Queermuseu: Colocar um aviso basta?!

Após protestos, Santander Cultural encerra exposição queer um mês antes

Parte da matéria originalmente publicada no Jornal do Comércio em 10 de setembro de 2017.

Poucos dias antes de completar um mês em cartaz no Santander Cultural (Sete de Setembro, 1.028), no Centro de Porto Alegre, a exposição Queermuseu – Cartografias da diferença na América Latina teve de ser fechada e encerrada no dia 10, após protestos – segundo informações preliminares que vêm circulando nas redes sociais – em que pessoas contrárias ao teor das obras teriam causado tumulto em frente ao museu, ainda neste sábado, em manifestação contra a exposição.

“O objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia”, diz o texto. “Desta vez, no entanto, ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana”, afirma a nota da instituição.

Com curadoria de Gaudêncio Fidelis, a Queermuseu é formada por mais de 270 obras (oriundas de coleções públicas e privadas) que percorrem o período histórico de meados do século XX até os dias de hoje. A iniciativa explora a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura. A exposição foi aberta na metade de agosto, com entrada franca, e seguiria até 8 de outubro. A mostra foi viabilizada pela captação de R$ 800 mil por meio da Lei Rouanet.

Em protesto contra o encerramento da mostra, o Nuances – Grupo Pela Livre Expressão Sexual organiza nesta terça-feira (12) à tarde, em frente ao Santander Cultural, o Ato pela Liberdade de Expressão Artística e Contra a LGBTTFobia, “em defesa da liberdade de expressão artística e das liberdades democráticas”.

Nossa posição sobre este assunto é simples. A arte tem a sua função, seja agradar ou agredir, entretanto, toda pessoa convidada a entrar em contato com algum tipo de tema que possa ser polêmico, precisa ser avisada.

Colocar na entrada da exposição uma placa avisando sobre o conteúdo gráfico de algumas obras já é o suficiente. Até este momento eu não consegui ser informado se havia tal aviso.

Uma exposição com o nome QUEER Museu é auto explicativa, mas para os desavisados, um aviso é uma gentileza que todos nós curadores podemos fazer. Se ele o fez, tudo bem.

O fato é que a exposição que estava fadada a um museu em Porto Alegre, acabou ganhando uma proporção mundial. Bom para todos!

Quem estava presente no Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira

Adriana Varejão, Alair Gomes, Alberto da Veiga Guignard, Alex Cerveny, Alfredo Volpi, Almandrade, Amorim, Ana Flores, Ana Norogrando, André Petry, Angelina Agostini, Antonio Obá, Antônio Augusto Bueno, Antônio Caringi, Armando Queiroz, AVAF, Beatriz Dagnese, Bia Leite, Cândido Portinari, Célio Braga, Christus Nóbrega, Cibele Vieira, Cibelle Cavalli Bastos, Cintia Ribas, Clovis Graciano, Constance Pinheiro, Daniel Lie, Danillo Villa, Deyson Gilbert, Didonet Thomaz, Dudi Maia Rosa, Edgard de Souza, Eduardo Cruz, Efigênia Rolim, Efrain Almeida, Erika Verzutti, Fabio Del Re, Farnese de Andrade, Felipe Scandelari, Fernando Baril, Fernando Bini, Flávio Cerqueira, Flávio de Carvalho, Gilberto Perin, Gilda Vogt, Guttmann Bicho, Hudinilson Jr., João Faria Vianna, José Antônio da Silva, Juliana Burigo, Kika Costa, Leandro Machado, Leonilson, Luiz Fernando Borges da Fonseca, Luiz Henrique Schwanke, Lygia Clark, Marcos Chaves, Maurício Bentes, Maurício Ianês, Mário Röhnelt, Milton Kurtz, Montez Magno, Nelson Boeira Faedrich, Nino Cais, Odires Mlászho, Otto Sulzbach, Paloma Bosquê, Paulo Osir, Pedro Américo, Roberto Cidade, Roberto Winter, Rodolpho Parigi, Rogério Nazari, Romanita Disconzi, Sandra Cinto, Sandro Ka, Sidney Amaral, Silvia Giordani, Suzana Lobo, Telmo Lanes, Téti Waldraff, Thiago Martins de Melo, Tony Camargo, Willian Santos e Yuri Firmeza

Curadoria de Gaudêncio Fidelis
lançamento_ 15/08/2017, terça-feira, 19h (convidados)
exposição_ 16/08/2017 a 08/10/2017 (Não Rolou!)
Com mais de 270 obras de 85 artistas – oriundas de coleções públicas e privadas – que percorrem o período histórico de meados do século 20 até os dias de hoje, Queermuseu é uma iniciativa inédita que explora a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura em períodos diversos. A exposição, que adota um modelo de disposição não cronológica e propõe desfazer hierarquias, mostra que a diversidade surge refletida no modelo artístico observada sob aspectos da variedade e da diferença.

Paulo Varella1219 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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