Luiz Braga e Mariana Maurício na Leme
Luiz Braga | Nightvisions
O artista paraense Luiz Braga apresenta sua segunda individual na Galeria Leme, desta vez explorando novas possibilidades formais com o ensaio Nightvisions.
Em desenvolvimento desde 2006, a série nasceu de uma experiência inédita para o artista, até então fiel seguidor da fotografia analógica e reconhecido como exímio colorista. Com uma câmera digital adquirida em 2004, descobriu um recurso simples, criado para seduzir os amadores, que permite fotografar quase no escuro total, através do infra-vermelho. Iniciando com cenas noturnas aprofundou sua pesquisa e decidiu transpor a técnica para a luz do dia.
Inspirado ainda pela aplicação militar do recurso , que apareceu para a mídia na guerra do Golfo de 1991, Braga acrescentou em seu equipamento diversos filtros, que maximizaram o efeito, subvertendo o real. Através dessa técnica, paisagens e indivíduos perdem suas cores naturais para serem preenchidos por uma luz densa e ao mesmo tempo reluzente, que parece emanar dos pontos claros projetados a partir de elementos que compõem a cena como o céu, as nuvens, a copa das árvores. Monocromática, a série se opõe à saturação comum às fotografias digitais produzidas na contemporaneidade e se aproxima da gravura em água-forte.
Pela primeira vez expostas em conjunto, as obras propõem uma nova possibilidade de percepção estética do autor sobre sua terra e suas viagens, refletindo uma saudável inquietação em buscar alternativas formais para sua obra, além de celebrar o encontro com uma natureza que sempre esteve à sua volta, a espera do momento de florescer.
Mais uma vez Luiz Braga se distancia do senso comum e da idealização estética dos locais nos quais fotografa, a maior parte deles na Amazônia, aprofundando a intimidade amadurecida durante anos, rios e igarapés povoados por gente modesta e plena de dignidade.
Sobre o artista:
Luiz Braga (Belem do Pará, 1956, vive e trabalha em Belém do Pará).
Representante brasileiro na 53a Bienal de Veneza (2009), é ganhador dos prêmios Leopold Godowsky Jr Color Photography Awards da Universidade de Boston (EUA), Prêmio Porto Seguro Brasil e Marcantônio Vilaça, Luiz Braga tem obras no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Fundación ARCO, BESart – Coleção Banco Espírito Santo, Miami Art Museu, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Photographic Resource Center at Boston University (EUA).
Mariana Maurício
A Galeria Leme tem o prazer de apresentar a primeira individual da artista carioca Mariana Maurício no Brasil. A artista trabalha com a re-significação de memórias imagéticas através da interferência sobre fotografias coletadas.
Mariana se utiliza de fotografias encontradas de formas diversas, desde seu acervo pessoal a álbuns antigos, sem manter o foco na coleta, e sim nas possibilidades de interação afetiva que estas lhe apresentam e de que forma lhe provocam este anseio de agir sobre uma memória que nem mesmo lhe pertence.
Em seus primeiros trabalhos, a artista presava ainda as fotos originais, sendo o trabalho final a impressão ampliada da mesma após a intervenção. O processo de interferência, digitalização, e impressão era repetido diversas vezes, como se a obra fosse feita de camadas, até que a imagem fosse completamente usurpada de sua função primária, tornando-se impenetrável ao ter o seu sentido original irremediavelmente perdido.
Nesta exposição, Mariana dá um tom distinto ao seu processo de ressignificação, uma vez que as obras possuem a fotografia original sobre qual a artista interfere. Não por se tratarem de um objeto nostálgico ou possuírem algum tipo de aura, mas porque são esvaziadas de sua função de registro e memória afetiva e igualadas à sua cópia digital e impressão sobre outro suporte.
A artista faz uso do registro de famílias alheias e desconhecidas e utiliza estas fotografias tão somente como um suporte para seu trabalho, como um pintor a tela, um arquiteto o papel. A preocupação destas pessoas em registrar e legitimar cada momento é destruída por Mariana ao ponto de serem completamente desfiguradas e re-preenchidas com sua própria afetividade. Maurício criou em seu ateliê um espaço caótico de memórias roubadas, que passam a pertencê-la por suas marcas, marcas de seu território.
O trabalho “Nosso Filho” mostra o quanto a artista esvazia a função do objeto sobre o qual interfere, posto que um álbum de fotografia, que fora outrora folheado por mães, pais, tios e avós, agora faz parte de um bloco de concreto, não pode ser manuseado e suas imagens não podem ser vistas.É um objeto de aura encarcerada.
Este conjunto de obras transcende a encenação do registro imagético e rompe qualquer camada afetiva que este registro possa possuir.
Sobre a artista:
Mariana Mauricio nasceu em 1983 no Rio de Janeiro. Vive e trabalha em Londres. Recebeu seu diploma em Belas Artes pela Saint Martins College of Art and Design em 2007. Seu trabalho já foi exposto em uma coletiva na Saatchi Gallery e integra a coleção londrina Frank-Suss. Em março desse ano realizou sua primeira exposição individual, no Project Room da galeria Mummery + Schnelle, também em Londres.
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Galeria Leme - São Paulo (São Paulo)
Av. Waldemar Ferreira, 130
+5511 3814-8184
www.galerialeme.com
Horário: Seg - Sex: das 10h às 19h / Sáb: das 10h às 17h
Preço: gratuito





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