O Cinema Ambiental Latino-Americano

COMPETIÇÃO LATINO-AMERICANA REÚNE 28 FILMES DE OITO PAÍSES DA REGIÃO*

 Considerado como o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais, a 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental tem 28 títulos selecionados para a sua Competição Latino-Americana deste ano. Os prêmios serão de R$ 15 mil para o melhor longa e de R$ 5 mil reais para o melhor curta-metragem (filmes de até 60 minutos) eleitos pelo júri. Haverá ainda a entrega de um troféu para o melhor filme designado pelo público.

Estão representadas produções de oito países da América Latina: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Honduras, México e Peru. A competição recebeu novo recorde de inscrições, em um total de 383 filmes, de 18 nações da região.

A Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente e o Dia Mundial do Meio Ambiente (que se comemora no dia 5 de junho) e acontece de 31 de maio a 13 de junho em diversas salas da cidade de São Paulo, com entrada franca.  

O evento ocupa o Cine Reserva Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil, Espaço Itaú Augusta e o Circuito Spcine, além de diversos outros espaços, e é uma realização da ONG Ecofalante, do Ministério da Cultura, do Governo Federal, e da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. É uma correalização da Spcine, da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e do Instituto Goethe. Tem patrocínio da Sabesp e Tigre, com apoio da White Martins, Kimberly-Clark e Pepsico e é possível graças à Lei de Incentivo à Cultura e ao Programa de Apoio à Cultura (ProAC).

Fantasia de Índio

 

Segundo a curadoria, a Competição Latino-Americana chega a sua quinta edição sinalizando, por um lado, questões socioambientais agudas da região e, ao mesmo tempo, o crescimento e a sofisticação de sua produção audiovisual voltada ao tema. 

Entre os destaques da competição está o curta-metragem colombiano A Selva o Conhece Melhor que Você Mesmo (de Juanita Onzaga, Colômbia/Bélgica), que focaliza dois gêmeos em busca de paisagens místicas na selva colombiana e foi vencedor do prêmio especial do júri da mostra Generation 14plus do Festival de Berlim, além de ter participado de eventos na Alemanha, Bélgica, Canadá, Espanha, Islândia, México e Suécia, entre outros países.  

Já “Cidade Maia (de Andrés Padilla Domene, México/França) é uma mistura de documentário e ficção científica que aborda um grupo de descendentes maias urbanos que operam um misterioso instrumento a fim de realizar uma pesquisa num sítio arqueológico, tendo sido selecionado para o prestigioso Festival de Roterdã e para eventos na Alemanha, Rússia, Suíça, Brasil, Croácia e Kosovo.

 

Transcorrido em um povoado mineiro na Bolívia, no qual um rapaz vai conhecer histórias obscuras sobre seu passado, “Velha Caveira” (Bolívia), do estreante Kiro Russo, se transformou no título boliviano mais laureado dos últimos anos, tendo vencido o Festival de Cartagena de Índias e conquistando o grande prêmio no IndieLisboa, o prêmio da crítica internacional para produções latino-americanas no Festival do Rio, o prêmio de melhor fotografia no Festival RiverRun (EUA) e menções especiais nos festivais de Locarno e BAFICI de Buenos Aires.

O longa-metragem peruano Rio Verde, o Tempo dos Yakurunas” (de Alvaro Sarmiento e Diego Sarmiento, Peru) é guiado por cantos ayahuasca para promover uma jornada poética pelas profundezas da Amazônia, tendo sido lançado internacionalmente na seção Fórum do Festival de Berlim e premiado em festivais na Itália, Tailândia e na Venezuela, foi ainda selecionado em eventos nos EUA e Chile. 

Premiado no Festival de Guadalajara, a Produção de Honduras Berta Vive (de Katia Lara, Honduras) aborda o assassinato da líder indígena Berta Cáceres e a luta contra a instalação de uma barragem em um rio sagrado para o povo Lenca.

