A Arqueologia da Destruição de Mariana

A Galeria de Arte Nello Nuno, da Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP , recebe até o dia 6 de maio a mostra “Arqueologia da Destruição.  A entrada é gratuita. As artistas Cristiani Papini, Inês Antonini, Lorena D’Arc e Regina Paula Mota partiram do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, em 2015, para criar cerâmicas, esculturas, instalações, fotografias e pinturas que buscam levantar um debate sobre a cultura extrativista de Minas Gerais.

Arqueologia da Destruição: Marcelo Cândido

A montagem da exposição em Ouro Preto simboliza a abertura de um debate sobre a cultura extrativista, perpetuada por mais de três séculos de exploração.”Para nós, mais importante do que mostrar o trabalho é que ele seja um estímulo à reflexão sobre as contradições que as escolhas econômicas impõem ao meio ambiente e a nossa qualidade de vida”, explica a artista Inês Antonini.

Em seu trabalho, Inês une a tradição da cerâmica oriental e a contingência do real. Os cacos da louça da avó, em si mesmo um desastre, reaparecem em pratos rústicos como traços da memória. Os derretimentos são narrativas da ação do fogo e do tempo, que ao destruírem também constroem o acaso. Lorena D’Arc apresenta uma obra refinada, em que a porcelana é também ultrajada pelo barro, que marca a passagem do tempo, da destruição e do esquecimento. Seus pequenos potes recobertos pela lama do desastre, expressam um tempo congelado, marcado pelos tons do minério e da dor.

Arqueologia da Destruição: Mateus Meireles

Cristiani Papini e Regina Paula Mota enfrentam diretamente a tragédia de Mariana por meio de imagens na cerâmica, na fotografia e na pintura, deixando claras as referências nos registros reproduzidos ora em transferências sobre o barro, ou na delicada película do papel de arroz pela fotografia de Papini, que refaz no vazio o rio destruído. Seu rio modelado, apresenta no fluxo de suas ondas, a perda do brilho de suas águas puras. Na mesma vertente, os suvenires de Regina, ao invés de apresentarem paisagens bucólicas em suas superfícies, denunciam por meio de imagens turvas e relatos, a triste realidade local.

Arqueologia da Destruição: Marcelo Cândido

Para a artista Lorena D’Arc, a exposição é uma manifestação em memória dos que se foram, e do que se foi, uma forma de chamar atenção para nossa condutas.”Perdi um parente que estava trabalhando no momento do desastre. É uma mistura de sentimentos e de indignação com o ocorrido. Em meu ponto de vista é difícil distinguir algum fato, são muitas realidades implicadas numa só. As pessoas que se foram, as famílias que perderam suas casas,  a violação de suas identidades, a dor dos  animais morrendo atolados, os quintais destruídos, as casas saqueadas.  Há toda uma cadeia de problemas  decorrentes da lama em relação ao meio ambiente. Foi desolador ver os  pescadores chorando tentando salvar os peixes, é muito difícil ficar indignada sem fazer nada”, comenta.

Arqueologia da Destruição: Ines

Galeria de Arte Nello Nuno

Localizada no centro histórico de Ouro Preto, a Galeria de Arte Nello Nuno está instalada no prédio onde a Escola de Arte Rodrigo Melo Franco de Andrade | EARMFA iniciou suas atividades. Na época, artistas como Nello Nuno e Annamélia Lopes ministravam cursos de pintura e desenho. O espaço tem como objetivo divulgar expressões artísticas locais e dos mais diversos cantos do país. Já expuseram na galeria Annamélia Lopes, Rogério Fernandes, Sussuca, Gê Fortes, M. C. Lux, Fernando Lucchesi, Thaís Helt, entre outros.

FAOP 50 anos

A Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP nasceu em 1968 da união dos esforços do poeta Vinícius de Moraes, da atriz Domitila do Amaral, do escritor Murilo Rubião e do historiador Afonso Ávila como um espaço para produzir e estudar arte, semeando um novo olhar em tempos árduos. Na FAOP nasceu o primeiro curso para formação de conservadores e restauradores do Brasil. Este ano, a instituição celebra 50 anos de valorização, incentivo e preservação do patrimônio artístico de Minas.

A FAOP atua por meio de políticas públicas, parcerias sociais, comunitárias e educativas, realizando ações de conservação, restauração, fazeres tradicionais e da arte contemporânea em seus mais diversificados suportes e linguagens.

Serviço:

Exposição Arqueologia da Destruição

Visitação: até 06 de maio

Horário: Segunda a sexta-feira de 9h às 18 | sábado e domingo 13h às 18h

Endereço: Rua Getúlio Vargas, 185, bairro Rosário | Ouro Preto (MG)

Entrada: Gratuita

Classificação: Livre

Informações: (31) 3552-2480 | assessoriadecomunicacao@faop.mg.gov.br

 

Paulo Varella1487 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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