A história do Ceará pelos olhos do mestre brasileiro Raimundo Cela – no RJ

  • vendedor-de-redes-1944-oleo-sobre-madeira-90-x-74-cm-colec%cc%a7a%cc%83o-particular-fortaleza-ceVendedor de redes, 1944 Óleo sobre madeira 90 x 74 cm Coleção Particular – Fortaleza – CE
  • ultimo-dialogo-de-socrates-1917-oleo-sobre-tela-171x240-cm-museu-nacional-de-belas-artes-rio-de-janeiro-rjÚltimo diálogo de Sócrates, 1917. Óleo sobre tela 171x240 cm. Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro, RJ
  • praia-em-camocim-ce-1932-oleo-sobre-tela-58-x-82-cm-governo-do-estado-do-ceara-fortaleza-cePraia em Camocim, CE, 1932 Óleo sobre tela 58 x 82 cm Governo do Estado do Ceará – Fortaleza - CE
  • fundic%cc%a7a%cc%83o-1920-22-agua-forte-sobre-papel-284-x-344-cm-museu-nacional-de-belas-artes-rio-de-janeiro-rjFundição, 1920-22 Água-forte sobre papel 28,4 x 34,4 cm. Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro - RJ
  • ferreiro-1921-crayon-sobre-papel-61x405-cm-museu-de-arte-da-univeridade-do-ceara-fortaleza-ceFerreiro, 1921 Crayon sobre papel 61x40,5 cm. Museu de Arte da Univeridade do Ceará. Fortaleza, CE
  • consertando-a-rede-canto-do-rio-niteroi-rj-1947-oleo-sobre-tela-599-x-811-cm-museu-nacional-de-belas-artes-rio-de-janeiro-rjConsertando a rede, Canto do Rio, Niterói, RJ, 1947 Óleo sobre tela 59,9 x 81,1 cm Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro - RJ.JPG
  • catequese-1930-oleo-sobre-tela-190-x-200-cm-governo-do-estado-do-ceara-fortaleza-ceCatequese, 1930 Óleo sobre tela 190 x 200 cm Governo do Estado do Ceará – Fortaleza – CE
  • cabec%cc%a7a-de-preta-velha1943-oleo-sobre-tela-375-x-38-cm-museu-de-arte-da-universidade-federal-do-ceara-fortaleza-ceCabeça de Preta Velha,1943. Óleo sobre tela 37,5 x 38 cm. Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, CE
  • A virada, 1943, oleo sobre madeira, 99x132cm, coleção particular fortaleza-ceA virada, 1943 Óleo sobre madeira 99 x 132 cm Coleção Particular. Fortaleza, CE

Quem é o artista?
Raimundo Cela
nasceu em 1890, em Sobral, no interior do Ceará, mas cresceu em uma cidade litorânea próxima: Camocim. O artista foi criado em um meio familiar culto. Cela foi para o Rio de Janeiro em 1910 estudar engenharia, desejo de seu pai, e pintura, por ambição própria. Em 1945, no Rio de Janeiro, tornou-se professor de gravura em metal da Escola Nacional de Belas Artes, cargo que ocuparia até a sua morte, em 1954. Nesta última fase da carreira, Cela foi duas vezes premiado com a medalha de ouro do Salão Nacional de Belas Artes.

O que terá na mostra?
70 obras, desenhos e pinturas.

Onde vai ser?
Museu Nacional de Belas Artes – MNBA (endereço abaixo).

É um bom programa?
Sim.

Quando?
28 de setembro a 20 de novembro de 2016.

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 A mostra, com caráter retrospectivo, reúne obras desde o período acadêmico até seus últimos trabalhos na década de 1950, com destaque para imagens do Rio de Janeiro. No primeiro semestre a exposição foi apresentada no Museu de Arte Brasileira da FAAP em São Paulo. No Rio de Janeiro ficará em cartaz até 20 de novembro, com patrocínio da água mineral MINALBA.

