A lógica de Thanus e a filosofia do utilitarismo

Um dos filmes que anda fazendo algum sucesso nos cinemas é o Vingadores guerra infinita, onde quase todos os heróis da marvel entram em ação para tentar parar o grande vilão do filme.

A pergunta que devemos fazer é; Será que os vilões se consideram pessoas más? Por trás de toda pessoa existe um conjunto de lógicas que foram construídas ao longo da vida. Em alguns casos estas lógicas são distorcidas e a noção entre o bem e o mau se mistura. Aliás, o que é o bem e o que é o mau? Neste texto vamos falar sobre o Utilitarismo e as definições de bem e mau.

Antes disto, aqui vai uma lista de 4 razões por que Thanus não era tão mau assim.

1. Superpopulação

Thanos estava apenas matando populações porque elas estão superpovoadas. Os cidadãos estavam sem comida devido à superpopulação. Thanos matou a cidade de Gamora porque as crianças iam para a cama sofrendo e a cidade estava desmoronando socialmente. Com este sofrimento ele criou uma concepção do que era bom para o conjunto e não ao individuo.  Thanos vê que a superpopulação é um problema e ele quer consertá-la para que os outros não sofram.

2. Ele é simpático

Ele se sente responsável por fazer o que os outros não conseguem. Se o objetivo principal do Thanos fosse destruir e conquistar o universo inteiro, não levaria muito tempo para matar todos vivos, mas ele não faz isso. Ele poupa a vida de muitos Vingadores e outras pessoas. Thanos não quer matar pessoas inocentes sem motivo, ele não está discriminando, ele está escolhendo pessoas aleatoriamente. Ele não tem ressentimentos pessoais contra cidades, planetas ou seu povo. Não é como se ele matasse com um sorriso no rosto também. Ele realmente se sente útil matando as pessoas.

3. Ele tem um coração e sacrificou tudo pelo que acreditava

Thanos tem um coração. Quando ele vai recuperar a Pedra da Alma do Caveira Vermelha, ele tem que sacrificar o que mais ama, sua filha.

Gamora acha que Thanos não ama ninguém além de si mesmo, mas realmente a única coisa que Thanos amava era ela. Assim que ele vai sacrificar Gamora, ele diz que sente muito, e ele também está chorando. Isso é muito triste. Thanos tem um coração e não queria apenas matar sua filha para se tornar o conquistador do universo. Ele o fez por um bem maior.

 

4. Sua motivação é diferente

Thanos está determinado a estalar os dedos e matar metade do universo sem causar dor. Durante todo o filme ele procura as joias do infinito. Elas vão, como mostra no final, eliminar as pessoas sem sofrimento ou dor. Elas simplesmente são pulverizadas. Uma vez acontecendo isto Thanus se coloca em uma posição de contemplação.

Entendendo a Lógida de Thanus através do Utilitarismo

utilitarismo é uma doutrina ética defendida principalmente por Jeremy Bentham e John Stuart Mill que afirma que as ações são boas quando tendem a promover a felicidade e ruins quando tendem a promover o oposto da felicidade.

Filosoficamente, pode-se resumir a doutrina utilitarista pela frase:

Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar (Princípio do bem-estar máximo).

Trata-se então de uma moral eudemonista, mas que, ao contrário do egoísmo, insiste no fato de que devemos considerar o bem-estar de todos e não o de uma única pessoa.

Antes de quaisquer outros, foram Jeremy Bentham e John Stuart Mill  que sistematizaram o princípio da utilidade e conseguiram aplicá-lo a questões concretas – sistema político, legislação, justiça, política econômica, liberdade sexual, emancipação feminina, etc.

Em Economia, o utilitarismo pode ser entendido como um princípio ético no qual o que determina se uma decisão ou ação é correta, é o benefício intrínseco exercido à coletividade, ou seja, quanto maior o benefício, tanto melhor a decisão ou ação será.

