As três Marias no Sesc Pompéia/SP

O Sesc Pompeia recebe, a partir de 06 de janeiro de 2018, a estreia do espetáculo infantil As Três Marias, do Coletivo Estopô Balaio e Núcleo Chicote de Língua. A apresentação guarda e revela o sonho das crianças de bairros erguidos às margens de rios.

Com a realização conjunta do Coletivo Estopô Balaio e o Núcleo Chicote de Língua, a peça foi construída a partir da pesquisa e da experiência do Coletivo com as crianças dos bairros do Jardim Romano, em São Paulo, e Jardim Fiorelo, em Itaquaquecetuba, com as quais o grupo desenvolve diversas atividades.

Tudo é contado por meio do olhar de três crianças, Maria Melancolia, Maria Alegria e Maria Faminta, que traz de forma sensível questões sociais como: moradia, acessibilidade à bens culturais, distribuição de renda, alimentação e o modo de vida nas periferias.

As crianças localizadas no cinturão periférico dessas regiões crescem com a água que se lança sobre as casas e ruas, regularmente, no período das chuvas. A perda de móveis, doenças e até mortes caracterizam a realidade infantil desses bairros. Assim, nasce As Três Marias, espetáculo que relata a vida de três meninas que vivem numa vila alagada ao redor da cidade e que todos os dias acordam cedo para tentar se despedir da mãe, que vai trabalhar de trem.

As Tres Marias (Foto: Joao Junior )

Essa despedida diária nunca é possível, pois a mãe sai de casa antes do nascer do sol. O que resta às crianças é o dia a dia na vila e o contato com a avó que mora no rio. A avó enquanto metáfora da água é quem traz a poesia. A água é quem alimenta o sonho e o desejo de saber o que existe para além do horizonte.

O grupo também desenvolve várias ações junto ao público infantil do Jardim Romano, tais como: narração de histórias, intervenções urbanas, oficinas teatrais, apresentações de espetáculos nas escolas e instituições destas localidades, entre outras, tendo nesta experiência com as águas o caminho para a elaboração de materialidades artísticas que busquem novos significados para a imagem do rio na vida destas crianças.

“Como falar de questões dolorosas e desiguais sem perder a alegria e candura da criança? Como não julgar? Como manter-se vivo e pulsante diante da vida da obra? Como reinventar a dor? Estes questionamentos são respondidos pelo brilho do olho das crianças destes bairros”, aponta João Júnior, dramaturgo e diretor do Coletivo.

FICHA TÉCNICA
Ideia Original, Direção Geral e Dramaturgia: JOÃO JÚNIOR.
Elenco: ADRIELLE REZENDE, AMANDA PREISIG e ANA CAROLINA MARINHO.
Cenografia: JUÃO NIN.
Música Original e Direção Musical: MARCO FRANÇA.
Arranjos: DANIEL MAIA e MARCO FRANÇA.
Canção Tema: JUÃO NIN
Assistência de direção, Preparação Corporal e Iluminação: RODRIGO SILBAT.
Cenotecnicos: MAURO MARTORELLI e ANDERSON GALDINO.
Figurinos: JOÃO JUNIOR e JUAO NIN
Produção: Núcleo Chicote de Língua e Balaio Produções.
Crédito das fotos: João Júnior

Sobre o Coletivo

O Estopô Balaio é um coletivo de artistas formado há cinco anos na cidade de São Paulo que conta em sua maioria com a participação de artistas migrantes. É por esta condição de vida, a de um ser migrante, que o grupo se reúne no desejo de aferir um olhar sobre a prática artística encontrando como estrangeiros a distância necessária para enxergar o olhar de destino dos desejos.

“A distância geográfica das lembranças e paisagens levaram a uma tentativa inútil na busca por pertencimento à capital paulista. Era preciso reinventá-la para poder praticá-la. Na busca pelo lugar perdido da memória do grupo, seguimos para fora e à medida que nos distanciávamos de um tipo de cidade localizada em seu centro geográfico, fomos nos aproximando de outras cidades, de outros modos de vida e de novos compartilhamentos. O cinturão periférico da cidade no seu vetor leste revela um pedaço daquilo que tinha ficado para trás. Há um Nordeste em São Paulo que estava escondido das grandes avenidas e dos prédios altos do centro paulistano”, aponta João.

A memória partilhada nos quatro anos de residência artística no Jardim Romano são as dos integrantes do Coletivo, de estrangeiros de um lugar distante, e a destes pequenos deuses alagados de uma cidade submersa pelo esquecimento. O encontro com o bairro se deu num processo de identificação, pois a maioria de seus moradores são também migrantes nordestinos que fincaram suas histórias de vida nos rincões da capital paulista. O alagamento do Jardim Romano era real, oriundo da expansão desordenada da cidade, o dos integrantes do Coletivo era simbólico, originário da distância e saudade daquilo que foi deixado para trás.

Sobre o Núcleo Chicote de Língua

O Núcleo nasceu do trabalho realizado com as crianças do Jardim Romano, no extremo leste da cidade de São Paulo, através da residência artística desenvolvida pelo Coletivo ESTOPÔ BALAIO. O trabalho foi construído a partir da memória social infantil caracterizada pela experiência com as enchentes e inundações que assolam o bairro e região há cerca de dez anos. A partir do contato com esta memória o CHICOTE DE LÍNGUA desenvolve atividades de formação artística (teatro, poesia, grafite, etc) e de fruição (espetáculos e contações de histórias).

O trabalho junto às crianças fricciona a realidade social do bairro através das brincadeiras, jogos, oficinas e espetáculos tendo a memória individual e social o território de investigação e ponto de partida para a criação.

O Chicote de Língua busca através das realidades sociais um mecanismo de mergulho na poesia que se instala pela brincadeira com a memória na construção de narrativas que lancem um olhar sobre q cidade que queremos partilhar e construir para e pelas crianças.

Serviço:
As Três Marias
De 6 de janeiro a 04 de fevereiro de 2018. Sábados e domingos, às 12h. Feriado, 25 de janeiro, quinta, às 12h
Teatro
*O Teatro do Sesc Pompeia possui duas plateias (lados par e ímpar) e galerias superiores não numeradas. Por motivo de segurança, não é permitida a permanência nas galerias, de menores de 12 anos, mesmo acompanhados dos pais ou responsáveis.

Ingressos: R$5 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$8,50 (credenciado*/usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$17 (inteira). Crianças até 12 anos não pagam.

Classificação indicativa: Livre.
Duração: 50min

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

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Paulo Varella1353 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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