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	<title>arte ref &#187; Movimentos</title>
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		<title>arte ref &#187; Movimentos</title>
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		<title>Barroco (XVI-XVIII)</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2013 16:07:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talissa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Artista: Peter Paul Rubens, pintura à óleo (1630), 45&#215;66 cm   O movimento Barroco foi um período estilístico e filosófico da História da sociedade ocidental, ocorrido desde meados do século XVI até ao século XVIII. Foi inspirado no fervor religioso e na passionalidade da Contra-reforma. Didaticamente falando, o Período barroco, vai de 1580 a 1756. O [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><b>Artista:</b> Peter Paul Rubens, pintura à óleo (1630), 45&#215;66 cm</p>
<p><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;">O movimento Barroco foi um período estilístico e filosófico da História da sociedade ocidental, ocorrido desde meados do século XVI até ao século XVIII. Foi inspirado no fervor religioso e na passionalidade da Contra-reforma. Didaticamente falando, o Período barroco, vai de 1580 a 1756.</p>
<p style="text-align: justify;">O termo &#8220;barroco&#8221; vem da palavra portuguesa homônima que significa &#8220;pérola imperfeita&#8221;, ou por extensão jóia falsa. A palavra foi rapidamente introduzida nas línguas francesa e italiana.</p>
<p style="text-align: justify;">O ano de 1580 é significativo, marcado pela morte de Camões , e pelo fim da autonomia política de Portugal, com o desaparecimento do rei , na África, sendo que o sucessor foi Filipe II de Espanha, que anexou o reino português aos seus domínios, na chamada União Ibérica.</p>
<p style="text-align: justify;">O capitólio político passou a ser Madrid, tendo Portugal perdido, além do seu foco político, a importância do foco cultural. No século que se seguiu (século XVII), a influência predominante passou a ser a espanhola que se tornou marcante na cultura portuguesa e durante este mesmo período, brotam aos olhos da Espanha uma riquíssima geração de escritores, como Gôngora, Quevedo, Miguel de Cervantes, Félix Lope de Vega e Calderón de la Barca além de muitos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1640, Portugal inicia a empreitada na reconquista da posição no cenário europeu, libertando-se do domínio espanhol, após D. João IV, da dinastia de Bragança, subir ao trono. Até 1668, muitas lutas ocorreram, contra a Espanha, na defesa da independência e contra os holandeses, em busca de recuperar as colônias da África Ocidental e parte do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Este foi um período de intensa agitação social, com esforços permanentes em busca do restabelecimento da vida econômica, política e cultural. Publicaram-se várias obras panfletárias clandestinas, que denotavam posição contrária a corrupção do Estado e a exploração do povo. A mais famosa e significativa é a Arte de Furtar, cuja autoria está atribuída desde 1941 ao Padre Manuel da Costa e é hoje praticamente incontestada (vide a indispensável edição crítica da obra por Roger Bismut, Imprensa Nacional, 1991).</p>
<p style="text-align: justify;">Marquês de Pombal, ministro do rei Dom José, subiu ao poder em 1750, com propostas renovadoras, que inauguraram uma nova fase na história cultural portuguesa. Em 1756, a Arcádia Lusitana demarcou o início de novas concepções literárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Já aqui no Brasil, o período foi marcado por novas diretrizes na política de colonização, e estabeleceram-se engenhos de cana-de-açúcar na Bahia. Salvador, era a capital do Brasil, transformou-se em um núcleo populacional importante, e como consequência, um centro cultural que, mesmo timidamente, fez surgir grandes figuras, como Gregório de Matos. O Barroco Brasileiro teve início em 1601, tendo como obra significativa, Prosopopéia, de Bento Teixeira, terminando com as obras de Cláudio Manuel da Costa, em 1768, uma introdução ao Neoclassicismo.</p>
<p style="text-align: justify;">O barroco foi desenvolvido no século XVII. Nesse período, o terror provocado pela inquisição tentava limitar pensamentos, manifestações culturais e impor a austeridade.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora tenha o Barroco assumido diversas características ao longo da história, o surgimento está intimamente ligado à Contra-Reforma. A arte barroca procura comover intensamente o espectador. Nesse sentido, a Igreja converte-se numa espécie de espaço cênico, num teatro sacrum onde são encenados os dramas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Barroco é o estilo da Reforma católica também denominada de Contra-Reforma. Arquitetura, escultura, pintura, todas as belas artes, serviam de expressão ao Barroco nos territórios onde ele floresceu: a Espanha, a França, a Itália, Portugal, os países católicos do centro da Europa e a América Latina.</p>
<p style="text-align: justify;">O catolicismo barroco também impregnou a literatura, e uma das suas manifestações mais importantes e impressionantes foram os &#8220;autos sacramentais&#8221;, peças teatrais de argumento teológico, reflexo do espírito espanhol do século XVII, e que eram muito apreciados pelo grande público, o que denota o elevado grau de instrução religiosa do povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Contrariamente à arte do Renascimento, que pregava o predomínio da razão sobre os sentimentos, no Barroco há uma exaltação dos sentimentos, a religiosidade é expressa de forma dramática, intensa, procurando envolver emocionalmente as pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Além da temática religiosa, os temas mitológicos e a pintura que exaltava o direito divino dos reis (teoria defendida pela Igreja e pelo Estado Nacional Absolutista que se consolidava) também eram freqüentes.</p>
<p style="text-align: justify;">De certa maneira, assistimos a uma retomada do espírito religioso e místico da Idade Média, num ressurgimento da visão teocêntrica do mundo. E não é por acaso que a arte barroca nasce em Roma, a capital do catolicismo</p>
<p style="text-align: justify;">A escola literária barroca é marcada pela presença constante da dualidade. Antropocentrismo versus teocentrismo, céu versus inferno, religião versus ciência, entre outras constantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, não há como colocar o Barroco simplesmente como uma retomada do fervor cristão. A grande diferença do período medieval é que agora o ser humano, depois do Renascimento, tem consciência de si e vê que também tem valor &#8211; com exemplos em estudos de anatomia e avanços científicos o ser humano deixa de colocar tudo nas mãos de Deus.</p>
<p style="text-align: justify;">O Barroco caracteriza-se, portanto, num período de dualidades; num eterno jogo de poderes entre divino e humano, no qual não há mais certezas. A dúvida é que rege a arte deste período. E nas emoções o artista vê uma ponte entre os dois mundos, assim, tenta desvendá-las nas representações.</p>
<p style="text-align: justify;">A arte barroca nasceu na Itália, no século XVII, e acabou se espalhado pela Europa e colônias americanas. Era uma arte de formas opulentas e rebuscadas, que encontrou na Igreja Católica um espaço importante de manifestação, numa época em que se via ameaçada pelas igrejas protestantes.</p>
<p style="text-align: justify;">O Barroco brasileiro caracterizou-se pela grande riqueza de detalhes nos ornamentos dos interiores da igreja e nas fachadas das edificações. Embora seja um movimento artístico de origem européia, no Brasil adquiriu características diferentes principalmente no uso de cores mais fortes</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://arteref.com/wp-content/uploads/2013/02/dogs-fighting.jpgLarge.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-10937" alt="dogs-fighting.jpg!Large" src="http://arteref.com/wp-content/uploads/2013/02/dogs-fighting.jpgLarge.jpg" width="750" height="531" /></a><strong>Artista:</strong> Frans Snyder</p>
<p>Fontes: Itaú Cultural e Wikipedia</p>
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		<title>Surrealismo (1924-1950) &#8211; Arte Moderna</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2012 13:56:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talissa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O estilo surrealista utiliza as imagens e cenas do subconsciente com a intenção de tornar o trabalho irracional e sem compreensão lógica. Fundado por Andre Breton em 1924, o movimento foi o primeiro da Europa que atraiu mais membros do Dadaísmo. O Surrealismo é similar com o movimento Simbolista, porque ambos usavam alguns elementos místicos [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O estilo surrealista utiliza as imagens e cenas do subconsciente com a intenção de tornar o trabalho irracional e sem compreensão lógica. Fundado por Andre Breton em 1924, o movimento foi o primeiro da Europa que atraiu mais membros do Dadaísmo. O Surrealismo é similar com o movimento Simbolista, porque ambos usavam alguns elementos místicos do século XIX, mas são profundamente distintos pelas psicanálises de Freud e Jung.</p>
<p style="text-align: justify;">O grupo Surrealista foi feito por grandes artistas do século XX, incluindo Max Ernst, Giorgio de Chirico, Jean Arp, Man Ray, Joan Miro, Rene Magritte e Salvador Dali.</p>