O Princípio do Utilitarismo

Bentham expõe o conceito central da utilidade no primeiro capítulo do livro Introduction to the Principles of Morals and Legislation (“Introdução aos princípios da moral e legislação”), da seguinte forma:

“Por princípio da utilidade, entendemos o princípio segundo o qual toda a ação, qualquer que seja, deve ser aprovada ou rejeitada em função da sua tendência de aumentar ou reduzir o bem-estar das partes afetadas pela ação. (…) Designamos por utilidade a tendência de alguma coisa em alcançar o bem-estar, o bem, a beleza, a felicidade, as vantagens, etc. O conceito de utilidade não deve ser reduzido ao sentido corrente de modo de vida com um fim imediato.”

Cinco princípios fundamentais são comuns a todas as versões do utilitarismo:

  • Princípio do bem-estar: O “bem” é definido como sendo o bem-estar. Diz-se que o objetivo pesquisado em toda ação moral se constitui pelo bem-estar (físico, moral, intelectual).
  • Consequencialismo: As consequências de uma ação são a única base permanente para julgar a moralidade desta ação. O utilitarismo não se interessa desta forma pelos agentes morais, mas pelas ações – as qualidades morais do agente não interferem no “cálculo” da moralidade de uma ação, sendo então indiferente se o agente é generoso, interessado ou sádico, pois são as consequências do ato que são morais. Há uma dissociação entre a causa (o agente) e as consequências do ato. Assim, para o utilitarismo, dentro de circunstâncias diferentes um mesmo ato pode ser moral ou imoral, dependendo se suas consequências são boas ou más.
  • Princípio da agregação: O que é levado em conta no cálculo é o saldo líquido (de bem-estar, numa ocorrência) de todos os indivíduos afetados pela ação, independentemente da distribuição deste saldo. O que conta é a quantidade global de bem-estar produzida, qualquer que seja a repartição desta quantidade. Sendo assim, é considerado válido “sacrificar uma minoria”, cujo bem-estar será diminuído, a fim de aumentar o bem-estar geral. Esta possibilidade de sacrifício se baseia na ideia de compensação: a desgraça de uns é compensada pelo bem-estar dos outros. Se o saldo de compensação for positivo, a ação é julgada moralmente boa. O aspecto dito sacrificial é um dos mais criticados pelos adversários do utilitarismo.
  • Princípio de otimização – O utilitarismo exige a maximização do bem-estar geral, o que não se apresenta como algo facultativo, mas sim como um dever.
  • Imparcialidade e universalismo – Os prazeres e sofrimentos são considerados da mesma importância, quaisquer que sejam os indivíduos afetados. O bem-estar de cada um tem o mesmo peso dentro do cálculo do bem-estar geral. Este princípio é compatível com a possibilidade de sacrifício. A princípio, todos têm o mesmo peso, e não se privilegia ou se prejudica ninguém – a felicidade de um rei ou de um cidadão comum são levadas em conta da mesma maneira. O aspecto universalista consiste numa atribuição de valores do bem-estar que é independente das culturas ou das particularidades regionais. Como o universalismo de Immanuel Kant, o utilitarismo pretende definir uma moral que valha universalmente.

Entenda os erros por trás desta lógica de Thanus e do ulititarismo

Após ler tudo isto você pode começar a se convencer de como tudo isto é útil. Mas agora é a hora de entendermos as falácias por trás de todo este discurso.

Os ideólogos do utilitarismo são acusados de promover sem justificativa uma sociedade superior ou de apoiar a «lei da selva» na economia. Para seus críticos, a ciência econômica utilitarista reduz o indivíduo a um objeto racional autossuficiente (quando na verdade os indivíduos são interdependentes com os demais) e se esquece das ligações sentimentais dos indivíduos entre si.

Conclusão

Em nenhum momento se pensou em atuar nas fontes dos problemas para que estes sejam resolvidos. Com todas as joias do infinito, Thanus poderia ajudar o universo a se educar, a produzir alimentos mais eficientemente e eventualmente a usar anti-concepcionais. Se está funcionando até no planeta Terra, por que não funcionaria nos outros planetas?!

Não sei se um filme com este roteiro daria muita audiência. Um filme onde as pessoas com muito poder fossem adultas e promovessem o bem geral do universo.

A questão básica do que acontece na lógica de Thanus tem origem na sua infância, na formação do caráter e das “verdades” em sua pseudo-lógica. Mas isto fica para uma outra matéria sobre a formação do I.D, Ego e Super-ego dos vilões de cinema.

 

Paulo Varella1489 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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