 

Dois títulos representam na Competição Latino-Americana deste ano a produção argentina. Corp (de Pablo Polledri, Argentina), tem por tema a ambição, exploração do trabalho e poluição ambiental, tendo vencido o laureado como melhor animação nos festivais de Havana e Caostica (Espanha), entre outros prêmios. Por sua vez, “Fronteira Invisível (de Nicolás Richat e Nico Muzi, Argentina) discute a Colômbia após o tratado de paz com as FARC e a atual corrida de latifundiários para aumentar sua produção de óleo de palma. A obra foi selecionada para eventos de 24 países, da Austrália aos EUA, da Argentina à Rússia, da Itália ao Peru.

 Do Chile foram selecionados O Eterno Retorno (de Roberto Mathews, Chile) e “Terra Solitária(de Tiziana Panizza, Chile). O primeiro é um ensaio colhido após a catástrofe do incêndio da cidade chilena de Valparaíso em 2014 e foi vencedor do prêmio de melhor curta-metragem nacional experimental no Fesancor – Festival Chileno de Curtas-Metragens, além de ser selecionado para eventos na Argentina, Bolívia e Colômbia. “Terra Solitária focaliza documentários filmados na Ilha de Páscoa há quase um século e revela que este destino turístico já foi uma prisão. A obra foi selecionada para festivais nos EUA, França, Espanha, Suíça, Portugal e Ucrânia, entre outros.

 

Brasil

A representação brasileira é integrada por 19 filmes, sendo oito deles longas-metragens.

Entre eles está “Dedo na Ferida”, novo filme do diretor Silvio Tendler (dos sucessos “Os Anos JK – Uma Trajetória Política, Jango e “O Veneno Está na Mesa”). Aqui ele trata do fim do estado de bem-estar social, com milhões de pessoas peregrinando em busca de melhores condições.

“Baronesa” (de Juliana Antunes) acontece em um bairro na periferia de Belo Horizonte onde duas mulheres enfrentam os perigos da guerra do tráfico e as tragédias das chuvas. A obra conquistou, entre outras premiações, a de melhor documentário no Festival de Havana, prêmio do público no Festival de Marselha e o prêmio da crítica no Festival de Valdivia e na competição latino-americana do Festival de Mar del Plata. No Brasil, venceu a competição Aurora da Mostra de Tiradentes, o prêmio de melhor montagem e de melhor atriz na Mostra Internacional em São Paulo e de melhor filme e melhor roteiro no Festival de Vitória.

Exibido em première mundial na Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, Sertão Velho Cerrado”, revela buscas alternativas empreendidas por moradores da Chapada dos Veadeiros para o desenvolvimento de sua região. A direção é assinada por André D’Elia, que venceu com “A Lei da Água” o prêmio de melhor filme pelo público da Competição Latino-Americana na 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

A história da tribo indígena Krenak, desde a declaração da “guerra justa”, pelo rei português D. João 6º em 1808, até o desastre ambiental no Rio Doce, causado pela ruptura da barragem de minérios em Mariana, em 2015, está no longa-metragem Krenak. Atualmente, o povo reivindica uma revisão territorial de suas terras demarcadas com a adesão da área de Sete Salões – conjunto de cavernas considerado por eles terra sagrada –, além de seu direito à vida. A produção tem direção de Rogério Corrêa, do longa “No Olho da Rua”.

Selecionado para os festivais Hot Docs (onde foi um dos 12 finalistas segundo o público), Guadalajara, Havana, Toulouse e Human Rights Human Wrongs (Oslo), “Estado de Exceção é uma coprodução Brasil/Canadá dirigida por Jason O’Hara que focaliza, às vésperas da Copa do Mundo FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016, uma comunidade indígena urbana ameaçada de despejo. Filmado ao longo de seis anos, o filme retrata como, à medida que os megaeventos começam a ameaçar uma série de outras comunidades, os residentes se unem para lutar em defesa dos seus direitos constitucionais.