<p style="text-align: justify;">O termo surrealismo, cunhado por André Breton com base na idéia de &#8220;estado de fantasia supernaturalista&#8221; de Guillaume Apollinaire, traz um sentido de afastamento da realidade comum que o movimento surrealista celebra desde o primeiro manifesto, de 1924. Nos termos de Breton, autor do manifesto, trata-se de &#8220;resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade, pela criação de uma realidade absoluta, uma supra-realidade&#8221;. A importância do mundo onírico, do irracional e do inconsciente, anunciada no texto, se relaciona diretamente ao uso livre que os artistas fazem da obra de Sigmund Freud e da psicanálise, permitindo-lhes explorar nas artes o imaginário e os impulsos ocultos da mente. O caráter anti-racionalista do surrealismo coloca-o em posição diametralmente oposta das tendências construtivas e formalistas na arte que florescem na Europa após a Primeira Guerra Mundial, 1914-1918, e das tendências ligadas ao chamado retorno à ordem. Como vertente crítica de origem francesa, o surrealismo aparece como alternativa ao cubismo, alimentado pela retomada das matrizes românticas francesa e alemã, do simbolismo, da pintura metafísica italiana &#8211; Giorgio de Chirico, principalmente &#8211; e do caráter irreverente e dessacralizador do dadaísmo, do qual vem parte dos surrealistas. Como o movimento dada, o surrealismo apresenta-se como crítica cultural mais ampla, que interpela não somente as artes, mas modelos culturais passados e presentes. Na contestação radical de valores que empreende, faz uso de variados canais de expressão &#8211; revistas, manifestos, exposições e outros -, mobiliza diferentes modalidades artísticas como escultura, literatura, pintura, fotografia, artes gráficas e cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">A crítica à racionalidade burguesa em favor do maravilhoso, do fantástico e dos sonhos reúne artistas de feições muito variadas. Na literatura, além de Breton, Louis Aragon, Philippe Soupault, Georges Bataille, Michel Leiris, Max Jacob entre outros. Nas artes plásticas, René Magritte, André Masson, Joán Miró, Max Ernst, Salvador Dalí, e outros. Na fotografia, Man Ray, Dora Maar, Brasaï. No cinema, Luis Buñuel. Certos temas e imagens são obsessivamente tratados por eles, com soluções distintas, como, por exemplo, o sexo e o erotismo; o corpo, suas mutilações e metamorfoses; o manequim e a boneca; a violência, a dor e a loucura; as civilizações primitivas; e o mundo da máquina. Esse amplo repertório de temas e imagens encontra-se traduzido nas obras por procedimentos e métodos pensados como capazes de driblar os controles conscientes do artista, portanto, responsáveis pela liberação de imagens e impulsos primitivos. A escrita e a pintura automáticas, fartamente utilizadas, são formas de transcrição imediata do inconsciente, pela expressão do &#8220;funcionamento real do pensamento&#8221; &#8211; como, os desenhos produzidos coletivamente entre 1926 e 1927 por Man Ray, Yves Tanguy, Miró e Max Morise, com o título O Cadáver Requintado. A frottage (fricção) desenvolvida por Ernst faz parte das técnicas automáticas de produção. Trata-se de esfregar lápis ou crayon sobre uma superfície áspera ou texturizada para &#8220;provocar&#8221; imagens, resultados aleatórios do processo, como a série de desenhos História Natural, realizada entre 1924 e 1927.</p>
<p style="text-align: justify;">As colagens e assemblages constituem mais uma expressão caraterística da lógica de produção surrealista, ancorada na idéia de acaso e de escolha aleatória, princípio central de criação para os dadaístas. A célebre frase de Lautréamont é tomada como inspiração forte: &#8216;&#8221;Belo como o encontro casual entre uma máquina de costura e um guarda-chuva numa mesa de dissecção&#8221;. A sugestão do escritor se faz notar na justaposição de objetos desconexos e nas associações à primeira vista impossíveis, que particularizam as colagens e objetos surrealistas. O que dizer de um ferro de passar cheio de pregos, de uma xícara de chá coberta de peles ou de uma bola suspensa por corda de violino? Dalí radicaliza a idéia de libertação dos instintos e impulsos contra qualquer controle racional pela defesa do método da &#8220;paranóia crítica&#8221;, forma de tornar o delírio um mecanismo produtivo, criador. A crítica cultural empreendida pelos surrealistas, baseada nas articulações arte/inconsciente e arte/política, deixa entrever sua ambição revolucionária e subversiva, amparada na psicanálise &#8211; contra a repressão dos instintos &#8211; e na idéia de revolução oriunda do marxismo (contra a dominação burguesa). As relações controversas do grupo com a política aparecem na adesão de alguns ao trotskismo (Breton, por exemplo) e nas posições reacionárias de outros, como Dalí.</p>
<p style="text-align: justify;">A difusão do surrealismo pela Europa e Estados Unidos faz-se rapidamente. É possível rastreá-lo em esculturas de artistas díspares como Alberto Giacometti, Alexander Calder, Hans Arp e Henry Spencer Moore. Na Bélgica, Romênia e Alemanha ecos surrealistas vibram em obras de Paul Delvaux, Victor Brauner e Hans Bellmer, respectivamente. Na América do Sul e no Caribe, o chileno Roberto Matta e o cubano Wifredo Lam devem ser lembrados como afinados com o movimento. Nos Estados Unidos, o surrealismo é fonte de inspiração para o expressionismo abstrato e a arte pop. No Brasil especificamente o surrealismo reverbera em obras variadas como as de Ismael Nery e Cicero Dias, assim como nas fotomontagens de Jorge de Lima. Nos dias atuais artistas continuam a tirar proveito das lições surrealistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os Realistas Mágicos foram artistas americanos influenciados pelos Surrealistas.</p>
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		<title>Pintura de Gênero Holandesa (séc. XVII) &#8211; Barroco</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2012 17:57:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talissa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A pintura de gênero desenvolveu-se em meio o florescimento do Barroco na Europa Católica (século XVII) nos Países Baixos, sobretudo nos Países Baixos do Norte (a porção que hoje corresponde à Holanda). Trata-se de um estilo sóbrio, realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, temas da vida diária, como homens dedicados ao seu ofício, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A pintura de gênero desenvolveu-se em meio o florescimento do Barroco na Europa Católica (século XVII) nos Países Baixos, sobretudo nos Países Baixos do Norte (a porção que hoje corresponde à Holanda). Trata-se de um estilo sóbrio, realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, temas da vida diária, como homens dedicados ao seu ofício, mulheres cuidando dos afazeres domésticos, ou até mesmo paisagens. Nasce então a pintura de genre (ou petit genre) como uma resposta nacionalista, glorificadora da cultura neerlandesa, ao processo de libertação dos Países Baixos da dominação espanhola.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>História</strong><br />
As dezessete Províncias dos Países Baixos pertenciam, até a metade do século XVI, ao império espanhol, sob reinado do Rei de Espanha e Imperador Sagrado de Roma, Carlos V. Em 1556, ele abdica a favor de seu filho Filipe II, que estava mais interessado no lado espanhol do Império.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o século XV, os Países Baixos tornaram-se uma região próspera e empreendedora do Império dos Habsburgos 2. Carlos V e Filipe II começaram a cobrar taxas aos neerlandeses, quando precisavam arrecadar fundos para sustentar as investidas militares, levando a uma difundida visão (por parte dos neerlandeses) da Espanha como um explorador no poder. Antes da batalha de Lepanto (1571), os Habsburgs taxaram os neerlandeses para financiar a guerra contra os Turcos. Após Lepanto, Filipe II usou os neerlandeses para financiar novas guerras no Atlântico. Os inimigos da coroa espanhola eram, muitas vezes, parceiros comerciais dos neerlandeses. Os comerciantes neerlandeses viam-se então ameaçados pelas ações de Filipe II.</p>
<p style="text-align: justify;">O Império dos Habsburgs impunha ao povo um catolicismo que possuía cunho político, o que fazia crescer a aversão dos neerlandeses a Filipe II. Os movimentos calvinistas enfatizavam virtudes como a modéstia, a clareza, a limpeza, a frugalidade e o trabalho duro, satisfazendo assim as espectativas dos holandeses que buscavam os seus direitos, liberdade e tolerância religiosa.</p>
<p style="text-align: justify;">As idéias protestantes e calvinistas que circundavam representavam uma ameaça ao Império Espanhol, e cada vez mais os Países Baixos se tornavam predominantemente calvinistas. No dia da Assunção da Virgem, em 1566, um pequeno incidente do lado de fora da catedral de Antuérpia deu início a um motim massivo de calvinistas, que invadiram as igrejas para destruir estátuas e imagens de santos católicos, que eles julgavam como heresias. A desordem continuou e, como reação, Filipe II enviou Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, duque de Alba (mais conhecido entre os protestantes neerlandeses como duque de ferro), para reprimir a rebelião.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1568, Guilherme I de Orange, conhecido como Guilherme o taciturno, stadtholder das províncias da Holanda, Zelândia e Utrecht, tentou retirar o impopular Alva das ruas de Bruxelas. No dia 23 de Maio de 1568 tem-se início a batalha de Heiligerlee, a que é atribuída o início da Revolta neerlandesa contra os espanhóis, mais conhecida como a Guerra dos 80 Anos.</p>
