Arte

Por que obras de arte são tão caras?

Por Raisa Figueiredo - abril 28, 2017
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Para começar, temos que encarar que o valor tem pouca relação com a complexidade da obra e/ou as habilidades do artista, tampouco o valor dos materias que ele usou.

 Então o que as tornam tão caras?

O que não é novidade pra ninguém, é o renome do artista, a marca que sua assinatura atribui na obra.

É só associar com pessoas que tomam café no Starbucks, ou preferem comprar um Iphone ao invés de um smartphone de qualquer outra marca, você adquire mais do que o produto, você é inserido num grupo e tem o reconhecimento dos integrantes desse círculo.

“Quando um artista se torna uma marca, o mercado tende a aceitar como legítima qualquer coisa que ele apresente” diz Don Thompson, economista, colecionador e autor de O Tubarão de 12 milhões de dolares.

Don Thompson e seu precioso Tubarão
Don Thompson

 Quando viram marca, os artistas adquirem o toque de Midas, capaz de transformar qualquer coisa em ouro (quando digo qualquer coisa, é qualquer coisa mesmo! Basta olhar (ou cheirar) as criações do inglês Chris Ofili, feitas com COCÔ de elefante, vendidas por mais de R$ 5 milhões).

chris ofili
Chris Ofili

Mas como o artista ganha esse toque de Midas?

Com o suporte de gente especializada em lançar marcas e gerenciar valores.
Contam também com pessoas que valorizem suas obras. Por exemplo, Hirst recebeu ajuda do inglês Charles Saatchi, o grande colecionador de nossa época, tão reconhecido que ele consegue transferir prestígio aos produtos que consome.

“Um artista pode ser citado em artigos na imprensa como ‘colecionado por Saatchi’ ou ‘cobiçado por Saatchi’, explica Thompson, “e cada uma dessas referências provavelmente aumentará o preço de suas obras”.

Ok, mas como Saatchi consegue valorizar tanto o artista?

Primeiro ele investe em novatos, compra a produção deles que ainda é um valor baixo.
Quando a notícia de que Saatchi está comprando se espalha, devido ao prestígio dele, os valores aumentam e ele vende as obras por um preço mais alto

A segunda estratégia consiste em emprestar os quadros para museus e galerias, que ajudam a aumentar os preços com exposições.
“Os museus são independentes do processo do mercado e por isso raramente têm seus juízos questionados” conta Thompson.

O Charles Saatchi
O Charles Saatchi

Há outros modos de valorizar uma obra:

Quanto menor o número de cópias, mais valorizada ela fica. A obra batizada também ganha um ponto em seu valor.

A obra de um artista que morreu é super valorizada, pelo fato de ser algo único, por mais que alguém consiga reproduzir uma Mona Lisa tão bem quanto o Leonardo Da Vinci, ela nunca terá o mesmo valor.

É como se fosse um simples colar passado de nossa avó pra nossa mãe e depois pra gente, existem colares iguais, mas eles não foram usados pela nossa avó.

E claro, se existem pessoas que podem/querem gastar milhões em arte, sempre terão obras custando esses valores que achamos ser um absurdo.

 

Veja 4 obras que todo mundo fala que consegue fazer igual, mas vale milhões:

No. 5, 1948 - Jason Pollock
No. 5, 1948 por Jason Pollock  – 160,8 milhões de dólares
Woman III, por Willem de Kooning - 154,5 milhões de dólares
Woman III, por Willem de Kooning – 154,5 milhões de dólares
Nu, folhas e busto, de Pablo Picasso - 113,3 milhões de dólares
Nu au Plateau de Sculpteur, de Pablo Picasso – 113,3 milhões de dólares
Orange, Red, Yellow por Rothko - : 86,9 milhões de dólares
Orange, Red, Yellow por Rothko – 86,9 milhões de dólares

 

Fonte: Superinteressante

Veja também:

As obras de arte mais valiosas do mundo

 

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