Em meio à maior crise hídrica da história de São Paulo, os realizadores Flavia Angelico e James Robert Lloyd promovem uma investigação sobre a gestão de recursos hídricos na cidade no longa Agua Mole Pedra Dura. Premiada no Festival Awareness, a produção foi ainda selecionada para os festivais de documentários de Atlanta e G2 Green Earth (ambos nos EUA) e para o Eco Film de Kuala Lumpur (Malásia).

Em Espólio da Cidade”, a dupla de cineastas Paulo Murilo Fonseca e Andre Turazzi retrata a visão de seis pessoas que têm suas vidas relacionadas a edifícios tombados na cidade de São Paulo. Está presente a tensão entre memória e desenvolvimento urbano, além da complexidade das questões ligadas a preservação e a conservação do patrimônio arquitetônico da cidade. 

Premiado como melhor longa-metragem baiano e vencedor do prêmio do público no Panorama Internacional Coisa de Cinema, “Quilombo Rio dos Macacos”, de Josias Pires Neto, mostra como aquela localidade enfrenta conflito pela propriedade da terra de uso tradicional, que é também reivindicada pela Marinha. Além de denunciar graves violações de direitos humanos, o filme registra processos de negociações e documenta aspectos culturais, simbólicos e características do território.  

Completa a programação um total de 11 curtas e médias metragens brasileiros.

Obra selecionada para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, Abigail (de Isabel Penoni e Valentina Homem) focaliza a indigenista Abigail Lopes, que viveu em um ambiente masculino e formou-se imbuída dos princípios humanistas da ‘pacificação 

Dirigido por Fellipe Fernandes e protagonizado por Nash Naila (de “Tatuagem”), “O Delírio é a Redenção dos Aflitos” também esteve selecionado em Cannes, na seção Semana da Crítica. O enredo acompanha a última moradora de um edifício condenado e que precisa se mudar o mais rápido possível para salvar sua família. O filme foi ainda premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro como melhor direção, melhor roteiro e melhor direção de arte.

Na escuridão de uma boate, um cabeleireiro e uma bombeira tentam a sorte como cantores enquanto promovem sua carreira do estúdio para o palco. Este é o enredo de “Estás Vendo Coisas”, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, selecionado para o Festival de Berlim e vencedor do prêmio Canal Brasil no Festival de Vitória, além de ter sido selecionado para eventos no Canadá, Bélgica, Espanha, Inglaterra, Israel, México, Noruega, Portugal, Suécia, Turquia e Ucrânia.

Em “A Terceira Margem”, uma coprodução francesa dirigida por Fabian Remy, acompanhamos uma jornada pela região central do país em busca do passado de João Kramura, filho de sertanejos roubado e criado pela tribo Kayapó. A obra foi premiada pela Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema no É Tudo Verdade, recebeu o prêmio do melhor primeiro filme no Festival Traces de Vies (França) e foi selecionado para eventos nos EUA, França, Colômbia, Grécia e Taiwan  

Uma personagem que foi expulsa de casa e precisa construir seu próprio barraco enquanto um projeto de expansão do maior porto da América Latina avança, não só sobre ela, mas sobre todos os moradores da Favela da Prainha (Santos, SP) está no centro de “Estamos Todos Aqui”. Dirigido por Chico Santos e Rafael Mellim, o curta foi selecionado para o Festival de Cartagena de Índias e venceu o prêmio de melhor curta-metragem brasileiro segundo o público no Festival Mix Brasil, além de ter sido eleito como o melhor curta-metragem pelo júri do Canal Brasil na Mostra de Tiradentes.

Uma história familiar da diretora Manuela Andrade está em foco no curta Fantasia de Índio” quando ela resolve continuar as pesquisas de um tio que investigou sua ascendência indígena.

A produção foi selecionada para os festivais Janela de Cinema do Recife, Mostra de Tiradentes, Mostra do Filme Livre e Mostra de Cinema Feminista.

