“POLARES” de Carla Borba

Um jogo pode ter muitos significados. Pode evocar diversão, disputa, espírito esportivo, mas também competitivo, encontro, confronto, superação, submissão, vitória, derrota. Mas e quando o jogo é estabelecido como base de projetos artísticos? Quais regras passam a valer?

Carla Borba utiliza o jogo como metodologia de encontro e potência poética para lidar com questões nada divertidas. Partindo de tensões sociais e tendo o corpo como suporte de seus trabalhos, gera situações de embate que perpassam momentos que podem ser íntimos e, ao mesmo tempo, de amplo espectro social.

POLARES, primeira individual da artista em São Paulo, ocupa o espaço expositivo da AURA com a performance “Partituras de um duelo” e seus vestígios. Na performance, Carla Borba propõe uma série de duelos inspirados no jogo “pedra, papel e tesoura”, que o extrapolam ao expandir os elementos da disputa, sua escala e seus significados ordinários, simbólicos e sensíveis. Algodão e fogo, tijolo e marreta, areia e aspirador de pó, papel e água são alguns dos componentes utilizados nos combates vivenciados por Carla Borba e pela performer convidada, Carina Dias. Força física e características do desgaste dos materiais são utilizados ora a favor, ora contra cada uma das jogadoras – mulheres – que têm na dualidade medo e coragem os disparadores para lidar com as situações-opressões propostas pela artista. Ao final da sequência de lutas, fica a dúvida, há realmente uma vencedora?

Entendida pela artista como uma oportunidade de laboratório, a exposição adquire significado particular neste contexto, uma vez que não haverá obra a ser exposta para além do rastro de destruição deixado pelos duelos. Eventualmente, tais resquícios serão ativados pela artista durante o período de ocupação da galeria, não como obra finalizada, mas pela oportunidade de conviver com a ruína e experimentar o que poderá daí advir. Talvez um novo jogo. Ainda não sabemos. A única regra determinada de antemão pela artista é a de expor-se sem ser um projeto expositivo per se.

O projeto encerra com a performance “Espaço de conflito”, na qual Carla enche balões de forma ininterrupta e convida o público a fazer o mesmo. Ao final da brincadeira, o espaço da galeria fica tomado por balões vermelhos, azuis e amarelos, ou seja, fica tomado por ar vindo do pulmão de todos ali presentes, nos lembrando que arte pode ocupar qualquer lugar, mesmo entre os escombros.

Que comecem os jogos.

SERVIÇO:

Abertura: 14/06/2018, quinta-feira, performance “Partituras de um Duelo” com participação de Carina Dias às 19h

Onde: Galeria Aura Arte Contemporânea – Rua Wisard, 397 – Vila Madalena – São Paulo, SP.

Telefone Galeria: (11) 3034-3825 (Funcionamento, de terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 11h às 17h)

Site Galeria: www.aura.art.br

 

Paulo Varella1446 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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