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A artista Maria Fernanda Paes de Barros e o fotógrafo autoral Marcelo Oséas apresentam exposição “Duas Crônicas” no museu A Casa

setembro 29 @ 10:00 am 6:30 pm

Exposição conjunta reúne a essência dos trabalhos em obras únicas inspiradas na ancestralidade indígena e ainda agregam contrapartidas sociais.

A artista Maria Fernanda Paes de Barros e o fotógrafo autoral Marcelo Oséas apresentam a exposição conjunta “Duas Crônicas”, com a união de duas temáticas indígenas de etnias diferentes e trabalhos que resgatam a identidade dessas comunidades. A exposição acontece em setembro no Museu A Casa em São Paulo, instituição que tem como foco na produção cultural brasileira, contribuindo para o reconhecimento, valorização e desenvolvimento da produção artesanal ou semi-artesanal.

Após uma exposição independente de grande sucesso, em março, Marcelo Oséas traz uma nova apresentação de sua série fotográfica “Uma Crônica Munduruku”, fruto de uma imersão na etnia amazônica que dá nome à série, localizada no baixo Tapajós. As imagens do dia a dia refletem o desejo da comunidade de fazer a manutenção do seu cotidiano, mesmo com o contato com a sociedade de consumo e as pressões do mercado de turismo e empreendimentos regionais. Depois de um ano de pesquisa material e da vivência com a aldeia Munduruku, Marcelo produziu os retratos, realizados no plano digital da fotografia, impressos via Fine Art em P&B e colorizadas manualmente com pigmentos naturais coletados na região amazônica. Esse trabalho resultou na série fotográfica que teve participação da comunidade na seleção e construção das fotografias. Esta nova abordagem reflete a aceitação positiva do público durante a primeira exposição das imagens.

Somando às fotografias de Marcelo, Maria Fernanda apresenta “Kwasáwa | Borari”, propondo o resgate da ancestralidade indígena de um grupo de artesãs, no Pará, através da cerâmica e da palha. Durante o desenvolvimento de um projeto na comunidade ribeirinha de Urucureá, a designer foi surpreendida pelas poucas informações que as artesãs possuíam sobre seus ancestrais e sobre a origem da técnica do trançado de palha que utilizam no seu trabalho.

Essa ausência de conhecimento pode ser fruto de anos de intimidação sofridos pelos indígenas da região, ou pelo fato de ter sido necessário optar por ser reconhecido como indígena ou população tradicional ribeirinha durante a demarcação de terras vários anos atrás, uma vez que cada opção dava direitos diferentes a seus integrantes.

O trabalho desenvolvido por Maria Fernanda recupera o valor das vidas e da importância de seus ancestrais através do artesanato tradicional da etnia Borari, quase inexistente nos dias de hoje: a cerâmica. O resultado disso foi a reprodução na palha das formas moldadas no barro. Cada peça tem um formato e cada artesã produziu uma peça, numa forma de homenagem à etnia Borari e as suas próprias etnias sejam elas quais forem. O nome do projeto da designer, Kwasáwa, significa “conhecimento” na língua indígena Nheengatu.

Os dois trabalhos distintos, mas com diversas intersecções, dão vida  à exposição “Duas Crônicas”, a partir do dia 11 de setembro, no Museu A Casa. Serão expostas 10 fotografias colorizadas manualmente pelo fotógrafo Marcelo Oséas e dez pares de vasos Borari e cestos produzidos pela comunidade de Urucureá. As peças estarão à venda e existe também a contrapartida social, onde parte da renda será revertida para dar continuidade à construção da escola de cultura e costumes Munduruku, que visa transmitir os valores tradicionais  e fortalecer a preservação da Floresta Nacional do Tapajós no futuro.

Serviço:

  • Data: de 11 de setembro a 29 de setembro
  • Onde: Museu A Casa
  • Endereço: Avenida Pedroso de Morais, 1216/1234, São Paulo
  • Horário: Terça à Domingo das 10h às 18h30