Já Histórias de Cumaru, de Simone Giovine, aborda o cumaru, que era usada pelo povo Kayapó como remédio e hoje é utilizado para a produção de cosméticos. A obra já esteve selecionada para eventos nos EUA, Dinamarca, Itália e Bangladesh. 

Nanã” mostra como, em um complexo portuário e industrial, a população enfrenta o processo de gentrificação de seu território. Dirigido por Rafael Amorim, o filme esteve convidado para eventos na Bulgária e Portugal, além de premiado nos festivais de Triunfo e Cine Cariri.

 Ao cortar uma grande árvore no interior da floresta amazônica, um madeireiro contempla uma inesperada reação da natureza. Assim Plantae, dirigido por Guilherme Gehr e selecionado para o festival Anima Mundi, propõe uma reflexão sobre as conseqüências irreversíveis do desmatamento. 

Dirigido por Marcio Isensee e Sá e selecionada para eventos na Itália e na Eslováquia, “Sob a Pata do Boi” revela que a Amazônia tem hoje 85 milhões de cabeças de gado, três para cada habitante da região e como a pecuária tornou-se bandeira econômica e cultural da região. O filme acompanha que, a partir de 2009, o jogo começou a virar, quando o Ministério Público obrigou os grandes frigoríficos a monitorarem o desmatamento nas fazendas de onde compram gado.

No sul do Mato Grosso do Sul, quase fronteira com o Paraguai, indígenas e produtores rurais disputam a posse da terra. Num clima tenso, sobram confrontos, despejos, ataques e até mortes, como testemunha “Terras Brasileiras”, de Dulce Queiroz. Exibido em sessão especial no Parlamento Europeu, em Bruxelas, o filme foi eleito como um dos três melhores média-metragens no Fricine Rio – Festival Internacional de Cinema Socioambiental.

  

Informações sobre os filmes

 

“A Selva o Conhece Melhor Que Você”Juanita Omzaga (Colômbia/Bélgica, 2017, 20 min)

A Colômbia é uma terra de fantasmas. Dois gêmeos vagueiam por paisagens místicas em busca de espírito de seu falecido pai. Sua jornada os leva de Bogotá até a selva colombiana, passando pelos domínios do pensamento e mergulhando fundo em seus assombrados sonhos. É justamente aí que eles encontrarão algumas respostas e uma companhia inesperada.

 

“A Terceira Margem” – Fabian Remy (Brasil/França, 2016, 57 min)

Thini-á deixou sua tribo Fulni-ô aos 15 anos de idade e há 30 anos vive nas metrópoles do Brasil. O diretor Fabian Remoy o convidou a acompanha-lo pela região central do país em busca do passado de João Kramura, filho de sertanejos roubado e criado pela tribo Kayapó durante a Marcha para o Oeste, feita pelo governo do presidente Getúlio de Vargas. Durante a viagem, inspirado pela saga de João, Thini-á compartilha dúvidas e reflexões a respeito de uma decisão que pode mudar sua vida.

 

Abigail – Valentina Homem (Brasil, 2016, 17 min)

Abigail Lopes une os pontos de um mapa humano que conecta indigenismo e candomblé. O avesso do inverso, uma casa aberta de memórias quase extintas.

 

Agua Mole Pedra Dura – Flavia Angelico e James Robert Lloyd (Brasil, 2017, 68 min)

Um apelo global a uma mudança de paradigma, o filme testemunha a maior crise hídrica da história de São Paulo enquanto faz uma investigação profunda sobre a gestão de recursos hídricos na cidade e discute os fatos com especialistas, moradores, vítimas e ativistas.

 

“Baronesa” – Juliana Antunes (Brasil, 2017, 71 min)

Andreia quer se mudar. Leid espera pelo marido preso. Vizinhas em um bairro na periferia de Belo Horizonte, elas tentam se desviar dos perigos da guerra do tráfico e evitar as tragédias trazidas pela chuva.

