3 artistas brasileiros da arte concreta que você precisa conhecer

O concretismo foi o movimento conhecido pelos artistas que construíam uma nova estrutura de cor e espaço, no contexto da construção do mundo pós Segunda Guerra Mundial, havendo assim a ligação entre arte e indústria. No Brasil, a arte concreta se tornou símbolo de progresso e desenvolvimento durante o governo de Juscelino Kubitschek, e seu ápice foi a construção de Brasília nos moldes construtivistas.

A estética predominante é abstratogeométrica, e nega-se à correntes artísticas subjetivas, líricas, e religiosas, partindo de ideais da Bauhaus, em que a racionalidade deve estar presente na sociedade e na arte democratizada pela industria. Os princípios do construtivismo são: bi dimensionalidade, atonalismo (cores puras e secundárias) e movimento linear.

Veja 3 dos mais importantes artistas brasileiros do concretismo.

 

Hércules Barsotti, 1914 – 2010, São Paulo

“Quando encosto uma cor na outra é que percebo a relação entre elas; nesse momento, é meu olho e não minha cabeça que decide.” (Hércules Barsotti)

As composições de Barsotti fascinam primeiramente pela experiência optica que as cores sugerem, e depois nos convidam à reflexão. O artista explora a cor e o dinamismo que cada uma oferece, criando uma ilusão de tridimensionalidade a partir de formas geométricas como losangos, pentágonos e circunferências. A convite de Ferreira Gullar, passou a fazer parte do Grupo Neoconcreto no Rio de Janeiro, e em 2004 o Museu de Arte Moderna de São Paulo organizou uma retrospectiva de suas obras celebrando seu 90º aniversário.

 

Afinidade Gradual I - 1970
Afinidade Gradual I – 1970
Hércules Barsotti
Hércules Barsotti

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lygia Clark, 1920 – 1988, Minas Gerais

Pseudônimo para Lygia Pimentel Lins, Lygia Clark ao estabelecer que “a arte é o seu ato”, fundou a arte participativa, interativa e compartilhada, trocando as pinturas pela experiência com objetos tridimensionais. Em seus trabalhos inovadores, encoraja o espectador a participar da obra a partir de experiências sensoriais, mudando a configuração e resultando em uma obra compartilhada. Dedica-se à arte terapêutica, pois ao participar das obras, é possível abrir caminho para o inconsciente e atingir ao primitivo interior, o self, resultando em um auto conhecimento revelador, logo, libertador.

 

Bichos, 1965
Bichos, 1965
Lygia Clark: “Pensamento mudo” - 1971
Lygia Clark: “Pensamento mudo” – 1971

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hélio Oiticica, 1937 – 1980, Rio de Janeiro

As obras de Hélio Oiticica, artista performático, pintor e escultor, vão desde elaborações teórica-artisticas com a presença de textos, comentários e poemas, até experimentos que requerem a participação do público, assim como fazia Lygia Clark. Faz do observador parte integrante de sua obra, adquirindo uma nova dimensão e criando o conceito de “suprassensorial, que propõe experiências com a capacidade sensorial do espectador e dilatando-a, assim como drogas alucinógenas. De acordo com Oiticica, o suprassensorial levaria o indivíduo “à descoberta do seu centro criativo interior, da sua espontaneidade expressiva adormecida, condicionada ao cotidiano”.

 

Tropicália
Tropicália
Hélio Oiticica

 

 

 

 

 

 

 

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