<p style="text-align: justify;">As províncias reformistas do norte declaram-se independentes, em 1579, e formam a União de Utrecht, que é tida como o início da Holanda moderna. Mas, apenas em 1648, a Espanha finalmente reconhece a independência dos neerlandeses. A liberdade política atingida acaba incitando outras áreas, através da abertura a novas idéias culturais e científicas.</p>
<p style="text-align: justify;">O período do século XVII é conhecido como Era de Ouro da Holanda, no qual a Holanda era aclamada mundialmente na área do comércio, da ciência e das artes. Durante grande parte do século XVII, os neerlandeses, tradicionalmente bons marinheiros e fazedores de mapas hábeis e meticulosos, dominaram o mercado mundial, uma posição que, até então, era ocupada pelos portugueses e espanhóis, e mais tarde seria perdida para os ingleses, após uma longa competição que culminaria em diversas guerras (em sua maioria navais). Em 1602, foi fundada a Companhia das Índias Orientais Holandesa (Verenigde Oostindische Compagnie), que manteria o monopólio no comércio com a Ásia por dois séculos e iria se tornar a maior companhia comercial do mundo, no século XVII. Em 1609, foi fundado o banco de Amsterdam, um século antes da contra-parte inglesa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Pintura Neerlandesa</strong><br />
O século XVII foi o grande século da pintura neerlandesa. Dentre os diversos artistas do período os que mais se destacaram foram: Rembrandt, Willem Kalf, Adriaen van Ostade, Gerard Terborch, Albert Cuyp, Jakob van Ruisdael, Jan Steen, Pieter de Hooch, Vermeer, Willem van de Velde e Meindert Hobbema. Apesar da qualidade e abundância da arte produzida neste século, houve um grande declínio com a entrada do século XVIII e se estendeu até o século XIX, sendo revertida com a chegada do gênio impressionista, Vincent van Gogh, no final do século XIX, e as pinturas abstratas de Piet Mondrian no século XX.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://arteref.com/wp-content/uploads/2012/06/Pieter_de_Hooch_-_Woman_Reading_a_Letter.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3111" title="Pieter_de_Hooch_-_Woman_Reading_a_Letter" src="http://arteref.com/wp-content/uploads/2012/06/Pieter_de_Hooch_-_Woman_Reading_a_Letter.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">*imagem: Pieter de Hooch &#8211; &#8220;Woman reading a letter&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Antes do surgimento da Holanda como uma nação, existia pouca distinção entra a arte dos Países Baixos do Norte e o Sul (arte flamenga). Durante a Idade Média a arte neerlandesa foi dominada pela influência de seus vizinhos mais fortes, Alemanha e França. Os artistas do século XV eram patronados e recebiam o suporte dos duques da Borgonha, cuja corte residia em Dijon. A arte era então voltada a motivos religiosos, sendo que vários dos artistas produziam peças para altares e outras pinturas religiosas no estilo realista.</p>
<p style="text-align: justify;">A Renassença italiana começou a influenciar os Países Baixos do Norte no início do século XVI e se torna evidente nos trabalhos de Jan Mostaert (1475 &#8211; 1555/56) e Cornelis Engelbrechtsen (1468 &#8211; 1533). Jan van Scorel (1495 &#8211; 1562) foi o primeiro artista a viajar constantemente à Itália e assimilou com sucesso alguns elementos italianos ao seu estilo. Dentre os seus pupilos encontra-se Maerten van Heemskerck (1498 &#8211; 1574), um dos maiores representantes do Maneirismo, que tornou-se o estilo predominante na Holanda do século XVI. O Maneirismo copia o estilo das pinturas italianas, enquanto tenta deliberadamente quebrar com as regras clássicas. Buscava atingir a discordância em oposição à harmonia, e tentava criar novos efeitos nas pinturas. Haarlem e Utrecht tornaram-se os maiores centros de pintura maneirista, nos Países Baixos do Norte.</p>
<p style="text-align: justify;">A luta pela independência e a exaltação nacionalista contribuirão fortemente para construir a natureza da arte neerlandesa, no século XVII. Os temas religiosos, históricos ou mitológicos não tinham mais apelo algum para os protestantes neerlandeses. Buscavam agora temas que exprimissem o orgulho pela nação. Esta auto-congratulação expressou-se através das paisagens, vistas das cidades, pinturas navais (a Holanda torna-se a potência naval do século XVII), e pinturas que glorificam a sua cultura burguesa, tais como retratos, pinturas de gênero e naturezas mortas. A Holanda não sofria influências estrangeiras, o que significa, que a arte que se desenvolveu foi original tanto nos temas quanto no estilo. A arte deixou de ser exclusividade dos mecenas, nobres ou religiosos, e passou a ser artigo da classe média em expansão. As pinturas eram raramente comissionadas, em sua grande parte eram vendidas assim como qualquer outra mercadoria.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Características</strong><br />
As pinturas de gênero neerlandesas, do século XVII, caracterizam-se pela riqueza em detalhes, precisão e apuro técnico, numa tentativa de representar tudo aquilo que o olho humano é capaz de captar, de tal forma a dar à imagem um apecto semelhante à vida. Em meio a estas mudanças do ponto de vista trazidas pelo processo de independência, surge a idéia de Kepler de definição da pintura, tomando por base a definição do olho, como formativa da imagem retiniana não-linear. Define o olho humano como um produtor mecânico de pinturas, desta forma, atrela o processo de pintar ao processo de ver, cria-se uma dialética entre a natureza e a arte, o que caracteriza a pintura do norte holandês.</p>
<p style="text-align: justify;">Fora das esferas de influência dos grandes centros, desenvolve-se na Holanda uma pintura que se distancia da exuberância barroca, dos temas nobres e dos padrões de estética que orientam a arte desenvolvida na Itália, por exemplo. A busca pela representação do ambiente em que vive o povo holandês é constante. Os artistas se preocupam em representar, com o máximo de realismo, a perspectiva, as cores vivas dos objetos e a iluminação (ou falta da mesmo) nos ambientes. Para tanto, o artista faz uso de seu apuro técnico e, algumas vezes, de ferramentas, como a câmera obscura, que foi utilizada exaustivamente por Vermeer.</p>
<p style="text-align: justify;">Surge nessa época o questionamento: estava sendo produzido arte, ou uma mera representação da realidade? O mesmo problema suscitado pela fotografia, que não se trata de um conflito entre arte e natureza, mas entre os diferentes modos de produção pictórica. Como o ver, o conhecer e o pintar se interagem levando à formação de pinturas mentais ou visuais? E.H. Gombrich tentou fundamentar a representação pictórica ocidental na natureza da percepção humana.</p>
<p style="text-align: justify;">*imagem: Johannes Vermeer &#8211; &#8220;The Girl With The Pearl Earring&#8221;</p>
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		<title>Toy Art (1998/-) &#8211; Arte Contemporânea</title>
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		<pubDate>Wed, 30 May 2012 17:19:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talissa</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[toy art]]></category>

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		<description><![CDATA[Toy art, designer toys, urban vinyl, etc, são vários termos que definem o conceito de &#8220;brinquedo de arte&#8221;. É um brinquedo feito para não brincar, dirigido para pessoas com idade acima de 14 anos &#8211; especialmente adultos &#8211; e com o intuito de colecionismo e/ou decoração. Toy Art é uma manifestação contemporânea que se apropria [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Toy art, designer toys, urban vinyl, etc, são vários termos que definem o conceito de &#8220;brinquedo de arte&#8221;. É um brinquedo feito para não brincar, dirigido para pessoas com idade acima de 14 anos &#8211; especialmente adultos &#8211; e com o intuito de colecionismo e/ou decoração. Toy Art é uma manifestação contemporânea que se apropria do brinquedo para mesclar design, moda e urbanidade.</p>
<p>Porém, na prática não são brinquedos. Brinquedos comuns são produzidos aos milhões e suas séries são constantemente relançadas devido ao sucesso. Um toy art sempre terá tiragem limitada, numerada ou assinada, e não será relançado &#8211; a não ser se for criada nova versão de grafismo. Um toy art é para um adulto ou adolescente colecionar, guardar e cuidar. A temática de um brinquedo é geralmente infantil, baseada em bichinhos, personagens famosos, de desenhos animados ou super-heróis. Os temas de um toy art podem ser meigos, violentos, subversivos, políticos, cômicos, criativos ou de linguagem urbana, underground, erótica, satírica, etc. O intuito do toy art é, como qualquer obra de arte, causar alguma reação no observador. Bons exemplos: O palhaço do &#8220;Ronald McDonald´s&#8221; de Ron English e o &#8220;Mickey&#8221; de Keith Haring.</p>
<p>Em 1998, um desconhecido artista de Hong Kong, Michael Lau, levou para uma amostra de brinquedos alguns G.I. Joe (Falcon) remodelados e customizados, com roupagem hip-hop, logos, correntes e jeans. Fizeram um enorme sucesso, pois eram diferentes de tudo que se havia visto. Essa criatividade estimulou a imaginação de muitos artistas e não artistas. Lau fez 101 figuras customizadas do G.I. Joe e hoje elas são muito valiosas.</p>
<p>Michael Lau ganhou status de mito, e é citado sempre que se fala nas origens do movimento, ao lado de James Jarvis, Eric So, Bounty Hunter, Brothersfree, Jason Siu, Tim Tsui, Jakuan, Furi Furi e outros.</p>
<p>Com a toy art surgiram vários termos recorrentes, que são comuns entre artistas, fabricantes e colecionadores.</p>