 

Berta Vive – Katia Lara (Honduras, 2016, 20 min)

O assassinato de Berta Cáceres, ocorrido em 2016, abalou o mundo. Ela era líder do COPINH – Conselho Cívico de Organizações Populares e Povos Indígenas de Honduras. Neste filme, acompanhamos Miriam Miranda, amiga e companheira de Berta, em sua luta contra a instalação de uma barragem no rio Gualcarque, sagrado para o povo Lenca. Essas duas mulheres são peças chave na luta pela descolonização em um país que está sendo praticamente vendido ao capital transnacional e onde muitas vidas têm sido sacrificadas.

 

“Cidade Maya” – Andrés Padilla Domene (México/França, 2016, 24 min)

Na cidade de Merida, no México, um grupo de maias urbanos operam um misterioso instrumento a fim de realizar uma pesquisa num sítio arqueológico. O filme tangencia os limites da ficção científica e do documentário para desconstruir o imaginário corrente em torno da cultura e da identidade maias hoje.  

 

“Corp” – Pablo Polledri (Argentina, 2016, 9 min)

Ambição, exploração do trabalho, poluição ambiental, degradação humana, mais-valia, corrupção e muito mais no “maravilhoso” mundo do livre mercado!

 

“Dedo na Ferida” – Silvio Tendler (Brasil, 2017, 92 min)

O filme trata do fim do estado de bem-estar social e da interrupção dos sonhos de uma vida melhor para todos em um cenário onde a lógica homicida do capital financeiro inviabiliza qualquer alternativa de justiça social. Milhões de pessoas peregrinam em busca de melhores condições de vida enquanto a perversão do capital só aspira a concentração da riqueza em poucas mãos. Neste cenário de tensões sociais, artistas e intelectuais lutam para transformar o mundo levantando temas como os fim dos direitos sociais, o desemprego, o mercado e o consumo. A arte se converte em ferramenta de mudança social provocando discussões que não interessam aos 1% mais ricos.

 

Espólio da Cidade” – Paulo Murilo Fonseca e Andre Turazzi (Brasil, 2017, 79 min)

O filme retrata a visão de seis pessoas que têm suas vidas relacionadas a edifícios tombados na cidade de São Paulo. Evidencia-se uma tensão entre memória e desenvolvimento urbano e a complexidade das questões ligadas a preservação e a conservação do patrimônio arquitetônico da cidade.

 

“Estado de Exceção – Jason O’Hara (Brasil/Canadá, 2017, 89 min)

Enquanto o Rio de Janeiro se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, uma comunidade indígena urbana é ameaçada de despejo para, ironicamente, dar espaço à reforma de um estádio que recebe o mesmo nome dos indígenas originais daquele território: Maracanã. Filmado ao longo de seis anos, o filme retrata como, à medida que os megaeventos começam a ameaçar uma série de outras comunidades, os residentes se unem para lutar em defesa dos seus direitos constitucionais, temporariamente suspensos sob um “estado de exceção”.

 

“Estamos Todos Aqui” – Chico Santos e Rafael Mellim (Brasil, 2017, 20 min)

Rosa nunca foi Lucas. Expulsa de casa, ela precisa construir seu próprio barraco. O tempo urge enquanto um projeto de expansão do maior porto da América Latina avança, não só sobre Rosa, mas sobre todos os moradores da Favela da Prainha (Santos, SP).

 

“Estás Vendo Coisas” – Bárbara Wagner e Benjamin de Burca (Brasil, 2016, 18 min)

Na escuridão de uma boate, o cabeleireiro Porck e a bombeira Dayana tentam a sorte como cantores de brega enquanto promovem sua carreira do estúdio para o palco. Gestos são seguidos por melodias sobre amor, traição, luxúria e poder num documentário experimental sobre como a música pop é experienciada como uma nova forma de trabalho no nordeste do Brasil.

