Alex Flemming: Percursos sensuais e míticos

  • Exposição Alex FlemmingExposição Alex Flemming
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O tempo representa as buscas, os acertos, os desencontros, as ilusões, as desilusões, as infinitas experiências vividas como as transformações pessoais de cada ser humano. No campo das artes o tempo é mágico, faz assentar os devaneios e proporciona um confronto de leituras sempre revigorante.

A RetroPerspectiva de Alex Flemming aberta no MAC/ USP do Parque Ibirapuera, permite ao visitante uma visão multifacetada de um artista extremamente dinâmico que utiliza todos os meios de expressão, técnicas e suportes dos mais variados não se limitando a regras puristas da pintura ou da gravura, as técnicas se interpenetram e o resultado plástico sempre surpreende.

A mostra comemora 40 anos de carreira de Alex reunindo 120 obras que definiram percursos e envolveram uma infinidade de reflexões sobre a sedução da arte ao revelar sutilezas comportamentais do homem em instigantes linguagens e meios de expressão.

Deve-se registrar que em 1979, Alex Flemming foi premiado pela APCA na categoria Revelação ao lado de Maria Bonomi que recebeu o Grande Prêmio da Crítica, de Tomie Ohtake na Pintura, de Octavio Roth na Gravura, de Ivald Granato no Desenho, de Mazda Perez na Fotografia e de Regastein Rocha na Arte Gráfica e da Arte Lúdica no MASP como Melhor Mostra do Ano. Foi um momento extremamente marcante na carreira do artista para ser destacado nesse balanço de 4 décadas proposto pela surpreendente RetroPerspectiva, aliás, a APCA está comemorando 60 anos como Alex.

Os temas abordados são essencialmente vinculados ao corpo, a sexualidade, à política, à religião e ao lado afetivo proposto pelos mitos que cercam a atividade humana.

Morando há 20 anos em Berlim, a visão de Alex Flemming é apurada na sutileza da arte, na projeção para o futuro, nos entrechoques de uma sociedade envolta nas transformações existenciais, barreiras a serem transpostas pela ânsia de um encontro com a consciência.

O corpo na sua beleza masculina ou feminina sempre foi uma constante na arte de Flemming, uma sensualidade ritmada pelas formas físicas perfeitas traduzem uma estética atemporal. Obras marcantes como a intervenção visual na Estação Sumaré do Metrô realizada em 1998, com retratos de anônimos estampados em vidro representam um dos pontos altos de sua incursão artística, o impacto das imagens é marcante para os frequentadores do local, tornando-se um ícone daquela região da capital paulistana.

A série Natureza Morta (1978) é comovente enfoca a tortura de presos políticos num período obscuro da história recente, especialmente com a morte do jornalista da TV Cultura Wladimir Herzog (1907-1975) nas dependências do DOI-CODI, tenebroso local de tristes memórias.

Uma das obras que atrai a atenção é um ostensório com um Adonis sem roupa, colocada no lugar da hóstia consagrada, valorizando a beleza humana que tem semelhança com o Criador, uma forma de contestar a institucionalização da religião.

O corpo humano aliás se destaca na simetria perfeita servindo de suporte para mapas territoriais, zonas de guerra, uma sociedade que valoriza o físico mas aniquila o lado espiritual. A sua obsessão pelo corpo pode-se perceber em tantas outras obras compostas por referencias estéticas perfeitas como a Vênus de Botticelli entre outras imagens clássicas fabulosas.

Numa das extremidades da mostra, a instalação formada por computadores pintados com o nome dos donos, colocados no chão como lápides espelham a relação vital existente entre a tecnologia que avança a cada segundo, tornando os aparelhos obsoletos, e o cotidiano caótico dos fluxos inovadores da comunicação em constante transformações.

Desconstruir o corpo e propor novas concepções e deformações revela a dimensão complexa de uma obra a ser observada tanto nos detalhes como no conjunto, descobrindo conexões entre a vida e a morte, entre a magia do presente e o fluxo de um tempo que se engalfinha com a memória e o futuro.

Imagens – Fonte

SERVIÇO:
Retroperspectiva, de Alex Flemming.

Visitação: até 11 de dezembro de 2016
Local: Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP
Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, 1.301, Parque do Ibirapuera, em São Paulo
Horário de funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Entrada grátis.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2648-0254.

José Henrique Fabre Rolim23 Posts

Jornalista, curador, pesquisador, artista plástico e crítico de arte, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisantos (Universidade Católica de Santos), atuou por 15 anos no jornal A Tribuna de Santos na área das visuais, atualmente é presidente da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), colunista do DCI com matérias publicadas em diversos catálogos de arte e publicações como Módulo, Arte Vetrina (Turim-Itália), Arte em São Paulo, Cadernos de Crítica, Nuevas de España, Revista da APCA e Dasartes.

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