As 50 versões do Naïf por José da Silva

Quem é o artista? José Antonio da Silva.

O que  terá na mostra? Pintura.

Onde vai ser? Galeria Almeida e Dale.

É um bom programa? Um programa para grandes apaixonados por naif, caso contrário olhe outras opções aqui na revista.

Quando? De 13 de fevereiro a 26 de março.

José Antonio da Silva – A vida não basta, na galeria Almeida e Dale, traz 50 obras de um dos artistas mais criativos do século XX

“A arte existe porque a vida não basta”
Ferreira Gullar

A galeria Almeida e Dale abre, dia 11 de fevereiro, a exposição José Antonio da Silva – A vida não basta, com curadoria de Denise Mattar. A mostra será aberta ao público de 13 de fevereiro a 26 de março, e apresenta mais de 50 obras do artista, desde o final dos anos 1940 até meados dos anos 1980 – um recorte que mostra a evolução e a diversidade da obra de José Antonio da Silva que produziu, ao longo de sua vida, mais de 5 mil obras.

“Confesso que sou artista puro e verdadeiro. Sou criador e tenho que pintar o mundo, goste ou não goste. Sinto a minha alma mexer dentro de mim.” As palavras sintetizam a luta de José Antonio Silva para se estabelecer como pintor e sua busca estética, que gerou uma obra diversa: dionisíaca, solar, panteísta, fauve, naïf, que o público poderá ver, a partir de 11 de fevereiro, na galeria Almeida e Dale, na mostra José Antonio da Silva – A vida não basta, com curadoria de Denise Mattar.

A  exposição reúne mais de 50 obras que compreendem quatro décadas de produção artística, desde o final dos anos 1940 até meados dos anos 1980, trazendo um recorte que mostra a evolução e a diversidade da obra desse artista que produziu, ao longo de sua vida, mais de 5 mil obras, o que faz dele um dos artistas mais produtivos da história brasileira.

Nascido em Sales de Oliveira, no interior de São Paulo, Silva começa a desenhar, ainda menino, sobre matérias-primas do campo, como folhas, pedaços de sacas de café e areia. De origem pobre, recebe pouca formação escolar e começa a trabalhar muito cedo para ajudar a família que não compreende – via como loucura – a veia artística do garoto.

Casado, aos 21 anos, Silva muda-se com a mulher e os filhos para São José do Rio Preto, onde começa a exercer uma série de atividades, de garçom a coveiro. A luta pela sobrevivência não o impede de desenhar e pintar. Ao contrário, o estimula a criar uma vida além daquela em que vivia.

Sua descoberta como artista acontece em 1946, quando participa do concurso promovido pela Casa de Cultura de São José do Rio Preto, cidade onde vive. Apesar de não vencer o concurso, Silva desperta o interesse dos críticos de arte Lourival Gomes Machado e Paulo Mendes de Almeida, que veem na sua obra a genuína expressão da cultura rural brasileira.

Sem título, 1956
Sem título, 1956

A descoberta permite o início de uma nova vida a Silva. O artista expõe, em 1948, em sua primeira individual, na então recém-inaugurada Galeria Domus, e participa da I Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1951.

O artista passa, então, a conviver com dois mundos: aquele de suas origens – rural, pobre, duro – e o mundo das artes – sofisticado, cosmopolita, diverso, repleto de ideias e estéticas distintas. A experiência marcará sua vida e obra para sempre.

O caráter soturno das paisagens rurais de obras como Caçador e Casebre e Paisagem rural e trabalhadores com enxadas, ambas de 1948, e domésticas – O médico da roça (1948) e Flagrante de adultério (1950) – que, à sua maneira, revelam a dureza de um pai de seis filhos lutando pela sobrevivência, vão se diluindo, ao longo das décadas seguintes, em novas técnicas e uma paleta de cores mais alegre e diversa. Campos plantados com bananeiras (1956) e a série Algodoais, dos anos 1970, ilustram a nova paleta do artista e sua evolução técnica, após entrar em contato com obras de artistas como Van Gogh e Picasso. Nos algodoais pode-se ver o auge de sua evolução técnica, a partir da pintura em pontilhismos.

O Médico da Roça, 1948
O Médico da Roça, 1948

Nos anos 1950 e 1960, já influenciado pelos artistas que passa a ter contato, o artista cria obras de cunho religioso, que revelam forte caráter dramático, e as séries das águas, que se estendem até os anos 1980 e mostram um forte caráter poético. Duas obras revelam claramente essa identidade: Casa com bois na chuva (1953) e Igreja na chuva (1982).

Nos anos 1970, já vivendo sua explosão cromática, o artista cria uma série de obras que retratam o Rio de Janeiro, como Corcovado (1976), Guanabara Rio (1979) e Ponte Rio-Niterói (1992).

“O José Antonio da Silva é um artista de uma capacidade criativa e de imaginação descomunais. A exposição traz um recorte de tudo que ele produziu. São mais de cinco mil obras, que mostram a capacidade de fantasia que ele tinha e essa pulsão criativa. A vida para ele não bastava. Ele precisava de uma vida a mais. E a encontrou na arte”, afirma a curadora Denise Mattar.

José Antonio da Silva – A vida não basta

Vernissage: 11 de fevereiro (sábado), das 11h às 14h

Período de exposição: de 13 de fevereiro a 26 de março

De segunda a sexta das 10h às 18h, sábado das 10h às 13h

Galeria Almeida e Dale

  1. Caconde, 152 – Jardim Paulista, São Paulo – SP

Tel.: 11 3887-7130

De segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados das 10h às 14h

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