 

Fantasia de Índio” – Manuela Andrade (Brasil, 2017, 18 min)

Desde criança, ouvia minha mãe falar de minha ascendência indígena. Há duas décadas, meu tio materno foi ao encontro dos xukurus, à procura de rastros desse passado. Resolvi dar continuidade a essa busca.

 

“Fronteira Invisível (Argentina/Bélgica, 2016, 28’), Nicolás Richat e Nico Muzi 28 min

Na Colômbia, o tratado de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia Exército do Povo) deu fim a mais de 60 anos de conflito armado. Mas era essa a única tensão da região? A corrida de latifundiários para aumentar sua produção de óleo de palma para alimentar a indústria de biocombustíveis também expulsou camponeses e indígenas, destruindo seu modo de vida e concentrando terras nas mãos dos mais ricos. Irá a paz retornar as terras para seus verdadeiros donos, ou simplesmente as entregará para o agronegócio? O filme dá voz às comunidades locais que lutam por seus direitos e expõe as armadilhas da política de biocombustíveis.

 

Histórias de Cumaru– Simone Giovine (Brasil, 2018, 18 min)

O cumaru antigamente era usado pelo povo Kayapó como remédio. Hoje, os brancos fazem produtos cosméticos com sua semente. A Aldeia Kendjam se organiza então para coletar e vender cumaru para os “kuben.

 

Krenak – Rogério Corrêa (Brasil, 2017, 74 min)

A história da tribo indígena Krenak, de Resplendor, Minas Gerais, desde a declaração da “guerra justa”, pelo rei português D. João 6º em 1808, até o desastre ambiental no Rio Doce, causado pela ruptura da barragem de minérios em Mariana, em 2015.

 

Nanã” – Rafael Amorim (Brasil, 2017, 25 min)

Em um complexo portuário e industrial, a população enfrenta o processo de gentrificação do território. A resistência é a terra.

 

“O Delírio é a Redenção dos Aflitos” – Fellipe Fernandes (Brasil, 2016, 21 min)

Raquel é a última moradora de um edifício condenado e ela precisa se mudar o mais rápido possível para salvar sua família.

 

O Eterno Retorno – Roberto Mathews (Chile, 2016, 28 min)

O filme é um ensaio que retrata experiências cotidianas vividas por vizinhos e voluntários depois da catástrofe do incêndio da cidade chilena de Valparaíso, Chile, ocorrido em 2014. Paisagens carbonizadas, imóveis irreconhecíveis e, depois de tudo, a reconstrução. O filme reflete sobre os constantes incêndios passados, atuais e futuros e seu significado para a cidade e seus habitantes.

 

PlantaeGuilherme Gehr (Brasil, 2017, 10 min)

Ao cortar uma grande árvore no interior da floresta amazônica, um madeireiro contempla uma inesperada reação da natureza. Uma reflexão sobre as conseqüências irreversíveis do desmatamento e da subjugação lamentável dos humanos aos demais seres da Terra.

 

“Quilombo Rio dos Macacos” – Josias Pires Neto (Brasil, 2017, 120 min)

O Quilombo do Rio dos Macacos, na Bahia, enfrenta conflito pela propriedade da terra de uso tradicional, reivindicada pela Marinha. Além de denunciar graves violações de direitos humanos – direito de ir e vir, acesso à água, saúde, educação, moradia e trabalho – o filme registra processos de negociações; mostra conflitos gravados no calor da hora pelos próprios quilombolas; documenta aspectos culturais, simbólicos e características do território; apresentando um painel de caráter político, urgente e etnográfico.

 

Río Verde, o Tempo dos Yakurunas” – Alvaro Sarmiento e Diego Sarmiento (Peru, 2017, 70 min)

Guiado por cantos ayahuasca, o filme é uma jornada poética pelas profundezas da Amazônia. O longa explora a percepção do tempo por três comunidades que vivem às margens do rio Amazonas, fazendo o espectador imergir em paisagens habitadas por xamãs e sociedades míticas.

