Tripas no Sesc Ipiranga

O projeto Dramaturgias, do Sesc Ipiranga, tem em sua programação o espetáculo Tripas, vencedor do Prêmio Shell 2018 (na categoria inovação), do Prêmio Questão de Crítica 2018 e foi indicado ao Shell (Texto e Ator) e Cesgranrio (Ator, Direção, Cenário e Espetáculo)

Dia 15 de junho de 2018, estreia no Sesc Ipiranga, em São Paulo, o espetáculo Tripas, que narra o encontro de dois artistas, um pai e um filho, que decidem compartilhar com o público o cruzamento de suas biografias: Ricardo Kosovski, ator, diretor e professor; e Pedro Kosovski, autor e diretor, que testemunhou a jornada do pai há quatro anos, após uma internação repentina por uma crise de diverticulite aguda. Da necessidade de romper o silêncio de um quarto de hospital, nasceu Tripas.

Tripas é parte da programação do Dramaturgias, desenvolvido e realizado no Sesc Ipiranga, que contempla espetáculos, bate-papos, oficinas e feira de publicações. Ancorado em três eixos principais – Formação, Publicação e Temática –, o projeto visa criar um ambiente de reflexão e debates que fortaleçam o teatro como importante linguagem artística de problematização e transformação social, além de estabelecer uma teia de relações entre novos e consagrados dramaturgos.

Tripas

Após nove meses de internação e três cirurgias, Ricardo e Pedro cumpriram o que foi combinado enquanto o pai estava na UTI: quando saísse de lá, iriam viajar pelo mundo. No início de 2017, decidiram visitar Israel. “É uma história muito forte, eu quase morri. Quando passou, resolvemos voltar às origens e viajamos para Tel Aviv, em Israel”, conta Ricardo. “Foi a primeira vez que viajei sozinho com meu pai”, lembra Pedro. “Foi transformador! Entendemos a nossa relação. Foi necessário passar por tudo aquilo para entender o que a gente tem”.

Lá conheceram o Golfo de Ácaba, que fica na fronteira entre Israel, Egito, Jordânia e Arábia Saudita, e Pedro começou a criar a dramaturgia. Na peça, um homem encontra-se preso na fronteira do golfo, cercado por observadores internacionais, a plateia. Ele se dirige ao público narrando fragmentos de sua história e de seu filho. “Teatro e hospital não combinam. O teatro está vivo, é o frescor da vida. Para falar da fronteira entre vida e morte, entre filho e pai, optei por esta fábula”, destaca Pedro. “Uma autoficção, onde falo através do meu pai”.

A peça está associada ao pós-doutoramento de Ricardo, professor da UNIRIO, com o título “Das tripas… autoficção” e orientação do Prof. Dr. Renato Ferracini (LUME/UNICAMP). O escritor e crítico literário francês Serge Doubrovsky, criador do conceito de autoficção, desmistificou a autobiografia. “A peça é sobre nós – passado, presente e futuro, mas também tem aspectos fantásticos, pois trata do olhar que fabulamos sobre nós mesmos”, explica Ricardo. “Estarei à disposição exclusivamente do espetáculo até agosto de 2018. O pós-doutoramento tem um objeto artístico maior, que é a peça. Ensaiamos 10 dias no Rio e fomos para Campinas fazer uma residência no LUME e realizar uma interlocução com Ferracini”, conta o ator.  “Pedro define bem ao dizer que antes de ser um encontro de pai e filho, este é o encontro de dois artistas. A liberdade em relação à nossa própria história”, conclui.

Em cena, Ricardo é acompanhado pelo guitarrista Pedro Nego, que executa as composições de Felipe Storino e a canção Hey amigo, da banda O Terço, ícone do rock underground dos anos 70. O cenário criado por Lídia Kosovski, irmã de Ricardo e tia de Pedro, é uma instalação cênica composta de espuma que dispõe o público em seu entorno.

“Puxamos o fio do tempo e vamos até a infância dele, em 1964, quando tinha seis anos. Época do Golpe Militar”, narra Pedro. “A história micro, a nossa familiar, levando para uma história maior, a do país. Em 1984, no ano das Diretas Já, eu tinha um ano. Minhas primeiras lembranças estão lá, nestes recortes do tempo”, destaca.

O título é uma referência às entranhas, à jornada hospitalar, às profundezas do corpo. A peça busca ficcionalizar memórias pessoais e projetar, para além dos laços familiares, respostas e perguntas em suas origens e redutos de ancestralidade. “A vida é tortuosa e bela ao mesmo tempo: é nas dobras infinitas entre vida e criação que Tripas acontece”, conclui Ricardo.

 

FICHA TÉCNICA

Texto e Direção: Pedro Kosovski

Atuação: Ricardo Kosovski

Músico e Operação de som: Pedro Nêgo

Cenário e Figurino: Lídia Kosovski

Adereços: Alexandre Guimarães

Cenotécnico: Levi Morais

Iluminação: Paulo Denizot e Renato Machado

Direção Musical: Felipe Storino

Direção de Movimento: Toni Rodrigues

Preparadora Vocal: Jaqueline Priston

Consultoria de Sapateado: Marina Elias

Interlocução Artística: Renato Ferracini

Assistência de Direção: Julia Stockler

Fotos, Vídeo e Registro: Lourenço Monte-Mór

Design Gráfico: Marina Kosovski e Tatiana Bond

Administração da Temporada: Débora Thomas

Produção Executiva: Corpo Rastreado

Direção de Produção: MS Arte & Cultura

Aline Mohamad e Gabriel Salabert

Realização: Ricardo e Pedro Kosovski

 

Projeto associado ao pós-doutoramento do Prof. Dr. Ricardo Kosovski (UNIRIO), sob o título “Das tripas… autoficção”.

SERVIÇO

Temporada: 15 de junho a 08 de julho de 2018

Quintas e sextas, às 21h30, sábados, às 19h30 e domingos, às 18h30.

*Não haverá espetáculo dia 24/06.

Sesc Ipiranga (Auditório) – R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga

Recomendação: 14 anos Duração: 60 minutos Capacidade: 30 lugares

Ingressos: R$ 6,00 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 10,00 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 20,00 (inteira).

 

Paulo Varella1446 Posts

Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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