<p>DIY:Do It Yourself, ou &#8220;faça você mesmo&#8221;. São toys customizáveis, geralmente brancos, sem desenho algum. São vendidos para quem quiser fazer a arte do seu jeito, criando um design exclusivo. Usa-se tintas, canetas especiais, tecidos, acessórios, etc.</p>
<p>Customs: Customs (ou customizações) são toys modificados por artistas para se obter um design único, aproveitando a produção e formato do mesmo. É o caso dos G.I. Joes citados, ou mesmo os DIY preparados para esse fim. Vários artistas vivem exclusivamente de customizações, vendendo ou leiloando suas criações.</p>
<p>Séries: Uma série é uma linha de variações gráficas sobre um mesmo modelo de toy. Também podem ser vários toys de formas diferentes sobre um mesmo tema, ou variações de formas e/ou desenhos de um só artista. Uma série típica possui cerca de 10 a 15 toys, variações de ratio e toys secretos.</p>
<p>Blind Box: São toys que vêm em pequenas caixas lacradas, e quem compra não sabe o que tem dentro. A desvantagem: você pode comprar dois boxes e tirar o mesmo toy. A vantagem: se você der sorte, pode tirar um item raro, que pode valer no mercado centenas de dólares. Uma característica interessante: Para evitar ao máximo que espertinhos abram as caixas e vejam o que há dentro antes de vender, algumas empresas colocam seus toys em embalagens metálicas, que não revelam o conteúdo &#8211; nem em Raio-X.</p>
<p>Open Box: É uma blind box aberta. O comprador, nesse caso, já sabe o que tem dentro. Isso é bom pra quem não pode ou não quer comprar várias unidades fechadas pra tirar o toy que lhe agrada. Ou precisa apenas completar sua coleção mais facilmente. Porém o preço do toy varia conforme sua ratio, o que não acontece com a blind box, onde o preço é fixo.</p>
<p>Ratio: Nas Blind Boxes, é a proporção em que você pode encontrar o toy. Por exemplo, se um toy tiver ratio de 2/25, você poderá encontrar dois iguais num lote de 25 boxes. Os mais raros são os 1/100, 1/400, por exemplo. Porém, existem casos em que mesmo sendo comuns, alguns toys se tornam raros, por serem mais procurados ou desejáveis.</p>
<p>Chases: Nas Blind Boxes (ou qualquer linha de toys), normalmente existem os chases, que são unidades secretas de uma série. Seu ratio é indeterminado (??/??) e geralmente a figura não vem impressa na embalagem e não é divulgada logo de início. Também chamados de mystery figures. Porém, um chase não é necessariamente raro. A presença de um chase incentiva o colecionismo e o valor do toy/série.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*créditos imagem: JHRITZ</p>
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		<title>Renascença Italiana (séc. XIV &#8211; XVI) &#8211; Renascimento</title>
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		<pubDate>Mon, 21 May 2012 15:11:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talissa</dc:creator>
				<category><![CDATA[botticelli]]></category>
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		<description><![CDATA[Renascença Italiana é como ficou conhecida a fase de abertura do Renascimento (ou Renascença), um período de grandes mudanças e conquistas culturais que ocorreram na Europa, entre o século XIV e o século XVI. Este período marca a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. A referência inicial é a região da Toscana, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Renascença Italiana é como ficou conhecida a fase de abertura do Renascimento (ou Renascença), um período de grandes mudanças e conquistas culturais que ocorreram na Europa, entre o século XIV e o século XVI. Este período marca a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna.</p>
<p style="text-align: justify;">A referência inicial é a região da Toscana, centrado nas cidades de Florença e Siena. Espalhou-se depois para o sul, tendo um impacto muito significativo sobre Roma, que foi praticamente reconstruída, em sua maior parte, sob a tutela dos Sumo Pontífices da Igreja Católica Romana que ocuparam a Cátedra de São Pedro no período, especialmente Sisto IV.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi um momento de grandes realizações culturais, do aparecimento de nomes como: Petrarca, Baldassare Castiglione e Maquiavel na literatura; Leonardo da Vinci, Botticelli, Michelangelo, Rafael e toda uma gama imensa de grandes mestres nas artes plásticas. Um período de grandes realizações arquitetônicas: do domo de igreja de Santa Maria del Fiore, de Brunelleschi em Florença e a Basílica de São Pedro em Roma, entre outras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antecedentes históricos</strong><br />
<strong>Renascimento do Século XIII</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A renascença italiana emerge em meio ao século XIII, período em que as invasões estrangeiras haviam feito com que a região mergulhasse numa grande confusão e depressão. Entretanto, as idéias que a forjaram espalharam-se por toda Europa, fomentando o que viria a ser chamado o renascimento do norte e, mesmo fora do continente, o renascimento inglês. Ocorrem os primeiros passos no sentido da &#8220;invenção do sujeito&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Até meados do século XIV a região centro-sul da Itália, que fora o coração do Império Romano, estava empobrecida. Roma, era uma cidade em ruínas e os Estados Papais eram parcamente administrados, já que a sede do Papado tinha sido deslocada para Avignon, na França. Sicília, Sardenha e Nápoles estiveram por um longo período sob domínio estrangeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">A região norte, por outro lado, atravessava um período de maior prosperidade: Milão (Milano), Florença (Firenze), Pisa, Siena, Gênova, Ferrara e Veneza (Venezia).</p>
<p style="text-align: justify;">Embora possam ser assinalados marcos importantes na história da cultura, que trouxeram à luz mudanças importantes em relação a costumes anteriores, o Renascimento não representou uma virada súbita a partir do nada em relação à Idade Média, ao contrário, foi mais uma intensificação, num processo de evolução continuada, de um interesse pelas coisas da Antiguidade que existia desde séculos antes. Suas raízes de humanismo, naturalismo, racionalismo e idealismo estavam lançadas desde a Grécia Antiga, em torno dos séculos VI-V a.C., e jamais se perderam inteiramente de vista para os italianos, em cujo solo se perpetuaram várias relíquias do Império Romano, ele próprio um herdeiro da tradição grega e o principal agente da sua primeira transmissão à posteridade. Além de monumentos e algumas obras de arte, uma parte importante da literatura artística e filosófica grecorromana se conservou ao longo da Idade Média através do trabalho de copistas em vários mosteiros da Europa, e diversos princípios clássicos foram incorporados ao pensamento filosófico e religioso cristão. Assim, mesmo que o Cristianismo tenha obscurecido ou adaptado esses princípios para servirem à sua doutrina, o mundo clássico permanecia uma referência viva não só para italianos, mas para vários outros povos europeus. Por outro lado, o Cristianismo introduziu na Europa a noção de pecado, a doutrina do inferno e repudiou o corpo humano, e com isso se criou uma atmosfera psicológica um tanto sombria ao longo da Idade Média, fazendo o homem comum considerar a si mesmo um ser abjeto e cujo Deus era um tirano furioso e implacável, sempre pronto a vingar ofensas das maneiras mais cruéis.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma tendência a uma reforma nesse estado de coisas teve seu início com a consolidação das primeiras universidades. Desde meados do século XI Paris se tornara o maior centro teológico e cultural da Europa através da presença de grandes filósofos e pedagogos como Pedro Abelardo e Hugo de São Vitor, e da atuação de várias escolas, que se fundiram para formar, por volta de 1170, a Universidade de Paris. Nesse ambiente acadêmico, bastante liberal e relativamente independente da Igreja, ganhou terreno uma filosofia humanista e se estruturou a doutrina do purgatório, que oferecia uma via de escape do inferno através de um estágio purificador preliminar à ascensão ao paraíso. Ao mesmo tempo a Virgem Maria, bem como outros santos, começaram a ser considerados grandes advogados da humanidade junto à justiça de Cristo. Nesse processo a antiga tendência da fé cristã de corrigir o pecador através do medo e da ameaça com a danação eterna foi atenuada por visões que ressaltavam a misericórdia antes do que a ira divina, e que levavam mais em conta a falibilidade inerente à natureza humana. Ao mesmo tempo em que humanismo ensinado nas escolas de filosofia redefinia princípios fundamentais da fé, também possibilitava a absorção de elementos da Antiguidade clássica na arte, afrouxava a rigorosa ética que norteara o pensamento moral nos séculos anteriores, e direcionava a atmosfera cultural em direção a uma maior laicização, favorecendo o deslocamento do interesse do supranatural para o mundano e para o humano. E também resgatava o valor da pura beleza das formas que havia sido perdido desde a Antiguidade, considerando, como fez São Tomás de Aquino, que a Beleza estava intimamente associada com a Virtude, derivando da coordenação das partes de um objeto entre si em proporções corretas e da plena expressão de sua natureza essencial. Segundo Hauser, nesse período, chamado de Gótico, se completou<br />
