Um olhar em cada coleção de arte: Andrea e José Olympio Pereira no Instituto Tomie Ohtake

A paixão pela arte não tem limites, especialmente para grandes colecionadores que buscam sempre algo inusitado ou ícones de consagrados e emergentes artistas. Cobrir as diversas fases de grandes artistas ou os momentos exponenciais da história da arte, são algumas das facetas dessa atividade em essência nobre; pelo mundo existe uma infinidade de acervos particulares que rivalizam com importantes entidades museológicas.

No Brasil as coleções de arte em geral se envolvem na realidade criativa dos artistas brasileiros, contribuindo para a preservação da memória cultural do país e em cada uma surge um olhar específico, uma curadoria intuitiva. O acesso ao público destes preciosos acervos deveria ser uma prioridade, a arte no fundo espelha a sociedade, o homem com todas suas imensas fragilidades e grandezas, facilitar a visualização de obras importantes possibilita um aprimoramento cultural essencial para a fruição do ato criativo estimulando a compreensão da arte na sua dimensão lúdica e reflexiva.

A mostra “Os Muitos e o Um” aberta no Instituto Tomie Ohtake permite uma leitura incrível da arte contemporânea brasileira na coleção de Andrea e José Olympo Pereira, uma panorâmica do mais alto nível abrangendo expoentes da arte como Waltercio Caldas, que sintetiza conceitos e transparências formais com requinte, uma poética arrojada e referencial. Em cada sala do privilegiado espaço do ITO as obras se dialogam, algumas impressionam como no caso de Adriana Varejão que conecta tempos diversos em rupturas ancestrais, perscruta na história os confrontos atuais, um percurso que busca no inconsciente coletivo as dimensões paralelas da vivencia humana.

Adriana Varejão - Polvo Portraits VI (China Series) (Foto: Divulgação)
Adriana Varejão – Polvo Portraits VI (China Series) (Foto: Divulgação)

Um lado surrealista surge na mesa de bilhar de José Damasceno, com bolas enormes em confronto com outras obras que fazem do cotidiano a insensatez passageira do absurdo ao sutil jogo de formas na dinâmica dos questionamentos humanos, entre o real e as projeções da mente.

No campo da fotografia, Pierre Verger e Marcel Gautherot dão o tom no realce da paisagem urbana e humana com posturas inerentes a épocas  distantes da atualidade, ao lado de obras de Vik Muniz que sintetizam um fluxo de inovação em seus efeitos enigmáticos em concepções atemporais.

Num outro recanto pode-se admirar as obras de Amilcar de Castro e Alfredo Volpi mestres da abstração no âmago das revoluções intimistas que cada qual concebeu, permitindo olhares apurados, extremamente concisos e reveladores.

Várias outras peças farão o espectador se posicionar como um descobridor de conexões entre técnicas, propostas, suportes, conceitos e resultados plásticos que afloram na consistência de uma coleção de arte ampla que faz uma incursão verdadeiramente singular desde os anos 50 até a atualidade. As 300 obras de artistas marcantes como Willys de Castro, Rosangela Rennó, Miguel Rio Branco, Raymundo Collares, Janaina Tschäpe, Carmela Gross, Beatriz Milhazes, Paulo Bruscky, Albano Afonso, Marepe, Lia Chaia, Mario Cravo Neto, Anna Maria Maiolino, Rivane Neuenschwander e Cao Guimarães entre tantos valores notáveis que compõem a mostra foram selecionadas pelo crítico americano Robert Storr e por Paulo Myada, num universo de mais de 2.500 peças que incluem desenhos, pinturas, esculturas, instalações e vídeos que formam uma das coleções particulares mais expressivas do país.

Serviço
Os Muitos e o Um: Arte Contemporânea Brasileira na Coleção Andrea e José Olympio Pereira
Instituto Tomie Ohtake
Avenida Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo
De 3/9 até 23/10
De terça-feira a domingo, das 11h às 20h
Tel.: (11) 2245 1900

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José Henrique Fabre Rolim21 Posts

Jornalista, curador, pesquisador, artista plástico e crítico de arte, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisantos (Universidade Católica de Santos), atuou por 15 anos no jornal A Tribuna de Santos na área das visuais, atualmente é presidente da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), colunista do DCI com matérias publicadas em diversos catálogos de arte e publicações como Módulo, Arte Vetrina (Turim-Itália), Arte em São Paulo, Cadernos de Crítica, Nuevas de España, Revista da APCA e Dasartes.

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