 

Sertão Velho Cerrado”André D’Elia (Brasil, 2018, 96 min)

Preocupados com o fim do Cerrado no estado de Goiás, os moradores da Chapada dos Veadeiros buscam alternativas de desenvolvimento para sua região. A elaboração de um plano de manejo os desafia a conciliar interesses aparentemente incompatíveis, abrindo um diálogo necessário entre a comunidade científica, agricultores familiares, grandes proprietários de terra e defensores do meio ambiente.

 

“Sob a Pata do Boi” – Marcio Isensee e Sá (Brasil, 2018, 49 min)

A Amazônia tem hoje 85 milhões de cabeças de gado, três para cada habitante da região. Na década de 1970, quase não havia bois e a floresta estava intacta. Desde então, uma porção equivalente ao tamanho da França desapareceu, da qual 66% virou pastagem. A mudança foi incentivada pelo governo, que motivou a chegada de milhares de fazendeiros de outras partes do país. A pecuária tornou-se bandeira econômica e cultural da Amazônia, forjando poderosos políticos a defendê-la. Em 2009, o jogo começou a virar quando o Ministério Público obrigou os grandes frigoríficos a monitorarem o desmatamento nas fazendas de onde compram gado.

 

“Terra Solitária – Tiziana Panizza (Chile, 2017, 107 min)

Um pesquisador encontra 32 documentários filmados na Ilha de Páscoa há quase um século. Eles contêm imagens dos Moais, as gigantescas esculturas de pedra do local, mas mal mostram os habitantes da ilha. Isso porque, na época, eles eram submetidos a uma colonização cruel, tendo sido tratados como escravos e mantidos em cativeiro por mais de 60 anos. Além de revelar como um dos destinos turísticos mais bonitos do mundo já foi uma prisão, o filme registro o atual confinamento de uma comunidade mantida no local e vigiada por guardas chilenos.

 

“Terras Brasileiras” – Dulce Queiroz (Brasil, 2017, 55 min)

No sul do Mato Grosso do Sul, quase fronteira com o Paraguai, indígenas e produtores rurais disputam a posse da terra. Num clima tenso, sobram confrontos, despejos, ataques e até mortes. O conflito vem de séculos, provocado também por erros do próprio Estado brasileiro. Agora, os dois lados exigem solução urgente. A disputa já se transforma numa tragédia de grandes proporções.

 

“Velha Caveira”Kiro Russo (Bolívia/Qatar, 2016, 78 min)

Em um povoado mineiro na Bolívia, um rapaz que perdeu o pai costuma beber nos karaokês e nas ruas, se metendo frequentemente em encrencas. Quando consegue trabalho numa mina, vai conhecer histórias obscuras sobre seu passado.

 

Serviço:

7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

31 de maio a 13 de junho de 2018

entrada franca

 

Locais:

Cine Reserva Cultural,

Centro Cultural Banco do Brasil 

Circuito Spcine Lima Barreto (Centro Cultural São Paulo), 

Circuito Spcine Paulo Emílio (Centro Cultural São Paulo), 

Circuito Spcine Olido, 

Espaço Itaú Augusta,

Fábrica Brasilândia,

Fábrica Capão Redondo,

Fábrica Cidade Tiradentes,

Fábrica Itaim Paulista,

Fábrica Jaçanã,

Fábrica Jardim São Luís,

Fábrica Parque Belém,

Fábrica Sapopemba,

Fábrica Vila Curuçá,

Fábrica Vila Nova Cachoeirinha.

 

Realização: Ecofalante, Ministério da Cultura, Governo Federal, Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo

Correalização: Spcine, Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Instituto Goethe

Patrocínio: Sabesp, Tigre, Kimberly-Clark

Apoio: White Martins, Pepsico

Lei de Incentivo à Cultura e ao Programa de Apoio à Cultura (ProAC).

 

Paulo Varella1390 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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