Gaudí, um visionário arquiteto e designer

Imagem à esquerda: Maquete do conjunto da Basílica da Sagrada Família. Obra-prima de Gaudí, o templo católico localizado em Barcelona estará retratado em diversas maquetes na exposição do arquiteto catalão no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo

O grande arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926) foi o maior ícone do modernismo catalão, fundamental para a renovação da arquitetura e do design, num momento em que a cidade de Barcelona se transformava pela Revolução Industrial como importante centro cultural e econômico da Catalunha, difundindo novos conceitos urbanos e artísticos.

A mostra “Gaudí: Barcelona 1900” no Instituto Tomie Ohtake reúne 46 maquetes e 25 objetos concebidos pelo arquiteto como cerâmicas, maçanetas de metal que são verdadeiras joias, cerâmicas e fabulosos móveis de madeira ao lado de obras pictóricas e escultóricas de importantes artistas participantes do movimento modernista (1880-1930) como Isidre Nonell, Ramón Casas, Santiago Rusiñol, Modest Urgell i Inglada, Segundo Matilla, Ricardo Canals, Joaquim Sunyer, Mariá Piedelaserra, Joaquim Vayreda e escultores como Josep Llimona i Bruguera, Josep Rynés e Pablo Gargallo, notáveis peças que deslumbram os visitantes, transportando-os para a belle époque.

Logo cedo, aos 17 anos, Gaudí iniciou seus estudos de Arquitetura em Barcelona, sempre com o intuito de inovar, foi considerado um contestador dos cânones oficiais, o seu percurso definiu uma revolução estética ímpactante. Numa efusiva Barcelona surgia um movimento nacionalista que se estruturava num “revival” da Idade Média, visando captar a essência da vida nas culturas primitivas e na natureza. O seu envolvimento com essa postura se deu aproximadamente em 1890, rompendo com o historicismo e o classicismo, criando uma forma de expressão plástica influenciada pela arte árabe e barroca.

Dentre as inúmeras obras do mestre catalão, o Palácio Güell (1866-1888) residência urbana, exemplifica a complexidade do espaço interior com um pátio central numa altura dupla, que se funde a uma cúpula enorme salpicada de estrelas. Janelas e arcos parabólicos da fachada com detalhes em ferro refletem um toque “art nouveau” inigualável.

Em 1884, Gaudí recebeu um importante encargo, continuar as obras do Templo Expiatória da Sagrada Família de Barcelona, projeto do arquiteto del Villar, numa linguagem neogótica. A sua primeira iniciativa foi paralisar a obra, transformando totalmente o projeto, impondo uma planificação alucinante. A imponente construção com suas quatro torres de 107 metros de altura cobertos de cerâmica é uma obra conhecida internacionalmente por seu arrojo estrutural.

Outras obras como a Colonia Güell (1898-1915) um conjunto de fábrica e residências para operários em Santa Colona de Cervelló integra a natureza com a arquitetura, o mesmo acontecendo com as casas Calvet, Batlló e Milà (La Pedrera) assim como o Parque Güell que transmite vitalidade com formas surreais magistrais.

Gaudí era contra a ideia racionalista que para problemas iguais se use soluções iguais, preferindo soluções diversas para o mesmo problema. O seu envolvimento com a geometria do espaço é essencial espelhando sua atração pelas formas naturais, sintetizando a sua força de expressão com vínculos na ciência e na tradição cultural da Catalunha.

Das superfícies curvas no espaço, incursões pelo hiperboloide, elipsoide, paraboloide e helicoide, o genial catalão atingiu uma perfeita sintonia da geometria com a complexidade de suas construções, despertando o interesse de diversos estudiosos. A geometria gaudiana estava além de seu tempo, as soluções encontradas pelo mestre se basearam na perspicácia da observação da natureza, pelo apuro estético e pela magistral capacidade de se envolver integralmente no projeto. Os detalhes dos interiores das construções aliam tradição e vanguardismo, os móveis denotam o mesmo espírito empreendedor, criativo e poético ao atingir a essência da forma. Gaudí morreu em 10 de junho de 1926, três dias após ser atropelado por um bonde, deixando uma obra ímpar, admirada no mundo, símbolo da Catalunha.

SERVIÇO
Exposição Gaudí: Barcelona, 1900
Abertura: 19 de novembro
Visitação: 20 de novembro de 2016 a 05 de fevereiro de 2017
De terça a domingo, das 11h às 20h
Ingressos: R$12,00 e R$6,00 (meia-entrada)
Local: Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros SP
Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela
Fone: (11) 2245-1900

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José Henrique Fabre Rolim23 Posts

Jornalista, curador, pesquisador, artista plástico e crítico de arte, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisantos (Universidade Católica de Santos), atuou por 15 anos no jornal A Tribuna de Santos na área das visuais, atualmente é presidente da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), colunista do DCI com matérias publicadas em diversos catálogos de arte e publicações como Módulo, Arte Vetrina (Turim-Itália), Arte em São Paulo, Cadernos de Crítica, Nuevas de España, Revista da APCA e Dasartes.

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