami foi tema de uma retrospectiva na 28ª edição, que exibiu treze de seus filmes. Naquela ocasião, aconteceu paralelamente uma exposição intitulada As estradas de Kiarostami, com 52 fotos em preto e branco clicadas por ele, entre 1978 e 2003, na região norte do Irã. As viagens do cineasta ao Brasil resultaram ainda num roteiro (não filmado), Uma boa cidadã.

Fabio Savino, curador

Os filmes

O Relatório – Gozaresh, 1977, cor, 105 minutos – Roteiro Abbas Kiarostami
Um funcionário público do Ministério das Finanças é acusado de corrupção; ao mesmo tempo, seu casamento está em crise. Após uma violenta discussão com a esposa, ela tenta o suicídio. Mahmad a leva para o hospital; lá os médicos dizem que ela sobreviverá. Exibição digital.

Close-Up – Namay-e nazdik, 1990, cor, 90 minutos – Roteiro Abbas Kiarostami
Abbas Kiarostami segue o rastro de Hossein Sabzian, homem acusado de ter enganado uma família rica de Teerã fazendo-se passar pelo cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf. Kiarostami filma o julgamento de Sabzian e reencena toda a história, tendo como protagonistas personagens reais envolvidos no caso. Exibição digital.

Através das Oliveiras
– Zir-e derakhtan-e zeytun, 1994, cor, 103 – Roteiro Abbas Kiarostami
Durante as filmagens em uma região devastada pelo terremoto de 1990, o diretor percebe que Hossein, um jovem escolhido para encenar uma das personagens, está apaixonado na vida real por Tahereh, que fará o papel da esposa. A família da moça é hostil ao casamento, mas o terremoto e o filme dão a Hossein uma nova esperança. Exibição em 35mm.

Gosto de Cereja – Ta’m-e ghilas, 1997 , cor, 99 minutos – Roteiro Abbas Kiarostami
Um homem procura ajuda para uma misteriosa tarefa. O que o senhor Badii quer é alguém que se disponha a atender a seu último desejo, na manhã do dia seguinte: chamá-lo pelo nome duas vezes, ao pé de uma
cova já cavada. Se ele responder, socorrê-lo; se não responder, cobri-lo com terra. Após ouvir objeções de diversas pessoas a respeito do caso, ele finalmente encontra um senhor disposto a aceitar sua proposta. Exibição em 35mm.

O Vento nos Levará – Bad ma-ra khahad bord, 1999, cor, 118 minutos – Roteiro Abbas Kiarostami
Um jornalista parte com sua equipe para um vilarejo rural a fim de filmar um rito tradicional: o funeral de uma senhora moribunda. Durante a longa espera, ele é ajudado por um garoto que lhe dá informações atualizadas
sobre a situação. Mas a senhora demora a morrer, a equipe o abandona e, na solidão, ele acaba se integrando à comunidade e repensando suas atitudes. Exibição em 35mm.

Dez – Dah, 2002 , cor, 94 minutos – Roteiro, direção de fotografia, som e montagem Abbas Kiarostami
Uma mulher, divorciada e casada uma segunda vez, tem problemas de comunicação com o filho, que insiste em viver com o pai. Ao longo de dez passeios dentro de um carro, a mulher conversa com o garoto e com outras
mulheres sobre questões de âmbito pessoal. O filme explora a vida da mulher no Irã contemporâneo. Exibição em 35mm.

Um Alguém Apaixonado – Like Someone in Love, 2012, cor, 109 minutos – Roteiro Abbas Kiarostami
Encontro entre um senhor erudito guardião das tradições, uma jovem sedutora que se prostitui para pagar os estudos e seu namorado ciumento. As histórias se entrelaçam num dia que mudará a vida deles para sempre. Exibição em 35mm.

GRADE DE HORÁRIOS (atenção para os locais de cada exibição)
14 a 20 de junho de 2016

14 de junho (terça-feira) – Sala Redenção
16h – Close-up
19h – Um Alguém Apaixonado + debate Com Leonardo Bomfim e Tânia Cardoso
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15 de junho (quarta-feira) – Cinemateca Capitólio
20h – Através das Oliveiras

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16 de junho (quinta-feira) – Cinemateca Capitólio
20h – Dez

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17 de junho (sexta-feira) – Sala P. F. Gastal
20h – Projeto Raros – O Relatório + debate com a crítica Ivonete Pinto

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18 de junho (sábado) – Cinemateca Capitólio
16h – Através das Oliveiras
18h – Dez
20h – Um Alguém Apaixonado

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19 de junho (domingo) – Sala Redenção
16h – O Vento nos Levará
19h – Gosto de Cereja

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20 de junho (segunda-feira) – Sala Redenção
14h – O Relatório
16h – Gosto de Cereja
19h – O Vento nos Levará

Outras informações
Cinemateca Capitólio
Rua Demétrio Ribeiro, 1085
capitolio@smc.prefpoa.com.br
cinematecacapitolio@gmail.com
facebook.com/cinemateca.capitolio

Veja também: 

Mostra de Cinema com mulheres também por trás das cameras

 

 

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