Adão, originalmente na fachada da Catedral de Notre-Dame de Paris, c. 1260.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;&#8230; a grande transição do espírito europeu do Reino de Deus para a Natureza, das coisas eternas para o ambiente imediato, dos tremendos mistérios escatológicos para os segredos mais inofensivos do mundo criado. (&#8230;) A vida orgânica, que depois do fim da Antiguidade havia perdido todo o valor e significado, mais uma vez se torna honrada, e as coisas individuais da realidade sensível são doravante erguidas como sujeitos de uma arte que já não requer justificações sobrenaturais. Não há melhor ilustração desse desenvolvimento do que as palavras de São Tomás de Aquino, &#8216;Deus rejubila em todas as coisas, em cada qual de acordo com sua essência&#8217;. Elas são o epítome cabal da justificação teológica do naturalismo. Todas as coisas, por mais pequenas e efêmeras que possam ser, têm uma relação imediata com Deus; tudo expressa a divina natureza de sua própria maneira e assim ganha valor e significado também para a arte&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse processo de valorização do natural o corpo humano foi especialmente beneficiado, pois até então era visto mais como um pedaço desprezível de carne suja e como a fonte do pecado. Essa aversão ao corpo fora uma nota onipresente na cultura religiosa anterior, e a representação do homem primava por uma estilização que minimizava sua carnalidade, mas agora se abandonava definitivamente o esquematismo simbólico do Românico e do Gótico primitivo para se alcançar em breve espaço de tempo um naturalismo que não se vira desde a arte grecorromana. A própria figura do Cristo, antes representado principalmente como Juiz, Rei e Deus, se humanizou, e a adoração de sua humanidade passou a ser considerada o primeiro passo para se conhecer o verdadeiro amor divino. A conquista do naturalismo foi uma das mais fundamentais de todo o Gótico, tornando possíveis séculos adiante os avanços ainda mais notáveis do Renascimento no que diz respeito à mímese artística e à dignificação do homem em sua beleza ideal. Conforme disse Ladner,</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;&#8230; no fim do século XI a espiritualização havia chegado um clímax além do qual era impossível prosseguir; e portanto a primeira metade do século XII foi um ponto de virada na história da imagem do homem na arte Cristã, bem como no desenvolvimento da doutrina da semelhança entre a imagem do homem e a de Deus&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Séculos XIII-XIV: o proto-Renascimento</p>
<p style="text-align: justify;">O Renascimento propriamente dito foi precedido na Itália por um importante período de fermentação cultural a partir de meados do século XIII, em parte inspirado pela presença de um novo movimento religioso desencadeado pelas ordens mendicantes, em especial a fundada por São Francisco de Assis, que pregou entre os pobres falando da beleza do mundo natural e da dignidade do homem, favorecendo uma relação mais direta e íntima com Deus, e seu exemplo de vida estimulou os intelectuais e artistas a verem o mundo com outros olhos, com mais otimismo. Outro elemento de suma importância foi o desenvolvimento da literatura através de Dante Alighieri, Boccaccio e Petrarca, com o resultado de produzirem uma poesia concentrada na experiência interior e nas variações da natureza humana, expressa no vernáculo mas inspirada em modelos latinos. O contexto italiano apresentou características tão únicas que com justiça se pode dizer que foi o berço do Renascimento. Foi Petrarca quem aparentemente primeiro entendeu a Antiguidade como uma civilização autônoma, e a partir disso concebeu um programa de estudos clássicos centrado na linguagem, uma vez que se a Antiguidade havia de ser melhor compreendida, deveria sê-lo em seus próprios termos, ou seja, antes de se valer do latim como um veículo de ideias modernas, como então era a prática corrente, se deveria estudar o latim como ele era usado pela Roma Antiga, além de perseguir o antigo ideal de eloquência como uma união entre a habilidade retórica e literária com as virtudes morais, e como um instrumento de educação pública. Como disse Leonardo Bruni na geração seguinte, Petrarca mostrou a maneira como o conhecimento deveria ser adquirido. Outro fator importante foi o convite feito ao erudito grego Manuel Chrysoloras em 1397 para que fosse ensinar em Florença. Com ele o estudo do grego, que havia sido abandonado há muitos séculos, começou a ser considerado quase tão importante quanto o do latim, além de ter insistido que se conhecesse os autores gregos a partir de fontes primitivas e não de resumos e comentários medievais, estimulando uma grande demanda por textos clássicos originais e inaugurando uma nova fase nos estudos humanistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Gestação e Expansão<br />
Renascimento</p>
<p style="text-align: justify;">Costuma-se dividir o Renascimento em três grandes fases, correspondendo ao período que vai do século XIV ao século XVI, o que os italianos chamam de Trecento, Quattrocento e Cinquecento.</p>
<p style="text-align: justify;">Trecento<br />
O Trecento (século XIV) manifesta-se predominantemente na Itália, mais especificamente na cidade de Florença, pólo político, econômico e cultural da região. Giotto, Boccaccio e Petrarca estão entre seus representantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Quattrocento<br />
Durante o Quattrocento (século XV) o Renascimento espalha-se pela península itálica, atingindo seu auge. Neste período actuam Botticelli, Leonardo da Vinci, Rafael e no seu final, Michelangelo, dando os primeiros sinais da presença de ideais anti-clássicos, mas ainda utilizando-se do clássico, o que viria caracterizar o Maneirismo, a etapa final do Renascimento nas artes plásticas. Estes três últimos artistas são considerados o &#8220;trio sagrado&#8221; da Renascença italiana.</p>
<p style="text-align: justify;">Cinquecento<br />
No Cinquecento (século XVI), o Renascimento já impregnou toda a Europa, mas, mostra sinais de cansaço, abrindo espaço para outras formas de manifestações estéticas, filosóficas, políticas. Ocorrem as primeiras manifestações maneiristas e a reboque da Contrarreforma aparece o Barroco como estilo oficial da Igreja Católica. Na literatura atuaram Ludovico Ariosto, Torquato Tasso e Nicolau Maquiavel. Na pintura, Rafael e, principalmente, Michelangelo, que seria o diapasão da nova tendência.</p>
<p style="text-align: justify;">A conquista de Roma</p>
<p style="text-align: justify;">O desenvolvimento do espírito renascentista na capital no Antigo Imperio Romano pode ser delineado pela sucessão apostólica dos Bispos de Roma. Os novos ares vindos da região norte italiana que já se espraiara por toda a península, começa a exercer um impacto maior em Roma a partir do pontificado de Nicolau V (1447 &#8211; 1455). As grandes intempéries do Segundo Grande Cisma chegara ao fim, e os Bispo de Romas já estavam de novo em sua diocese. Nicolau V, que durante sua passagem por Florença havia se tornado um humanista, exaurindo todos os seus recursos na compra de livros, quando ocupou a Cátedra de Pedro cercou-se de personalidades notáveis com a mesma filosofia, como: Guarino de Verona, Niccolo Perotti, Poggio, Lorenzo Valla e Vespasiano da Bisticci, que atestou que &#8220;todos eruditos do mundo chegaram a Roma no tempo do Papa Nicolau”. Enviou representantes a Atenas, Constantinopla, Inglaterra e Alemanha atrás de manuscritos latinos e gregos e equipou o Vaticano com uma grande equipe de copistas e revisores, &#8220;fossem eles pagãos ou cristãos&#8221;. Contratou Leon Battista Alberti para executar diversas obras que deram início à remodelação urbanística de Roma, chegando a conceder empréstimos à cidadãos romanos para remodelar suas casas, palácios, para ornamentar a cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A 4 de Setembro de 1449, Nicolau anunciou um Jubileu para o ano seguinte cuja consequência seria um novo influxo de peregrinos de toda a Europa. A multidão seria tanta que, em Dezembro, na ponte Santo Ângelo, morreriam cerca de 200 pessoas &#8220;atropeladas&#8221; ou afogadas no rio Tibre. Nesse mesmo ano, reapareceu a peste na cidade, e Nicolau V fugiu de Roma.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da atitude condenável, Nicolau V conseguiu estabilizar o poder temporal do Papado, isolando-o da interferência do Imperador. Desta forma, a coroação e casamento de imperador Frederico II, a 16 de Março de 1452, não passou, portanto, de uma cerimónia civil. O Papado controlava agora Roma firmemente. A tentativa de Stefano Porcari, que almejava a restauração da República, foi implacavelmente suprimida em Janeiro de 1453. Porcari seria enforcado juntamente com os seus ajudantes, Francesco Gabadeo, Pierto de Monterotondo, Battista Sciarra e Angiolo Ronconi; não obstante, a reputação do Papa seria questionada quando, ao início da execução, Nicolau V se apresentou demasiado bêbedo para confirmar as graças que havia garantido a Sciarra e Ronconi.</p>
