Gramáticas infames do medo na Blau Projects/SP

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Gramáticas infames do medo na Blau Projects/SP

novembro 18 - dezembro 16

São Paulo – A Blau Projects inaugura, dia 18 de novembro, a exposição Gramáticas infames do medo, com curadoria de Ícaro Ferraz Vidal Jr. A exposição foi selecionada pelo #04 C.LAB Mercosul, edital voltado a jovens curadores, promovido pela Blau Projects e atualmente na quarta edição. O C.LAB faz um intercâmbio entre artistas, instituições, galerias e curadores por meio de exposições que reforçam o papel da galeria de incubadora e difusora da arte contemporânea. As artistas, somente mulheres, são as brasileiras Adrianna eu, Flávia Junqueira e Alice Lara, e as latino-americanas Alejandra Alarcón, Catalina Jaramillo Quijano e Luciana Damiani.

 

A exposição reúne a produção dessas seis artistas latino-americanas a partir da noção da “gramática infame do medo”, expressão do poeta Alberto Lacerda a respeito da poética de Paula Rego, artista luso-inglesa cuja trajetória é marcada pelo entrelaçamento de sua vida pessoal, sua obra e a história política de Portugal. O “medo” retratado é também um medo presente no inconsciente coletivo feminino, que percorre as trajetórias das mulheres em todas as épocas e que tem sido mais bem examinado por meio de movimentos feministas, mostrando que a sexualidade feminina esteve sempre ligada a repressões e tensões. “Tive essa ideia porque trabalho com jovens artistas mulheres há algum tempo e quis mostrar como o medo ligado à condição da mulher está retratado na arte e também em termos políticos”, conta o curador.

 

A recente busca por igualdade de gênero, as denúncias de abusos e feminicídio, as recentes “hashtags” como #meuprimeiroassedio e #meuamigosecreto mostram que o tema é pertinente tanto na arte quanto na sociedade. Para o curador, o processo de valorização do masculino também se dá nas artes. “O processo de valorização da obra de uma artista mulher tende a ser muito mais lento e modesto do que de um artista homem”, afirma. Ele também diz que grande parte das coleções públicas contam com um percentual desigual de obras de artistas homens e mulheres. O curador também faz uma provocação ao perguntar se existe uma arte feminina, abrindo o debate para questões ainda inconclusas.

 

Obras

A carioca Adrianna eu apresenta Corte e costura, de 2007, e O guarda-chuva, de 2006; a boliviana Alejandra Alarcón traz duas obras intituladas El corazón de Alicia, 2016, da série Alicia y su abismo; a brasiliense Alice Lara vem com Sutileza lasciva, da série Amores Perros, de 2009; a colombiana Catalina Jaramillo Quijano mostra seu Compendio de gritos, de 2016; a paulistana Flávia Junqueira traz a série fotográfica Em nome do pai #1 e#2, de 2015; e a uruguaia Luciana Damiani apresenta a instalação fotográfica Fracción: Ejercicio sobre insomnia 1ª. Parte: La oscura, de 2012.

#04 C.LAB Mercosul

A atual exposição é o segundo projeto selecionado na quarta edição do C.LAB Mercosul, realizado em 2017. O primeiro, que contou com a mostra Desarticulaciones, da curadora argentina María Alejandra Gatti, aconteceu de 8 de julho a 12 de agosto de 2017. Os artistas apresentados na exposição foram Alan Segal, Lorena Marchetti, Lihuel González, Lorena Fernández e Verónica Gómez, além de cinco escritores escolhidos para elaborar um texto para cada uma das obras expostas.

Os projetos recebidos de diversos países da América Latina foram avaliados e selecionados por uma comissão independente composta pelo curador brasileiro Mario Gioia, o curador colombiano Santiago Rueda e a argentina Mariana Rodriguez Iglesias. Os critérios de seleção incluem relevância no panorama da produção artística contemporânea, conexões e intercâmbios entre artistas que vivem e/ou trabalham na América Latina, objetividade, viabilidade, originalidade e ineditismo. Os dois receberam um aporte financeiro de 12 mil reais para produção de suas exposições.

Sobre o C.LAB

Concebido como projeto independente do programa regular de exposições da Blau Projects, o concurso anual C.LAB seleciona e apoia projetos de curadores e artistas para exposição no espaço da galeria, reforçando seu papel de incubadora e difusora da arte contemporânea.

 

A primeira edição, realizada em 2014, resultou na produção e exibição dos projetos Ampulheta, do curador Douglas Negrisolli, e (…) pegaríamos as coisas onde elas crescem, pelo meio (…), da curadora Galciani Neves. Em 2015, a segunda edição do C.LAB apresentou como resultado a exposição Na Iminência, da curadora Carolina Soares e Território, povoação, dos curadores Gabriel Bogossian e Juliana Gontijo. Em 2016, foram duas curadorias selecionadas, Formas de abandonar o corpo – Parte I, de Natália Quinderé, e Miniaturas, maquetes, vodu e outras projeções políticas, de Claudia Rodriguez Ponga Linares. Em 2017, a curadora argentina María Alejandra Gatti apresentou o projeto Desarticulaciones, e, agora, é exibido o segundo projeto selecionado, Gramáticas infames do medo.

 

As comissões de seleção são independentes e têm critérios sólidos de avaliação. Já estiveram nessa função nomes como a curadora colombiana Isabela Villanueva, a argentina Gachi Prietto, o cubano naturalizado brasileiro Andrés Hernandez, o alemão Alfons Hug, a portuguesa Marta Mestre e o brasileiro Rafael Fonseca. Mais informações: www.blauprojects.com/clab.

 

Estacionamento próximo ao local

Horários de funcionamento: terça a sábado, das 11h às 19h

Entrada gratuita

Acesso para deficientes 

Blau Projects

Rua Fradique Coutinho, 1464 – Fundos
Vila Madalena | CEP 05416-001
www.blauprojects.com
Telefone (11) 3467-8819 | 3467-8801

Detalhes

Início:
novembro 18
Final:
dezembro 16

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