Cromática e Pickpocket
Quem é o artista? Waltercio Caldas e Analu Cunha
O que vai ter na exposição? Instalação, escultura e objetos
Até quando? 21 de outubro
Diz a lenda que, na estreia de seus filmes, o diretor Alfred Hitchcock costumava pregar, na porta dos cinemas, um cartaz que dizia: “Não contem o final para seus amigos”. Nessa mesma linha, a surpresa é um dos ingredientes essenciais da nova exposição de Waltercio Caldas, Cromática, evento que procura estimular algumas reflexões: O que acontece quando nos vemos diante de uma obra de arte? Como estender um momento fugidio até o limite possível? Dá para explicitar coisas que não são explícitas?
Para o artista, nada é mais importante do que o momento em que o objeto de arte se apresenta para a pessoa. – Esse instante, tem características “inaugurais” – acentua. – Quando o objeto de arte aparece pela primeira vez, se apresenta somente na integridade da sua própria percepção. É “o momento do objeto”, aquele instante inicial de surpresa e aparecimento – que pretendo que dure o maior tempo possível. – destaca.
Grande admiradora da obra de Waltercio Caldas e responsável pelo convite ao artista, a presidente da Casa França-Brasil, instituição vinculada à Secretaria de Estado de Cultura, Evangelina Seiler, diz que já sente “o coração bater mais forte” só em pensar nesta sua segunda experiência com Waltercio Caldas.
– Em 1995 fiz uma grande exposição do Waltercio na Suíça, no Centre D’Art Contemporain de Genève, cujo título era “L’air le plus proche” – conta. – As obras foram feitas em Genebra especialmente para o espaço da instituição. Waltercio passou um mês desenvolvendo o trabalho e eu o acompanhei em todas as etapas das obras, que eram de aço, lã, álcool e vidro. Evangelina lembra que um assoprador de vidros, profissão rara já naquela época, ficou à disposição do Waltercio. – Foi a primeira exposição do artista na Suíça, de grande repercussão na Europa e muito elogiada por críticos e curadores de renome – orgulha-se.
Evangelina explica que, na década de 1990, os artistas brasileiros não estavam tão em evidência como hoje. – A história da arte brasileira não era tão clara para os europeus, que só então começaram a dar a devida atenção a todo o nosso potencial. Foi uma exposição muito importante – frisa. – É uma honra para a Casa França-Brasil ser condutora de uma experiência inédita do público com a obra desse extraordinário criador brasileiro, respeitado em todo o mundo – conclui.
“Revelando” Cromática
Ao apresentar a exposição, a Casa França-Brasil destaca a relação da obra do artista com o espaço da instituição: “Criando uma série de espaços pessoais, voltados à experiência do sensível, Waltercio reintroduz assim, no seio do projeto monumental da arquitetura do século XIX, a ideia e a medida do humano. E nos faz recordar da vocação original desta Casa, primeira Praça de Comércio do Brasil, lugar de troca, convívio e circulação.“
A mostra – na qual o artista pretende “falar de forma explícita de coisas que não são explícitas” – foi concebida como a reunião de cinco obras: três no salão principal, criadas especialmente para o espaço da Casa França-Brasil, e duas nas salas adjacentes, inéditas no Rio de Janeiro. Os trabalhos que ocuparão o espaço central relacionam volume e cor. Ao falar sobre essas obras, o artista frisa: – A cor não é simplesmente um fenômeno óptico: é também espacial. Volumetria e cor têm tudo para se confundir e criar uma situação em que não se sabe se o objeto é cor ou se a cor é objeto.
Nas duas salas laterais encontram-se Superfície internacional, inspirada na vertiginosidade do mundo atual, e Filme rápido, obra que trata, de forma poética, da possibilidade de estender o tempo que foge.
Cromática é a primeira grande exposição do artista no Rio após a mostra retrospectiva realizada no MAM em 2010, consagrada pela crítica. O evento acontece em um ano bastante produtivo e premiado para Waltercio, que acaba de lançar dois novos livros. Além disso, conquistou o prêmio da Bienal de Cuencas e prepara outra importante exposição para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.
Em todas as suas grandes exposições, a Casa França-Brasil convida um outro artista para ocupar o espaço do Cofre. Desta vez a escolhida é Analu Cunha, artista alagoana radicada no Rio cuja obra é centrada nas questões da imagem e das qualidades ambíguas e contraditórias que lhes atribui.
A instalação Pickpocket – que usará como suporte uma TV LED de 24 polegadas, discretamente embutida na parede do cofre – pretende realçar o caráter soturno (e mesmo secreto) desse lugar, normalmente fechado “a sete chaves”. A porta entreaberta convida o espectador a acompanhar o surgimento de uma imagem misteriosa, que se transforma e se modifica gradualmente até o fim abrupto do filme — quando a imagem é subitamente subtraída.
Valendo-se da metáfora do “valor” econômico, a artista propõe ao visitante uma reflexão sobre as ambiguidades de nossa própria vida privada, sobre o que decidimos mostrar ou esconder, exibir a esmo ou trancar num cofre.
Abertura: 15 de agosto às 19h
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Casa França-Brasil - Rio de Janeiro (Rio de Janeiro)
Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro
2332-5120
Horário: Terças a sábado, 10-20h
Preço: Gratuito





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