A Bela Crueza do cangaço: o que seria o cangaço hoje?

  • Sergio Azol, O Rei Do Sertão, 2013 - Acrílico sobre tela, 120x100cm (Crédito - Oscar Steiner).Sergio Azol, O Rei Do Sertão, 2013 - Acrílico sobre tela, 120x100cm (Crédito - Oscar Steiner).
  • Sergio Azol, Sem Título, 2016 - Acrílico sobre tela, 100x120cm (Crédito Oscar Steiner)Sergio Azol, Sem Título, 2016 - Acrílico sobre tela, 100x120cm (Crédito Oscar Steiner)
  • Sergio Azol, Sem Título, 2016 - Acrílico sobre tela, 140x160cm (Crédito Oscar Steiner)Sergio Azol, Sem Título, 2016 - Acrílico sobre tela, 140x160cm (Crédito Oscar Steiner)
  • Sergio Azol, Virgulino Blues, 2016 - Acrílico sobre tela, 100x130cm (Crédito - Oscar Steiner)Sergio Azol, Virgulino Blues, 2016 - Acrílico sobre tela, 100x130cm (Crédito - Oscar Steiner)
  • Sergio Azol, Virgulino e a Flor do Sertão, 2016 -Acrílico sobre tela, 120x160cm (Crédito - Oscar Steiner).Sergio Azol, Virgulino e a Flor do Sertão, 2016 -Acrílico sobre tela, 120x160cm (Crédito - Oscar Steiner).

Quem são os artistas?
Sérgio Azol e Otávio Donasci.

O que terá na mostra?
Pinturas, fotografias, vídeos , música e uma instalação.

Onde vai ser?
Casa-laboratório (endereço abaixo).

É um bom programa?
Sim.

Quando?
9 de setembro a 25 de outubro

6 imagens que vão te deixar tremendamente repugnado

Essa pergunta norteou a pesquisa do artista potiguar Sérgio Azol durante um longo período e o fez percorrer os caminhos do Cangaço, seus personagens e as figuras que hoje vivem no Sertão, entre o Brasil do passado e o Brasil de presente. Ocupando dois andares de uma casa-laboratório, A Bela Crueza do Cangaço colocará a pintura e a fotografia do artista potiguar em diálogo com outras linguagens, como o vídeo, ao qual dedicou boa parte de sua trajetória profissional, a música e uma instalação cenográfica realizada por Otávio Donasci, um dos principais nomes da arte experimental do Brasil.

A busca de Azol
Em sua viagem, o artista percorreu os caminhos do cangaço, visitando espaços históricos – como o lugar em que Lampião foi morto em 1938 -, entrevistando pessoas que vivem a realidade do sertão hoje, com os dilemas de um tempo passado – como a violência, a miséria e a falta de leis – e do presente, como as drogas, a miséria e a falta de oportunidades. “Estar naquele local, com aquelas pessoas, foi extremamente transformador para mim. Essa viagem me permitiu ver o cangaço e a figura do Lampião em sua complexidade”, afirma Azol. “Em um lugar sem lei, matar – por vingança, por necessidade, por fome – é a única lei. É a falta de lei que rege a figura do Lampião e torna impossível fazer qualquer julgamento moral sobre a sua figura e a do cangaço, o que, para o artista é extremamente enriquecedor.”

Realizadora da mostra, a empreendedora cultural Yael Steiner afirma que, na ocupação, o público será transportado para o universo do cangaço em sua essência, mas de uma maneira inovadora, buscando, por meio dessa matriz cultural, o que há de novo nela, o que ela diz para o mundo contemporâneo. “Ele nos conta as possibilidades desse universo através de seu traço, seja no P&B, na colagem, na escultura, no monocromático ou mesmo quando nos suga para dentro de todas essas intensidades de cores, luzes, ícones e referências de suas telas mais explosivas”, afirma. “Em suas obras, Azol nos transporta para este portal mágico de suas referências, suas narrativas, sua estética que, de tão autêntica, regional e fluida, se torna universalmente reconhecida por todas as almas, todos os públicos.”

O universo do artista será revisitado por Otávio Donasci em uma instalação cenográfica feita a partir de camadas de pranchas pintadas com fragmentos da obra de Azol, espalhadas pela ocupação. “Eu me propus a entrar na obra do Azol e encontrar uma maneira que ela estivesse no que eu queria criar, estabelecendo uma relação de meta-arte, na qual minha obra não existiria sem a do Azol”, afirma Donasci. “Eu fiz uma explosão da obra dele, algo com o que ele tinha sonhado, e essa explosão vai se entranhar na ocupação, do mesmo modo como a obra dele se entranhou em mim.”

Segundo a curadora Ana Helena Curti, “este projeto transcende o espaço expositivo e contemplativo. Configura-se como espaço contemporâneo de experiência que traz a público um olhar cuidadoso sobre a cultura brasileira. É um convite para o público mergulhar no universo de Azol. O cangaço e suas cores são a inspiração e repertório para criação das obras. A imersão se torna mais rica a partir do diálogo com o ambiente criado por Otavio Donasci. Quase como uma provocação artística, as distintas escalas de planos e de cores – ora obra, ora espaço – se entrelaçam e resultam em experiência acolhedora, inusitada e transformadora. Assim é a obra de Azol. Assim é o olhar de Donasci sobre a obra de Azol.”

O Cangaço na cultura
Um dos movimentos mais importantes do Brasil do Segundo Reinado e da Primeira República, o Cangaço sempre foi uma fonte de inspiração cultural que se tornou um tema recorrente em expressões de caráter popular, como a literatura de cordel, mas também marcou a alta literatura, o cinema, a moda e a TV.

O Cangaço tem sido resgatado nos últimos tempos em diferentes linguagens, voltadas para públicos distintos – nas telenovelas, como Velho Chico (TV Globo); na moda, por meio de estilistas como Jean Paul Gaultier, Ronaldo Fraga e Pedro Lourenço, e no design de móveis dos irmãos Campana.

SERVIÇO
A programação completa de Ocupação A Bela Crueza do Cangaço será divulgada em breve.
Ocupação A Bela Crueza do Cangaço
Endereço: Rua Gabriel Monteiro da Silva, 224
Visitação: Abertura para convidados: 8 de setembro, a partir das 19h
Período expositivo: de 9 de setembro a 25 de outubro
De terça a domingo, das 11h às 19h
Entrada gratuita

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