Exposições no Atelier Subterrânea
Quem são os artistas? Anderson Astor e Dulphe Pinheiro Machado, e os integrantes da banda, Chico Machado (baixo), Guilherme Dable (baixo), Daniel Chiapinotto (guitarra), Túlio Pinto (guitarra), Marcelo Armani (percussão) e Rogério Franck (vídeo).
O que vai ter na exposição? Fotografias e conversa com os artistas
Até quando? 05 de outubro
Dupla Exposição é o título da próxima mostra que será inaugurada no Atelier Subterrânea.
No universo fotográfico, o termo “dupla exposição” é bem conhecido e se refere à uma técnica analógica de sobreposição de imagens. Nesse caso é apenas um trocadilho para definir uma exposição composta por dois artistas. Anderson Astor e Dulphe Pinheiro Machado dividem a galeria, mas não apenas. Dividem também a linguagem fotográfica, onde cada um explora com objetivos diferentes tempo e espaço, sejam eles os temas de cada trabalho ou mesmo o objeto de um questionamento temporário registrado com a câmera. Por isso, os trabalhos possuem a crueza do(s) instante(s) e trazem ao mesmo tempo densidade e fluidez.
DUPLA EXPOSIÇÃO
Em Dupla Exposição, tanto Astor quanto Pinheiro Machado utilizam-se da fotografia para registrar experiências banais e corriqueiras, mas também íntimas e transformadoras. Ambos capturam o que a historiadora e curadora Charlotte Cotton categorizou de Something and Nothing (Algo e Nada). Segundo ela, o olhar do fotógrafo transforma aquilo que comumente desmereceria nossa atenção, justamente por ser excessivamente mundano e descartável, em algo extraordinário, carregado de significado e beleza. Astor e Pinheiro Machado, então, por caminhos distintos e singulares, contemplam objetos e paisagens do cotidiano, inscrevendo no tempo e no espaço fotográfico excertos de suas próprias vivências.
De incessantes noites de insônia, surgiu a presente série de Astor. Numa tentativa de apaziguar horas de angústia e melancolia, o fotógrafo apontou a câmera para o seu próprio ambiente, capturando a quietude de dentro e de fora de seu apartamento, à procura de conforto e silêncio. São fotografias em estado de vigília, denunciadas por seus títulos, que confirmam o dia e a hora em que foram tiradas. Originalmente criadas em suporte digital e endereçadas às redes sociais, as imagens sofrem um processo de institucionalização ao serem transpostas para as paredes da galeria. Entre a véspera e o dia de abertura da exposição, Astor planeja ainda fotografar, imprimir, emoldurar e afixar na parede uma última obra. Com isso, o artista não só desafia a velocidade do processo de criação do seu trabalho, mas também reflete sobre características estruturais que diferem a fotografia analógica da digital.
Enquanto Astor registra cenas privadas, Pinheiro Machado percorre caminhos públicos, entre metrópoles agitadas e panoramas idílicos. O fotógrafo condensa o tempo e o espaço em múltiplas exposições, umas sobre as outras, numa desordem que superficialmente parece indiscriminada. No entanto, Pinheiro Machado reorganiza cada imagem de acordo com o próprio caminho traçado, dando ênfase aos lugares que detiveram seu olhar por mais tempo. O cotidiano a que Cotton se refere, então, é presente no conteúdo, porém ausente na forma de suas paisagens. Flutuando entre a abstração e a figuração, Pinheiro Machado constrói elaboradas sobreposições, conferindo movimento ao que fotograficamente se renderia estático. Metaforicamente, o caos sugerido pela aglutinação formal do trabalho de Pinheiro Machado é a maneira do artista lidar com o excesso de informação inerente às sociedades contemporâneas.
(Texto por Francine Kath)
Francine Kath nasceu em Porto Alegre e atualmente vive em Nova York, onde cursa o segundo ano do mestrado em História da Arte na City College of New York. É curadora assistente e coordenadora de projetos da plataforma Fortress to Solitude, edita o blog NYartRider e escreve sobre arte para revistas online de Porto Alegre e Nova York.
Sobre os artistas:
Anderson Astor, Porto Alegre, 1975
Trabalha profissionalmente com fotografia desde 2004. Estudou fotografia na ESPM e atualmente cursa Artes Visuais na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Dulphe Pinheiro Machado, Porto Alegre, 1981.
Formado em Jornalismo, vive atualmente em Nova York onde tem trabalhos expostos na galeria virtual Fortress to Solitude e peças à venda na (Art) Amalgamated.
Abertura: sexta, 10 de agosto de 2012, 19h
Conversa com os artistas: sábado, 18 de agosto, 16h
The Experimental Video Audio Machine
Um encontro, uma celebração, um espaço a ser preenchido com som, imagem e presença.
The Experimental Video Audio Machine propõe uma experiência plurisensorial de improvisação com dois contrabaixos, duas guitarras, uma bateria, uma câmera e a projeção de video-colagens e de vídeos capturados e manipulados em real time, transitando entre as artes visuais, a música e a pura sonoridade.
Abertura: sexta, 10 de agosto de 2012, 19h
Gostou? Compartilhe!
Atelier Subterrânea - Porto Alegre (Rio Grande do Sul)
Av. Independência, 745/subsolo
www.subterranea.art.br
Horário: terça a sexta, das 14h às 18h
Preço: Gratuito






Enviando...