Raimundo Cela (1890 |1954) é considerado um pré-modernista, pois estudou na ENBA na década de 1910. Em 1917, recebeu o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Belas Artes pela obra Último Diálogo de Sócrates. Por causa da guerra, embarcou somente em 1920 e permaneceu na França por dois anos. Segundo a curadora Denise Mattar, o artista é um dos criadores da visualidade cearense:

“Cela descartou a representação do nordestino como o sertanejo miserável e faminto, para mostrar o trabalhador forte e decidido do litoral. Pintou pescadores, jangadeiros e barcos, a intensa luz das praias cearenses e as nuvens rosadas do céu equatorial. Suas composições, minuciosamente construídas, são plenas de ritmo e emoção. Elas reúnem a precisão do engenheiro à sensibilidade do artista, o épico ao cotidiano, a precisão do desenho à energia da cor. A exposição Raimundo Cela – Um Mestre Brasileiro, tem como objetivo apresentar ao público carioca e paulista toda a sua trajetória. A retrospectiva parte de momentos-chave, como o prêmio da Escola Nacional de Belas Artes, a viagem à Europa, o retorno a Camocim, a mudança para Fortaleza e a volta ao Rio de Janeiro. Desenhos, gravuras, aquarelas e pinturas permitem compreender o processo criativo do artista”, explica a curadora.

A exposição reúne obras do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, do Instituto Dragão do Mar, do Palácio da Abolição, do Palácio Iracema, em Fortaleza, e do próprio Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, além de 15 coleções particulares de Fortaleza, Rio e São Paulo. Em contribuição à preservação da memória do artista e de sua obra, o projeto realizou o restauro de quatro obras que serão exibidas ao público pela primeira vez: Rendeira (1931, óleo sobre madeira, 32 x 40,5 cm); Cabeça de vaqueiro (1931, óleo sobre madeira, 38 x 46 cm) e Cabeça de Jangadeiro (1933, óleo sobre madeira, 38 x 46 cm) e  Catequese (Óleo sobre tela 190 x 200 cm).

A mostra abre com desenhos e óleos de seus primeiros trabalhos, marcados pela influência do academicismo, ou seja, obras determinadas pelo perfeito domínio da técnica clássica, na composição de telas figurativas, evocações à Antiguidade Clássica e à paisagem brasileira. Nesse setor, destaca-se, entre outras, o Último diálogo de Sócrates (1917), obra premiada pela Escola Nacional de Belas Artes com uma viagem ao exterior.

Ao longo dos anos em que permanece na Europa, como o público verá na exposição, seus desenhos, óleos e gravuras retratam cenas da paisagem francesa, como na tela Paisagem de Saint-Agrève (1921), e da realidade parisiense e de seus tipos, em estudos de nus e nos desenhos Ferreiro e Funileiro (1921).

Seus trabalhos despertam atenção da crítica parisiense e ele tem obras selecionadas para o Salon des Artistes Français. Nesse momento o artista sofre um AVC que o impede de pintar. Retornando ao Brasil reside em Camocim e fica sete anos sem pintar. Volta a fazê-lo em 1929 e já realizando a temática que será a sua marca.

Em seus quadros está a melhor tradução dessa paisagem nordestina, como na série Pinturas Brancas, de marinas e paisagens. Cela também foi um caçador de almas e dos tipos cearenses, com destaque para as figuras populares, como pescadores, vaqueiros, rendeiras e os jangadeiros, estes representados em uma série de obras criadas entre 1940 e 1946 que, na mostra, estarão dispostas de modo narrativo, mostrando a sequência de ações que levam a jangada ao mar.

Um dos grandes destaques da exposição, e da obra de Cela, o painel Abolição (1938), estará reproduzido em suas dimensões originais. Primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura, em 25 de Março de 1884, o Ceará, terra-natal de Cela, encomenda a ele, em 1938, um painel que simbolize o momento histórico tão marcante para o Ceará e para o Brasil.

SERVIÇO
Raimundo Cela, um mestre Brasileiro
Curadoria: Denise Mattar
Vernissage: 27 de setembro de 2016 às 18h
Visitação: 28 de setembro a 20 de novembro de 2016
Horário de funcionamento:
Terça a sexta: 10h às 18h
Sábados, domingos e feriados: de 13h às 18h.
Ingressos: R$ 8,00 inteira, R$ 4,00 meia e ingresso família(para até 4 membros de uma mesma família) a R$ 8,00.
Grátis aos domingos.

Museu Nacional de Belas Artes – MNBA
Avenida Rio Branco, 199 – Cinelândia Rio de Janeiro
Tel: (21) 3299-0600.

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