Emma Thomas e Coletivo Amor de Madre em ocupação artística conectando São Paulo e Pequim

Marcelo Cipis - Morango Amarelo

Começa hoje (26 de setembro de 2014) o BJDW (Beijing Design Week), maior evento de design e arte da Ásia, e, junto a ele, a exposição “Emma Abre o Coletivo”. Os dois eventos serão interligados por plataformas estéticas e visuais de comunicação, porém, o BJDW acaba dia 03 de outubro, enquanto que a ocupação dos artistas da Emma segue até primeiro de novembro.

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Terceira imagem gerada a partir de duas imagens selecionadas pela hashtag #WhenAreYou

Quem são os artistas? A ativação de arte e desing levada para Pequim recebe curadoria de Olívia Yassudo, a qual selecionou nomes como Guto Raquena, Edson Pavoni, Marko Brajovic, entre outros. Já a ocupação no prédio do Coletivo Amor de Madre, realizada em parceria com a Galeria Emma Thomas, traz trabalhos de Erica Ferrari e Marcelo Cipis.

O que terá na exposição? Video Mapping, instalação, pinturas, esculturas e objetos são algumas das estruturas utilizadas nas exposições.

Sobre o espaço: O Coletivo Amor de Madre surgiu da iniciativa de Olívia Yassudo em criar parcerias entre artistas e designers, recebendo co curadoria de Amauri Santos e Nana Janus e tem como propósito a criação de intercâmbios e o compartilhamento de informações acerca de repensar conceitos e formatos da comercialização de arte e do design em regiões e culturas distintas. Já tendo sido espaço de galeria (com as atividades encerradas em 2013), o coletivo continua a existir com novos projetos e novas estruturas de relacionamento.

Quando? A BJDW começa dia 26 de setembro e termina dia 03 de outubro, enquanto que a exposição no Coletivo começa no mesmo dia mas segue até 1º de novembro.

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Erica Ferrari - Estratigrafia

A exposição no Coletivo é uma ocupação que une 3 elos. Um deles, a feira de Design mais importante da Ásia, outro, a produção artística que liga essa feira e o brasil, e, o terceiro, a galeria Emma Thomas que contribuirá com os trabalhos de Erica Ferrari e Marcelo Cips.

A feira na China irá contar com a presença de trabalhos do Coletivo Amor de Madre, e, aqui no ocidente, teremos a Ocupação. Esta surge de um desejo comum de diálogo entre as questões contemporâneas que preocupam o design, a arte e a composição urbana, assuntos que estarão sendo amplamente discutidas no evento chinês e que podem receber nossos olhares aqui no Brasil.

Para realizar essa observação e este diálogo de forma mais direta, a ocupação irá contar, no andar térreo, com uma ‘janela tecnológica’, instalação que estabelece relações táteis simultâneas entre os espectadores de São Paulo e os de Pequim, recebendo o nome de “Place to Departure”. Esta janela permite que as pessoas dos diferentes lugares possam sentir o toque um dos outros, uma espécie de feedback tátil. Ao realizar isso, o trabalho rompe com as barreiras de distância e fuso horário. “As pessoas poderão experimentar essa interação tátil, promovida pela fusão da tecnologia aliada ao design. Esse tipo de trabalho apresentado como obra de arte é também uma forma de melhorar a vida e tornar imperceptível a distância, questionando assim os relacionamentos humanos”, salienta Olivia (idealizadora do Coletivo).

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A place to departure

Além da proposição tátil, para unir as duas cidades, o Coletivo Amor de Madre (em parceria com a Vanilla Unusual Products e a D3) também propõe a hashtag #WhenAreYou, dispositivo a ser usado na publicação de imagens no instagram e que cria uma intersecção entre novos formatos de expressão com novas tendências comunicativas e tecnológicas, ironizando o tempo e o espaço e intercalando a sua existência entre plataformas analógicas e digitais.

A tática une os dois lugares e traz para o espaço expositivo o uso de ferramentas contemporâneas que refletem algumas preocupações pós-modernas (como o encurtamento de distâncias). Com este projeto, será realizado um video-mapping na Ocupação no dia de abertura, a qual mostrará a rota dos integrantes do propósito.

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Marcelo Cipis - Composição_T

O segundo andar do coletivo será ocupado por Marcelo Cipis (Resultado da parceria do coletivo com a Emma Thomas, galeria que representa Marcelo) com a exposição “40 anos em 40 dias”, a qual trará uma seleção de 70 obras (inéditas) do artista as quais foram produzidas nas últimas 4 décadas. Como projeto expográfico, o artista utiliza uma forma anárquica de disposição dos trabalhos, buscando criar uma mistura dos elementos sem acrescer um significado (como caso estivessem em ordem cronológica), realizando quase que um panorama de sua criação.

“Pinturas de diferentes décadas e de diferentes linguagens serão colocadas juntas de uma forma randômica, misturadas, para fazer um painel desta produção”, explica o artista. Esta ação, batizada pelo artista como happening, “é uma oportunidade de mostrar trabalhos que estão no ateliê e que nunca foram mostrados antes”, finaliza Marcelo.

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Marcelo Cipis - Listras

Também resultado da parceria entre o Amor de Madre e a Emma Thomas, a artista Erica Ferrari apresenta a exposição “Estratigrafia: Palácios”, na qual a artista pesquisa as camadas históricas dos Palácios Nacionais que já foram palco de luta e violência e hoje funcionam como museus ou espaços culturais.

“Essas edificações possuem algumas características arquitetônicas semelhantes, como hall de entrada, escadarias suntuosos, pé direito alto, evocação nos elementos constituintes da cultura greco-romana etc., que denotam, para além da linguagem arquitetônica, insígnias de poder. O dado de interesse aqui é a relação da história dessas construções e dos seus usos, tanto na questão do local escolhido para abriga-las, muitas edificadas em pontos nos quais algum movimento social ou governamental já havia se tornado notório, quanto na importância de sua posse ou tomada por movimentos de revoltas populares”, explica Erica.

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Marcelo Cipis - Jeff Suprematista

Além da exposição e da comunicação com a BJDW, a ocupação contará com conversas com os artistas e convidados, estas que estão marcadas para dia 04 e 25 de outubro, das 15 às 17h.

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Janela Tátil

Paulo Varella1241 Posts

<p>Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais.</p> <p> Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref</p>

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