Arte pode ser invisível?

Lana Newstrom - Canadian Summer

Quando procuramos a definição ou tentamos imaginar o que é arte, logo nos vêm a resposta de que é, independente de quaisquer tipos de definição, um produto estético, ou seja, visual, sonoro, ou qualquer outro tipo de coisa que se ligue à percepção. Mas e se alguém dissesse o contrário? Ela estaria deixando de ser artista por isso?

Só é arte aquilo que está ao alcance de nossos olhos? Se sim, que olhos são esses?

Bom, indo na contramão do que costumamos publicar ou discutir, Lana Newstrom nos traz a chamada “invisible art” (arte invisível). Chego até mim através de sua entrevista para rádio canadense cbc, resolvi ouvir a artista e visualizar (se é que posso dizer assim) o seu trabalho.

InvisiArt_Banner

Exposição de Lana na galeria Schulberg

O trabalho dela é exatamente isso que ela defende: Arte Invisível. Segundo a artista: “Art is about imagination and that is what my work demands of the people interacting with it. You have to imagine a painting or sculpture is in front of you” (Arte é sobre imaginação e é isso o que meu trabalho demanda das pessoas que estão interagindo com ele. Você tem que imaginar a pintura ou escultura que está a sua frente). 

Nos comentários de seu site vemos coisas como: “Não acredito que pessoas realmente pagam por algo que não existe” ou até mesmo pessoas que comparam o invisível de seu trabalho com o invisível da existência divina.

Até onde pode ir a arte? Só até o campo do visível? Só o campo do visível pode despertar coisas da imaginação? Então, no fim, todos podemos ter um trabalho de Lana Newstrom em casa?

Segundo a artista, o lucro (100% uma vez que não tem gastos para realização) é revertido para causas: “All proceeds go directly to some worthy causes. Today it is EFF… and, of course, you’re free to contribute to a cause of YOUR choice.
You’ll get to own one of my works once you let me know where you contributed and how much.”  (Todo o rendimento vai diretamente para alguma causa nobre. Hoje é a ‘EFF’… e, é claro, você é livre para contribuir com a causa de sua escolha. Você recebe um de meus trabalhos assim que me disser aonde está contribuindo e com quanto.) 

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Transparency

Bom, o trabalho dela é, no mínimo, curioso. Apesar de que, se não me falha a memória, coisas parecidas já foram testadas na arte contemporânea. Como quando alguns artistas penduram o quadro pendurado com o lado pintado para a parede, ou como quando só colocam o título e as dimensões mas não levam o quadro para a exposição.

Alguns podem levar o trabalho dela apenas para o campo de discussão de se perguntar se ela é louca ou genial. Acho que não está em nenhuma destas instâncias. Para mim, ela é interessante, mas não só isso… aliás, poucos são os casos que uma palavra usada para determinar alguma coisa seja certa para a maioria.

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Lemon Dinner

E vocês? O que acham do trabalho de Lana?

Ouça a artista e reflita mais sobre seu trabalho:

Atualização:

Aparentemente não foi desta vez que alguém resolveu proclamar a “invisible art”. Segundo uma publicação no Epoch Times (Jornal presente em mais de 35 países), tudo não se passou de uma sátira.

Segundo os criadores, era para ser algo engraçado, e não sério. Um deles foi o comediante Pat Kelly, que diz que ele gosta da ideia da história por ela ser possível de acreditar. Isso é bom ou não? Eu, particularmente, acredito que sim. Mas talvez nem seja nestas dualidades de bom e ruim que elas se encontram, só acredito ser bom por demonstrar a liberdade criativa que a arte tem mostrado e feito as pessoas acreditarem. 

Para conferir o artigo, acesse o site http://www.theepochtimes.com/n3/988267-invisible-art-satire-new-york-artist-lana-newstrom-creates-art-worth-millions-is-humor/ e leia na íntegra.

Paulo Varella1225 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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