Dança

A Cartografia do Possível

Por Paulo Varella - janeiro 23, 2018
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  Em fevereiro, mesmo com uma breve pausa no Carnaval, o Centro de Referência da Dança traz ao programa ‘Cartografia do Possível’ seis novos trabalhos propostos por artistas e grupos independentes: começa com duas apresentações do espetáculo “M.G. Baquaqua – Corpo e Fé Africana”, da Éluz Cia de Dança Contemporânea (dias 2 e 3/2); segue na terceira semana com “A Leveza de um Homem Só”, do Cahlo Núcleo de Dança (dia 16/2) e “Acidentes”, de Pedro Galiza (17/2); e encerra o mês com outras três criações: “Experimentos Móveis sobre o Habitar”, do Coletivo Apoena (dia 22); e “A Mulher na Dança Urbana”, com as Gurias, seguido de “Sistemas”, do programa Vocacionados em Trânsito (dias 23 e 24/2), ambos sob o olhar de Nathalia Glitz.
Leveza de um Homem Só-Cahlo Núcleo de Dança – foto David Mariano
Em “M.G. Baquaqua – Corpo e Fé Africana”, a Éluz Cia de Dança Contemporânea, dirigida por Raquel Medeiros, presta homenagem a Mohammah Gardo Baquaqua que, depois de ser capturado em uma guerra no território do Califado de Sokoto e vendido para o tráfico atlântico de escravizados, no início da década de 1840, desembarcou em Pernambuco, tentou suicídio, foi vendido ao Rio de Janeiro, trabalhou em um navio transportando carne de charque do Rio Grande do Sul e em seus últimos dias como escravo, fugiu e viveu no Haiti, em Nova York e no oeste do Canadá, até publicar sua autobiografia, em 1854, três anos antes de desaparecer da história. Interpretado por Hélio Lima, “M.G. Baquaqua…” conta com consultoria histórica de Bruno Verás, luz e cenografia de Daniel Falcão e sonoplastia de Gica Fernandes.
Festival Contemporaneo de Danca 2016 Exercicios Compartilhados. foto: Jonia Guimarães
  Com “A Leveza de um Homem Só”, o Cahlo Núcleo de Dança traz as várias possibilidades de um corpo que se forma em imagens únicas e desforma a todo momento. Sem tempo prévio para cada cena, com algumas se repetindo e outras tomando novos caminhos, o trabalho é voltado para a inevitalidade do eterno recomeço. Kátia Rozato, diretora e intérprete, conta com David Mariano na trilha sonora, som e iluminação. Os “Acidentes”, de Pedro Galiza, são lapsos que descontinuam o fluxo do movimento dos corpos, tempos e espaços, e rompem as expectativas do instante presente. Em uma constante saturação de um modo de existir errático e poroso a colisões, urgências, desmembramentos e fatalidades, Pedro Galiza expõe o corpo permeado por realidades cruas e iminentes. A concepção sonora é de Marcio Vasconcelos. “Experimentos Móveis sobre o Habitar” é uma dança sobre as memórias, o convívio doméstico e os papeis simbólicos e políticos da casa, espaço de nossa história pessoal, símbolo de intimidade, independência e proteção, que imprime em nós o tempo de nossa vida comprimido num espaço. Formado pelos intérpretes criadores Fabiana Louro, John Halles e Monique Amaral, o Coletivo Apoena conta neste trabalho com André Bordinhon na trilha sonora, Cauê Gouveia na iluminação e Glauce Medeiros na criação do figurino. Com direção de Nathalia Glitz e operação de som da DJ Miria Alves, “A Mulher na Dança Urbana” apresenta esquetes coreográficos com depoimentos das próprias integrantes do grupo Gurias – Aline Constantino, Carolina Gomes, Daniela Alves, Darlita Albino, Nathalia Glitz e Sabrina Xavier –, sobre o “ser mulher na dança urbana”. O objetivo da ação é valorizar a mulher dentro do contexto urbano da dança – por muito tempo exclusivo ao universo masculino -, com sua personalidade e particularidades, incentivando mais meninas e mulheres a seguirem em frente e se posicionarem na área de forma positiva e profissional. Na sequência, “Sistemas”, do Vocacionados em Trânsito, grupo formado no Programa Vocacional de Dança na Galeria Olido, nos anos de 2015 e 2016, também sob orientação de Nathalia Glitz, traz coreografias criadas pelo próprio grupo abordando a palavra ‘sistemas’ em três diferentes aspectos: social/econômico, orgânico/humano e tecnológico/cibernético Todas as apresentações acontecem às 19h, com entrada gratuita. ________________________________________________________ Serviço: Cartografia o Possível/Fevereiro 2 e 3/2 (sexta e sábado), 19h “M.G. Baquaqua – Corpo e Fé Africana”, com Éluz Cia de Dança Contemporânea Sala Cênica Ivonice Satie Classificação indicativa: livre Duração: 60 minutos Grátis 16/2 (sexta-feira), 19h “A Leveza de um Homem Só”, com Cahlo Núcleo de Dança Sala Cênica Ivonice Satie Classificação indicativa: livre Duração: 20 minutos Grátis 17/2 (sábado), 19h “Acidentes”, com Pedro Galiza Sala Cênica Ivonice Satie Classificação indicativa: livre Duração: 60 minutos Grátis 22/2 (quinta), 19h “Experimentos Móveis sobre o Habitar”, com Coletivo Apoena Sala Cênica Ivonice Satie Classificação indicativa: livre Duração: 60 minutos Grátis 23 e 24/2 (sexta e sábado), 19h “A Mulher na Dança Urbana”, com Gurias Sala Cênica Ivonice Satie Classificação indicativa: livre Duração: 35 minutos “Sistemas”, com Vocacionados em Trânsito Sala Cênica Ivonice Satie Classificação indicativa: livre Duração: 12 minutos Grátis Centro de Referência da Dança de São Paulo – CRDSP Baixos do Viaduto do Chá, s/n – ao lado do Theatro Municipal (próximo às estações Anhangabau, República e São Bento do Metro). Informações: 32143249 | 953013769
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Estudou cinema na NTFS (UK), Administração na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado de arte internacional.

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