<p style="text-align: justify;">O sucessor de Nicolau V, o Papa Calisto III, não continuou a política cultural de Nicolau, devotando-se à sua maior paixão, o amor pelos seus sobrinhos. O toscano Pio II, que tomou as rédeas após a sua morte em 1458, revelou-se um grande Humanista, embora pouco fazendo por Roma. Foi durante o seu pontificado que Lorenzo Valla demonstrou que a Doação de Constantino tinha sido uma falsificação. Pio II foi também o primeiro Papa a recorrer à luta armada, em campanha contra os barões rebeldes Savelli dos subúrbios de Roma, em 1461. Um ano depois, com a transladação da cabeça do apóstolo Santo André para Roma, deu-se um novo afluxo de peregrinos. O pontificado do Papa Paulo II (1464-1471) notabilizou-se unicamente pela reintrodução do Carnaval, que se tornaria um festejo muito popular em Roma durante os séculos seguintes. Ainda no mesmo ano (1468) foi desmontada uma conspiração contra o Papa, organizada por intelectuais da Academia Romana, fundada por Pomponio Leto, resultando no aprisionamento dos envolvidos no Castelo de Santo Ângelo.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o pontificado mais importante foi, sem dúvida, o do Papa Sisto IV. Para favorecer um familiar, Girolamo Riario, instigou a conspiração por parte dos Pazzi (Congiura dei Pazzi) contra a família Médici, de Florença (26 de Abril de 1478) e, em Roma, combateu os Colonna e os Orsini. Apesar dos grandes custos desta política de intrigas e guerras, Sisto IV era um verdadeiro padroeiro da arte na mesma linha de Nicolau V: reabriu a Academia e reorganizou o Collegio degli Abbreviatori e, em 1471, iniciou a construção da Biblioteca do Vaticano, cujo primeiro curador foi Platina. A Biblioteca foi oficialmente fundada a 15 de Junho de 1475. Sisto mandou restaurar várias igrejas, incluindo Santa Maria del Popolo, Aqua Virgo e o Hospital do Espírito Santo, mandou pavimentar algumas ruas e foi também o responsável pela construção de uma ponte famosa sobre o Tibre que actualmente se conhece pelo seu nome. No entanto, o seu projecto de maior envergadura foi a Capela Sistina no Palácio Apostólico. A sua decoração convocou alguns dos mais renomeados artistas de época, onde se incluem Mino da Fiesole, Sandro Botticelli, Domenico Ghirlandaio, Pietro Perugino, Luca Signorelli e Pinturicchio — já no século XVI, Michelangelo pintou-a com aquela que se tornaria na sua obra-prima, transformando a Capela num dos mais espectaculares monumentos em todo o mundo. Sisto morreu a 12 de Agosto de 1484, e foi considerado o primeiro Rei-Papa de Roma.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o pontificado dos seus sucessores, Inocêncio VIII e Alexandre VI (1492-1503), Roma sofria do caos, de corrupção e do nepostimo emergente. No intervalo de tempo entre a morte do primeiro e a eleição do segundo, ocorreram 220 assassinatos na cidade. Alexandre VI teve que enfrentar Carlos VIII de França, que invadiu a Itália em 1494 e entrou em Roma a 31 de Dezembro desse ano. O Papa foi obrigado a barricar-se no Castelo de Santo Ângelo, que havia se tornado numa verdadeira fortaleza por obra de Antonio da Sangallo, o jovem, mas o hábil Alexandre saberia conquistar a ajuda do rei, designando o seu filho César Bórgia como conselheiro militar na subsequente invasão do Reino de Nápoles. Roma ficava, assim, segura. Entretanto, com a movimentação do rei para sul, o Papa recambiava a sua posição, alinhando com a Liga anti-francesa dos Estados Italianos que, finalmente, forçaram Carlos a bater em retirada para França.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre, considerado o Papa mais nepotista de todos, favoreceu o seu implacável filho Cesare, criando para ele um ducado pessoal constituído por alguns dos territórios pertencentes aos Estados Pontifícios, e banindo de Roma a família Orsini, o inimigo mais insistente de Cesare. Em 1500, a cidade alojou um novo Jubileu, mas as ruas tornavam-se cada vez mais inseguras, especialmente à noite, quando eram controladas por bandos de criminosos, os &#8220;bravi&#8221;. Não obstante, foi o próprio Cesare a assassinar Alfonso de Bisceglie, a sua irmã Lucrezia e, presumivelmente, o filho do Papa, Giovanni de Gandia.</p>
<p style="text-align: justify;">O Renascimento teve um grande impacto no aspecto de Roma com trabalhos como a Pietà (Piedade) de Michelangelo e os frescos do Aposento Borgia, todos realizados durante o pontificado de Inocêncio. Roma atingiu o seu expoente de esplendor sob o Papa Júlio II (1503-1513) e seus sucessores Leão X e Clemente VII, ambos membros da família Médici. Durante estes vinte anos, Roma tornara-se no maior centro de arte em todo o mundo. A velha Basílica de São Pedro foi demolida e recomeçada uma nova. A cidade alojou artistas como Bramante, que construiu o templo de São Pedro em Montorio e foi autor de um grande projeto para renovar a Cidade do Vaticano; Rafael, e seus afrescos na Capela Nicolina, Vila Farnesina e no Palácio Vaticano, entre outras obras de arte famosas; e Michelangelo, que iniciou a decoração do teto da Capela Sistina esculpiu a estátua de Moisés. Roma perdia parcialmente o seu carácter religioso para se tornar progressivamente numa verdadeira cidade do Renascimento, com um grande número de festejos populares, corridas de cavalos, festas, intrigas e episódios de negligência. A economia estabilizou-se com a presença de vários banqueiros da Toscana, incluindo Agostino Chigi, que foi um amigo de Rafael e também ele patrocinador das artes. Antes da sua morte prematura, Rafael foi também, e pela primeira vez, um promotor para a conservação das ruínas da Antiguidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Florença inicia-se o desenvolvimento do novo estilo arquitetônico. Uma das primeiras construções a apresentar as características renascentistas são as projetadas por Filippo Brunelleschi, basicamente, arquitetura religiosa como o Il Duomo da Basílica de Santa Maria del Fiore e a Capela de Pazzi.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>*Imagem: Michelangelo Buonarroti, A criação de Adão, afresco da Capela Sistina, Vaticano, Roma, 1510.</strong></p>
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		<title>Quattrocento (1400-1600) &#8211; Renascimento</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2012 13:16:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talissa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[renascimento]]></category>

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		<description><![CDATA[*Pieter Bruegel &#8211; Torre de Babel Quattrocento (1400-1600) &#8211; Renascimento O chamado Quattrocento (século XV) vê o Renascimento atingir sua era dourada. O Humanismo amadurece e se espalha pela Europa através de Ficino, Rodolphus Agricola, Erasmo, Mirandola e Thomas More. Leonardo Bruni inaugura a historiografia moderna e a ciência e a filosofia progridem com Luca [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">*Pieter Bruegel &#8211; Torre de Babel</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quattrocento (1400-1600) &#8211; Renascimento</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O chamado Quattrocento (século XV) vê o Renascimento atingir sua era dourada. O Humanismo amadurece e se espalha pela Europa através de Ficino, Rodolphus Agricola, Erasmo, Mirandola e Thomas More. Leonardo Bruni inaugura a historiografia moderna e a ciência e a filosofia progridem com Luca Pacioli, János Vitéz, Nicolas Chuquet, Regiomontanus, Nicolau de Cusa e Georg von Peuerbach. Ao mesmo tempo, um novo interesse pela história antiga levou humanistas como Niccolò de&#8217; Niccoli e Poggio Bracciolini a vasculharem as bibliotecas da Europa em busca de livros perdidos de autores como Platão, Cícero, Plínio, o Velho, e Vitrúvio.</p>
<p style="text-align: justify;">A reconquista da Península Ibérica aos mouros também disponibilizou para os eruditos europeus um grande acervo de textos de Aristóteles, Euclides, Ptolomeu e Plotino, preservados em traduções árabes e desconhecidos na Europa, e de obras muçulmanas de Avicena, Geber e Averróis, contribuindo de modo marcante para um novo florescimento na filosofia, matemática, medicina e outras especialidades científicas. Para acrescentar, o aperfeiçoamento da imprensa por Johannes Gutenberg em meados do século facilitou e barateou a divulgação do conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Um novo vigor nessa busca foi injetado após o fim do Império Bizantino e sua tomada pelos turcos, quando muitos intelectuais gregos, como Jorge de Trebizonda, Johannes Argyropoulos, Theodorus Gaza e Barlaam de Seminara, emigraram para a península Itálica e outras partes trazendo consigo e divulgando muitos textos clássicos e ensinando a ciência e língua gregas e a arte da exegese. Grande proporção do que hoje se conhece de literatura e legislação greco-romanas nos foi preservado por Bizâncio. Esse afluxo de novas informações e conhecimentos e o concomitante progresso em todas as áreas da sociedade levaram os intelectuais a perceberem que se achavam em meio a uma fase de renovação da cultura comparável às fases brilhantes das civilizações antigas, em oposição à Idade Média anterior, que passou a ser considerada uma era de obscuridade e ignorância.</p>
<p style="text-align: justify;">A progressiva aristocratização dos principais burgueses dá à arte um caráter palaciano e profano, e esta é uma tendência geral, que nasce a partir de um período de grande prosperidade econômica de Florença que, apesar de ameaçada por Milão e Nápoles, reconquista sua primazia regional. A opulência da oligarquia, que adquire grande cultura e se entrega à &#8220;bela vida&#8221;, gera na classe média uma resistência retrógrada que busca no [estilo gótico] idealista um ponto de apoio contra o que vê como indolência da classe dominante. Estas duas tendências opostas dão o tom para a primeira metade deste século, até que a pequena burguesia enfim abandona o idealismo antigo e passa a entrar na corrente geral racionalista. É o século de Lorenzo de&#8217; Medici, o grande mecenas, e o interesse pela arte se difunde para círculos cada vez maiores.</p>
