Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos no SESC Pompéia

O espetáculo Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos, com textos do dramaturgo Plínio Marcos, chega ao Sesc Pompeia em curta temporada

O ato-espetáculo-musical propõe um estudo sobre o encarceramento em massa no Brasil

 

Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos é um conto escrito por Plínio Marcos, em 1977, sobre a morte de detentos que se rebelaram em uma cadeia de Osasco. A montagem, com direção de Rogério Tarifa, traz o conto inteiramente transformado em música e cantado em coro por 19 atrizes e atores em cena, acompanhados por quatro músicos violonistas.

Os textos Barrela, escrito em 1959, e Mancha Roxa, de 1989, ambos de Plínio, entraram na dramaturgia ajudando a debater temas específicos dos cárceres feminino e masculino. A encenação narra por meio do coro, cenas, relatos, solos de dança, personagens, trajetórias de mulheres e homens que vivem ou viveram no cárcere.

A peça conta ainda com a cantora Ndu Siba, sul-africana e ex-detenta da Penitenciária Feminina da Capital, integrando o elenco como convidada especial.

O resultado é um ato-espetáculo-musical que denuncia as condições precárias e complexas dos cárceres brasileiros e a política de encarceramento em massa da população sem privilégios sociais. “O nosso canto é para que essa situação mude no Brasil e para que possamos debater e refletir sobre esse assunto quase sempre deixado de lado”, ressalta o diretor.

Sobre o processo de construção

Quando os seres humanos vão concretizar na sociedade conceitos tão caros como Liberdade, Igualdade, Justiça e Democracia? Foi sobre esse e outros questionamentos que as atrizes e atores do último ano da EAD/USP, Turma 66, se debruçaram para a criação do espetáculo Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos, dirigido por Rogério Tarifa.

O diretor, já conhecido por seus trabalhos na Cia. do Tijolo e na Cia. São Jorge de Variedades, assina sua segunda direção com grupos da Escola. A primeira foi Canto para Rinocerontes e Homens, que ganhou o prêmio Aplauso Brasil, de melhor espetáculo de grupo, e fundou a Cia. Teatro do Osso.

Já há algum tempo, Tarifa queria trabalhar com a temática do encarceramento no país. “No início de 2017, quando explodiram os levantes nos presídios em vários estados, resolvi trazer um pequeno conto do Plínio, o Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos, que narra uma rebelião ocorrida em Osasco nos anos 70 de presos que viviam em condições sub-humanas. No fim, os detentos que ainda esperavam julgamento, após se rebelarem por melhores condições botando fogo em colchões, acabam morrendo violentamente queimados”, revela o diretor.

Sobre o Coro Canto Butô

A montagem tem a direção musical de William Guedes e composições de Jonathan Silva, ambos parceiros de Tarifa na Cia. do Tijolo e vencedores do Prêmio Shell de Teatro. Um dos destaques foi a transformação integral do conto de Plínio sobre a rebelião em Osasco em música. A versão é cantada em coro pelos 19 atrizes e atores em cena.

Marilda Alface, mestre em butô, preparou corporalmente o elenco a partir das técnicas da dança japonesa, surgida no pós-guerra e que teve Kazuo Ohno como um de seus expoentes.

Dessa forma, coro, canto e Butô são empregados de forma integrada na encenação, relevando novas possibilidades de relação entre linguagens já conhecidas.

Ficha Técnica
Texto original: Plínio Marcos.
Dramaturgia: Jonathan Silva, Raquel Parras, Rogério Tarifa e Elenco.
Direção: Rogério Tarifa.
Direção Musical e Preparação Vocal: William Guedes.
Operação de luz: Nara Zocher e Vinícius Bogas.
Cenotécnica: Zito Rodrigues e Nilton Ruiz Dias.
Fotos : Sérgio Silva.
Elenco: André Cézar Mendes, Binho Cidral, Camila Cohen, Danilo Martins, Darília Lilbé, Evandro Cavalcante, Hélio Toste, Inayara Iná Samuel, Julio Silvério, Lilian Regina, Luiz Felipe Bianchini, Luiza Romão, Maria Eduarda Machado, Mirella Façanha, Raquel Parras, Romário Oliveira, Walmick Campos.

Músicos: Evandro Cavalcante, Rafael Heffer Cavaletti, Victor Mendes, Yuri Carvalho, Daniel Henrique Frederico e Danilo Gonzaga Moura

SERVIÇO:
Inútil Canto e Inútil Pranto Pelos Anjos Caídos

De 6 a 9 de julho de 2018, sexta e sábado, às 21h. Domingo e segunda, às 18h
Teatro
*O Teatro do Sesc Pompeia possui lugares marcados e galerias superiores não numeradas. Por motivo de segurança, não é permitida a permanência de menores de 12 anos nas galerias, mesmo que acompanhados dos pais ou responsáveis. Abertura da casa com 30 minutos de antecedência ao início do show.

Capacidade: 302 lugares
Duração: 2h10min

Ingressos: R$7,50 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$12,50 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$25 (inteira).

Venda online a partir de 26 de junho, terça-feira, às 12h.
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 27 de junho, quarta-feira, às 17h30.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

 

Paulo Varella1474 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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