Conheça o “Reminiscência, À procura da Luz”

 

Em 16 de outubro de 2012, a antiga Aldeia da Luz foi submersa devido à construção da barragem do Alqueva, conduzindo à deslocalização da povoação e à edificação de uma nova aldeia, com base no princípio “casa por casa, terra por terra”. A nova aldeia da Luz localiza-se agora junto da albufeira do Alqueva, elemento responsável pela transformação deste território.

Durante quinze dias, seis artistas Edgar de Oliveira, Ines Von Bonhorst, Katia Sá, Marta Angelozzi, Paulo Morais, Yuri Pirondi, estiveram em residência no Museu da Luz, na Aldeia da Luz, no concelho de Mourão. Criaram vários trabalhos de vídeo, fotografia, pintura, performance, som e instalação que deram origem a várias intervenções na aldeia bem como a uma exposição final à qual se deu o nome de “Reminiscência”.

O projecto “Reminiscências” nasce da pesquisa e recolha de memórias da aldeia antiga e reflecte sobre a realidade actual da aldeia nova. Os seis artistas originários de Portugal,

Moçambique e Itália exploraram sinais, mitos, histórias e tradições inerentes à sua localização. “Reminiscências” tornou-se num veículo de experiências significativas na medida em que a sua partilha com o público ativou processos de reconhecimento da realidade, memória e imaginação.

A residência promovida pelo Museu da Luz foi uma óptima oportunidade de exploração pessoal para estes artistas que se deu em processos plurais na relação com o território, de entre os quais se pode dar como exemplo, a intenção de re-desenhar um mapa da nova aldeia e da antiga, sob um olhar externo, mas com atenção aos detalhes e respeitando sempre a história e a integridade do lugar. Com a ajuda da Junta de Freguesia, os artistas tiveram acesso a vários objetos da antiga Aldeia da Luz, que acabaram por integrar em diversas instalações.

Os artistas, habituados a trabalhar em site-specific — Performance e Instalação — intervieram directamente na aldeia, em locais públicos, tais como, a praça principal e nas margens do Lago do Alqueva. Decorreu ainda uma exposição na Casa do Monte dos Pássaros única construção remanescente da antiga Aldeia da Luz, pertencente ao Museu, onde se expuseram os restantes projetos — pintura, fotografia, vídeo e instalação

ARTISTAS E TRABALHOS APRESENTADOS:

Edgar de Oliveira (Moçambique)

“À PROCURA DA LUZ”

Video // Fotografia // Instalação

O nome da aldeia, “Aldeia da Luz” foi o ponto de partida para a criação dos trabalhos criados no local (site specific), fazendo da Luz o elemento comum dos quatro trabalhos realizados por Edgar Oliveira, durante a residência.
” À Procura da Luz”, das estrelas, do sol, da aldeia e da vida da mesma.

Os trabalhos são site specific e foram apresentados em diferentes formatos, instalação, vídeo e fotografia.

Ines von Bonhorst (Portugal)

http://inesvonbonhorst.com/

“CANTOS DA ALDEIA”

Fotografia // Instalação // Vídeo // gravura e colagem

Ines von Bonhorst concentrou o seu trabalho em duas fases diferentes;
A primeira fase baseou-se na recolha de informações sobre a antiga Aldeia da Luz, tais como a recolha de mapas, fotografias e vídeos. O trabalho final foi quatro colagens feitas através de várias técnicas como gravura, pintura e colagem.
A segunda fase do projecto foi feito através de video, fotografia e som.

A artista tentou encontrar recantos neutros da nova Aldeia que pudessem assimilar-se a antiga Aldeia da Luz. Inês filmou, fotografou, e gravou sons reais com o objectivo de criar uma nova linguagem que mistura-se as duas realidades, a da nova e da antiga Aldeia da Luz.

Kátia Sá (Portugal)

http://stitulo1.blogspot.pt

“RESILIÊNCIA DA ALDEIA DA LUZ”

Fotografia/ Instalação

Investiga-se espaço e tempo de uma aldeia transmudada, com foco na perseverança e dignidade dos seu habitantes que participam na construção de uma nova memória colectiva.
Objectos pertencentes à antiga Aldeia da Luz, recolhidos durante o período de residência, serviram de cenário para o registo fotográfico da actual aldeia.

Marta Angelozzi (Itália)

http://www.shadecage.com/

“FRAGMENTOS”

Instalação // Pintura

Com o trabalho “Fragmentos”, Marta Angelozzi reflete sobre a antiga e a nova Aldeia da Luz. Ao olhar para os arquivos fotográficos, Marta misturou memórias antigas e criou novas, em forma de desenhos a giz, em pedras de ardósia.
Para Marta o encontro com as pessoas da Aldeia da Luz foi fundamental para a criação do trabalho, num processo onde foi importante valorizar e respeitar o passado e ainda concentrar-se no presente e na sua beleza, através de uma experiência partilhada.

Paulo Morais (Portugal)

https://vimeo.com/paulomorais

RELUZIR A LUZ
Video instalação | 1’ 47’’

O tempo atravessa uma árvore seca nas margens do lago.
Árvore sonora preparada com microfones piezo e cabo de arame, o vento passa pelos ramos ativando sonoridades.

VERGAR À LUZ
Instalação Sonora | Performance

 

Este trabalho nasceu e morreu nas margens do Guadiana.
Em movimento de pôr de sol, o som nasceu da Luz e pôs-se na linha do Horizonte. O som é produzido pelo vento que passa nas cordas de metal e pelo manuseamento humano da instalação, amplificado ao pôr do sol.

Yuri Pirondi (Itália)

http://www.yuripirondi.com/

“ULTIMA CEIA (LAST SUPPER)” Fotografia // Performance

Performance:

http://www.yuripirondi.com/index.php/theatre/last-supper/

Com a ajuda da Junta de Freguesia da Aldeia da Luz o artista teve acesso a materiais da Aldeia antiga. Yuri tentou imaginar um último jantar antes da Aldeia ter sido evacuada, feita através de uma mesa de madeira, uma garrafa de vinho, e um pedaço de pão alentejano, e fez com que este objecto flutua-se, como uma memória remota, à superfície do lago do Alqueva. O artista usou um material fluorescente para criar uma aura à volta do objecto. O seu projecto caracteriza-se através de um acto performativo e fotografico.

 

 

Paulo Varella1227 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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