<p style="text-align: justify;">Sucintamente, a contribuição maior da pintura do Renascimento foi sua nova maneira de representar a natureza, através de domínio tal sobre a técnica pictórica e a perspectiva de ponto central, que foi capaz de criar uma eficiente ilusão de espaço tridimensional em uma superfície plana. Tal conquista significou um afastamento radical em relação ao sistema medieval de representação, com sua estaticidade, seu espaço sem profundidade e seu sistema de proporções simbólico &#8211; onde os personagens maiores tinham maior importância numa escala que ia do homem até Deus &#8211; estabelecendo um novo parâmetro cujo fundamento era matemático, no que se pode ver um reflexo da popularização dos princípios filosóficos do racionalismo, antropocentrismo e do humanismo. A linguagem visual formulada pelos pintores renascentistas foi tão bem sucedida que permanece válida até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">O cânone greco-romano de proporções voltava a determinar a construção da figura humana; também voltava o cultivo do Belo tipicamente clássico. A pintura renascentista é em essência linear; o desenho era agora considerado o alicerce de todas as artes visuais e seu domínio, um pré-requisito para todo artista. Para tanto, foi de grande utilidade o estudo das esculturas e relevos da Antiguidade, que deram a base para o desenvolvimento de um grande repertório de temas e de gestos e posturas do corpo. Na construção da pintura, a linha convencionalmente constituía o elemento demonstrativo e lógico, e a cor indicava os estados afetivos ou qualidades específicas. Outro diferencial em relação à arte da Idade Média foi a introdução de maior dinamismo nas cenas e gestos, e a descoberta do sombreado, ou claro-escuro, como recurso plástico e mimético.</p>
<p style="text-align: justify;">Giotto, atuando entre os séculos XIII e XIV, foi o maior pintor da primeira Renascença italiana e o pioneiro dos naturalistas em pintura. Sua obra revolucionária, em contraste com a produção de mestres do gótico tardio como Cimabue e Duccio, causou forte impressão em seus contemporâneos e dominaria toda a pintura italiana do Trecento, por sua lógica, simplicidade, precisão e fidelidade à natureza. Ambrogio Lorenzetti e Taddeo Gaddi continuaram a linha de Giotto sem inovar, embora em outros características progressistas se mesclassem com elementos do gótico ainda forte, como se vê na obra de Simone Martini e Orcagna. O estilo naturalista e expressivo de Giotto, contudo, representava a vanguarda na visualidade desta fase, e se difundiu para Siena, que por um tempo passou à frente de Florença nos avanços artísticos. Dali se estendeu para o norte da Itália.</p>
<p style="text-align: justify;">No Quattrocento as representações da figura humana adquiriram solidez, majestade e poder, refletindo o sentimento de autoconfiança de uma sociedade que se tornava muito rica e complexa, com vários níveis sociais, de variada educação e referenciais, que dela participavam ativamente, formando um painel multifacetado de tendências e influências. Mas ao longo de quase todo o século a arte revelaria o embate entre os derradeiros ecos do gótico espiritual e abstrato, exemplificado por Fra Angelico, Paolo Uccello, Benozzo Gozzoli e Lorenzo Monaco, e as novas forças organizadoras, naturalistas e racionais do classicismo, representadas por Botticelli, Pollaiuolo, Piero della Francesca e Ghirlandaio. Nesse sentido, depois de Giotto o próximo marco evolutivo foi Masaccio, em cujas obras o homem tem um aspecto nitidamente enobrecido e cuja presença visual é decididamente concreta, com eficiente uso dos efeitos de volume e espaço tridimensional. Dele se disse que foi &#8220;o primeiro que soube pintar homens que realmente tocavam seus pés na terra&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Junto com Florença, Veneza representa a vanguarda artística européia no Quattrocento, dispondo de um grupo de artistas ilustres, como Jacopo Bellini, Giovanni Bellini, Vittore Carpaccio, Mauro Codussi e Antonello da Messina. Siena, que já fizera parte da vanguarda em anos anteriores, agora hesitava entre o apelo espiritual do gótico e o fascínio profano do classicismo, e perdia ímpeto. Enquanto isso também outras regiões do norte da Itália começavam a conhecer o classicismo, através de Perugino em Perugia; Francesco Laurana em Urbino; Pinturicchio, Masaccio, Melozzo da Forli, e Giuliano da Sangallo em Roma, e Mantegna em Pádua e Mântua. Também deve-se lembrar a influência renovadora sobre os pintores italianos da técnica da pintura a óleo, que no Quattrocento estava sendo desenvolvida nos Países Baixos e atingira elevado nível de refinamento, possibilitando a criação de imagens muito mais precisas e nítidas e com um sombreado muito mais sutil do que o que era conseguido com o afresco, a encáustica e a têmpera. As telas flamengas eram muitissimo apreciadas na Itália exatamente por essas qualidades, e uma grande quantidade delas foi importada, copiada ou emulada pelos italianos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais adiante, na Alta Renascença, com Leonardo da Vinci, a técnica do óleo se refinou e penetrou no terreno do sugestivo, ao mesmo tempo em que aliava fortemente arte e ciência. Com Rafael o sistema classicista de representação visual chegou a um apogeu, e se revelou a doçura, a grandeza solene e a perfeita harmonia. Mas essa fase, de grande equilíbrio formal, não durou muito, logo seria transformada profundamente, dando lugar ao Maneirismo. Aqui Michelangelo, coroando o processo de exaltação do homem, levou-o a uma nova dimensão, a do sobre-humano, abrindo-lhe também as portas do trágico e do patético. Com os maneiristas toda a noção de espaço foi então alterada, a perspectiva se fragmentou em múltiplos pontos de vista, e as proporções da figura humana foram distorcias com finalidades expressivas ou meramente estéticas, formulando-se uma linguagem visual mais dinâmica, vibrátil, subjetiva, dramática e sofisticada. Pontormo, Veronese, Romano, Tintoretto, Bronzino, e Michelangelo em sua fase madura foram exemplos típicos do Maneirismo plenamente manifesto. Giorgio Vasari, um pintor e arquiteto maneirista de mérito secundário, também deve ser lembrado por sua importância como biógrafo e historiador da arte, um dos primeiros a reconhecer todo o ciclo renascentista como uma fase de renovação cultural e o primeiro a usar o termo &#8220;Renascimento&#8221; na bibliografia, em sua enciclopédica Le Vite de&#8217; più Eccellenti Pittori, Scultori e Architettori, uma das fontes primárias para o estudo da vida e obra de muitos artistas do período. <a href="http://arteref.com/wp-content/uploads/2012/04/botticelli_birth_venus.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2568" title="botticelli_birth_venus" src="http://arteref.com/wp-content/uploads/2012/04/botticelli_birth_venus.jpg" alt="" width="500" height="320" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">*Botticelli &#8211; O Nascimento de Vênus</p>
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		<title>Rococó (1715 &#8211; 1774) &#8211; Barroco</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2012 20:15:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Talissa</dc:creator>
				<category><![CDATA[barroco]]></category>
		<category><![CDATA[rococo]]></category>

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		<description><![CDATA[* Imagem: O Balanço (1767), Fragonard O termo rococó forma da palavra francesa rocaille, que significa &#8220;concha&#8221;, associado a certas fórmulas decorativas e ornamentais como por exemplo a técnica de incrustação de conchas e pedaços de vidro, usados na decoração de grutas artificiais. Foi muitas vezes alvo de apreciações estéticas pejorativas. O rococó é um [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">* Imagem: O Balanço (1767), Fragonard</p>
<p style="text-align: justify;">O termo rococó forma da palavra francesa rocaille, que significa &#8220;concha&#8221;, associado a certas fórmulas decorativas e ornamentais como por exemplo a técnica de incrustação de conchas e pedaços de vidro, usados na decoração de grutas artificiais. Foi muitas vezes alvo de apreciações estéticas pejorativas.</p>
<p style="text-align: justify;">O rococó é um movimento artístico europeu, que aparece primeiramente na França, entre o barroco e o Arcadismo. Visto por muitos como a variação &#8220;profana&#8221; do barroco, surge a partir do momento em que o Barroco se liberta da temática religiosa e começa a incidir-se na arquitetura de palácios civis, por exemplo. O rococó é o barroco levado ao exagero.</p>
<p style="text-align: justify;">A expressão &#8220;época das Luzes&#8221; é, talvez, a que mais freqüentemente se associa ao século XVIII. Século de paz relativa na Europa, marcado pela Revolução Americana em 1776 e pela Revolução Francesa em 1789. No âmbito da história das formas e expressões artísticas, o Século das Luzes começou ainda sob o signo do Barroco. Quando terminou, a gramática estilística do Neoclassicismo dominava a criação dos artistas. Entre ambos, existiu o Rococó. Na ourivesaria, no mobiliário, na pintura ou na decoração dos interiores dos hotéis parisienses da aristocracia, encontram-se os elementos que caracterizam o Rococó: as linhas curvas, delicadas e fluídas, as cores suaves, o caráter lúdico e mundano dos retratos e das festas galantes, em que os pintores representaram os costumes e as atitudes de uma sociedade em busca da felicidade, da alegria de viver, dos prazeres sensuais.</p>
<p style="text-align: justify;">O Rococó é também conhecido como o &#8220;estilo da luz&#8221; devido aos seus edifícios com amplas aberturas e sua relação com o século XVIII. Em Portugal aparece na numismática a cerca de 1726 e prolongou-se até 1790 nos principais domínios artísticos.Na corte e no Sul do país desaparece mais cedo, dando lugar ao neoclassicismo. É nas províncias do Norte, particularmente Noroeste, que se encontra a versão mais original do patrimônio artístico rococó metropolitano, graças à talha dourada de formas gordas de certas igrejas do Porto, Braga, Guimarães, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Executada por notáveis artistas na segunda metade do século XVIII e na escultura ganítica, que decora numerosos edifícios religiosos e profanos na área: igreja da Ordem Terceira do Carmo (1758-68) por José Figueiredo Seixas, Capela do Terço (1756-75); em Viana do Castelo, a capela dos Malheiros Reimões, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Os pintores mais representativos foram François Boucher, Antoine Watteau e Jean-Honoré Fragonard</p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil o estilo revelou-se tardiamente, pois já no início do século XIX, na escultura de madeira e de pedra-sabão, na pintura mural e na arquitetura, com José Pereira Arouca, Francisco Xavier de Brito, Manuel da Costa Ataíde e António Francisco Lisboa, o Aleijadinho.</p>
<p style="text-align: justify;">O rococó tem como principais características:</p>
<p style="text-align: justify;">Cores claras;<br />
Tons pastéis e douramento;<br />
Representação da vida profana da aristocracia;<br />
Representação de Alegorias;<br />
Estilo decorativo;<br />
Possui leveza na estrutura das construções;<br />
Unificação do espaço interno, com maior graça e intimidade;<br />
Texturas suaves;<br />
Hedonismo;</p>
<p style="text-align: justify;">Música rococó</p>
<p style="text-align: justify;">O estilo de música utilizada no rococó é de difícil definição.<br />
É caracterizado por sarabandas, gigas, minuetos e outras galanteries. Um dos compositores deste estilo é Johann Christian Bach, filho mais novo de Johann Sebastian Bach.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://arteref.com/wp-content/uploads/2012/04/marquesa-pompadour.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2520" title="marquesa-pompadour" src="http://arteref.com/wp-content/uploads/2012/04/marquesa-pompadour.jpg" alt="" width="400" height="440" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">*Imagem: Retrato da Madame de Pompadour (1756) de François Boucher</p>
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		<title>Young Poland (1890-1918) &#8211; Arte Moderna</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 11:42:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[1890]]></category>
		<category><![CDATA[1918]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[moderna]]></category>
		<category><![CDATA[poland]]></category>
		<category><![CDATA[polônia]]></category>
		<category><![CDATA[young]]></category>

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		<description><![CDATA[(obra de Stanisław Wyspiański em giz pastel oleoso) Arte Moderna &#8211; Young Poland (1890-1918) Young Poland é um período modernista polonês nas artes visuais, literatura e música, durante os anos de 1890 e 1918, aproximadamente. Foi o resultado de uma forte oposição às idéias do Positivismo. Young Poland promoveu tendências de decadência, neorromantismo, simbolismo, impressionismo [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">(obra de Stanisław Wyspiański em giz pastel oleoso)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Arte Moderna &#8211; Young Poland (1890-1918)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Young Poland é um período modernista polonês nas artes visuais, literatura e música, durante os anos de 1890 e 1918, aproximadamente. Foi o resultado de uma forte oposição às idéias do Positivismo. Young Poland promoveu tendências de decadência, neorromantismo, simbolismo, impressionismo e art nouveau.</p>
<p style="text-align: justify;">O termo foi cunhado após um manifesto de Artur Górski, publicado em 1898 no jornal Zycie, e logo foi adotado em toda a Polônia por analogia a termos similares como Young Germany, Young Belgium, Young Scandinavia etc.</p>
<p style="text-align: justify;">No período do Young Poland não houve tendências esmagadoras na arte polonesa. Os pintores e escultores tentaram continuar a tradição romântica com novas formas de expressão popularizadas no exterior. A tendência mais influente foi a art nouveau, embora os artistas poloneses começaram a procurar também alguma forma de estilo mais nacional. A escultura e a pintura também foram fortemente influenciadas por todas as formas de simbolismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Exemplos de artistas desse período:</p>
<p style="text-align: justify;">Olga Boznańska<br />
Konstanty Brandel<br />
Xawery Dunikowski<br />
Julian Fałat<br />
Jacek Malczewski<br />
Józef Mehoffer<br />
Józef Pankiewicz<br />
Ferdynand Ruszczyc<br />
Jan Stanisławski<br />
Władysław Ślewiński<br />
Wojciech Weiss<br />
Leon Wyczółkowski<br />
Stanisław Wyspiański<br />
Konstanty Laszczka</p>
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		<title>Trecento (séc. XIV) &#8211; Neoclássico</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 11:41:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[giotto]]></category>
		<category><![CDATA[neoclássico]]></category>
		<category><![CDATA[século XIV]]></category>
		<category><![CDATA[trecento]]></category>

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		<description><![CDATA[(políptico de Giotto &#8211; Pinacoteca Nazionale, Itália) Neoclássico &#8211; Trecento (séc. XIV) O Trecento representa a preparação para o Renascimento e é um fenômeno basicamente italiano, mais especificamente da cidade de Florença, polo político, econômico e cultural da região, embora outros centros também tenham participado do processo, como Pisa e Siena, tornando-os a vanguarda da [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>(políptico de Giotto &#8211; Pinacoteca Nazionale, Itália)</p>
<p><strong>Neoclássico &#8211; Trecento (séc. XIV)</strong></p>
<p>O Trecento representa a preparação para o Renascimento e é um fenômeno basicamente italiano, mais especificamente da cidade de Florença, polo político, econômico e cultural da região, embora outros centros também tenham participado do processo, como Pisa e Siena, tornando-os a vanguarda da Europa em termos de economia, cultura e organização social, conduzindo a transformação do modelo medieval para o moderno. Acontece durante todo século XIV, e antecede o que se chama de Quattrocento, a primeira fase do Renascimento. É basicamente um seguimento da arte bizantina, pois muitas de suas características vieram dessa época da arte.</p>
<p>A pintura do período mostra vários trípticos e usa simples folhas de ouro que representam o caráter de Deus. As paredes dos monastérios da Toscana estão decorados com afrescos desta época. Entre os florentinos especializados em afrescos, destaca-se o nome de Giotto, a quem se atribuem as soberbas obras da Cappella degli Scrovegni e a série sobre a vida de São Francisco de Assis. Giotto inaugura a tridimensionalidade da arte mural, dando assim corte radical com a arte bizantina e abrindo caminho para o Renascimento.</p>
<p>A economia era dinamizada pela fundação de grandes casas bancárias, pela noção de livre concorrência e pela forte ênfase no comércio, e cada vez mais se estruturava em moldes capitalistas e bastante materialistas, onde a tradição foi sacrificada diante do racionalismo, da especulação financeira e do utilitarismo. O sistema de produção desenvolvia novos métodos, com uma nova divisão de trabalho organizada pelas guildas e uma progressiva mecanização, mas levando a uma despersonalização da atividade artesanal. A Itália nesta época era um mosaico de pequenos países e cidades independentes. O regime republicano com base no racionalismo fora adotado por vários daqueles Estados, e a sociedade via crescer uma classe média emancipada intelectual e financeiramente que se tornaria um dos principais pilares do poder e um dos sustentáculos de um novo mercado de arte e cultura.</p>
<p>O início do século vive intensas lutas de classes, com prejuízo para os trabalhadores não vinculados às guildas, e como consequência instala-se grave crise econômica, que tem um ponto culminante na bancarrota das famílias Bardi e Peruzzi em torno de 1328-38, gerando uma fase de estagnação que não obstante levaria a pequena burguesia pela primeira vez ao poder.<br />
Esta situação é comentada depreciativamente pelos poetas célebres da época &#8211; Boccaccio e Villani &#8211; mas constitui a primeira experiência democrática em Florença, durando um intervalo de cerca de quarenta anos. Tumultos políticos e militares, além de duas devastadoras epidemias de peste bubônica, provocam períodos de fome e desalento, com revoltas populares que tentam modificar o equilíbrio político e social, mas só conseguem assegurar a permanência dos burgueses à testa do governo. Os Médici, banqueiros plebeus, assumem a liderança da classe mas logo se revestem da dignidade da nobreza e um sistema oligárquico volta a dominar a cena política, muitas vezes se valendo da corrupção para atingir seus fins, mas também iniciando um costume de mecenato das artes que seria fundamental para a evolução do classicismo no século seguinte.</p>
<p>Na religião a mudança foi assinalada pela busca, amparada pela ciência, de explicações racionais para os fenômenos da natureza; por uma nova forma de ver as relações entre Deus e o homem, e pela ideia de que o mundo não deveria ser renegado, mas vivenciado plenamente, e que a salvação poderia ser conquistada também através do serviço público e do embelezamento das cidades e igrejas com obras de arte, além da prática de outras ações virtuosas. Deve-se frisar que mesmo com a crescente influência clássica, que era toda pagã na origem, o Cristianismo jamais foi posto em xeque e permaneceu como um pano de fundo ao longo de todo o período, criando-se a síntese original que conhecemos hoje.</p>
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