heróis nunca celebram vilões – heróis apenas celebram vilões

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A Galeria Leme apresenta a primeira exposição individual de Igor Vidor no seu espaço. Intitulada “heróis nunca celebram vilões – heróis apenas celebram vilões” a mostra apresenta a produção mais recente do artista através de um conjunto inédito de obras que resultam de dois anos de pesquisa sobre as questões ligadas à violência e a juventude na cidade do Rio de Janeiro.

Igor Vidor passou os últimos anos impulsionado por um interesse em investigar a relação entre o corpo (físico ou social) e os seus respectivos contextos urbanos, frequentemente opressivos e violentos. Durante a sua pesquisa, o artista coleta um conjunto de objetos que carregam resquícios de um estado de violência profundamente enraizado no quotidiano da cidade, tais como cápsulas usadas de fuzis ou até mesmo armas de brinquedo, construídas por crianças, que imitam as armas reais que fazem parte do seu dia-a-dia. Ao escolher tais elementos, Vidor mostra como símbolos de violência são naturalizados e acabam por ganhar novos significados, sejam eles lúdicos, relacionados a lógicas de marketing e consumo, ligadas a aspirações sociais ou status, ou outros. A inocente brincadeira infantil com armas de brinquedo, que é comum a crianças de diferentes estratos sociais, acaba também adquirindo outros sentidos nessas comunidades, onde repetidas vezes tais brinquedos são confundidos por armas reais, acarretando perigo iminente para a vida dessas crianças. Num estado em que a vigilância ao perigo é constante, outros objetos comuns são também confundidos por armas de fogo, ocasionando a morte de inocentes. Alguns desses itens, aparentemente inofensivos, são re-contextualizados na exposição, de forma a que possam explicitar as complexas motivações e consequências do aparato de segurança implementado em favelas na cidade, assim como a sua relação com outros agentes globais cujo papel de fabrico e difusão de armas de fogo alimenta a indústria bélica mundial.

Como resultado do seu trânsito por territórios díspares da cidade o artista reuniu também diversas entrevistas que nos fazem adentrar as realidades desiguais do Rio de Janeiro. Outros diálogos e colaborações com agentes que partilham das mesmas questões e preocupações do artista, resultam em convites para realização de performances que acontecerão no dia da abertura da exposição. Igor Vidor nos convida a debruçar sobre a complexidade social da cidade do Rio de Janeiro, através da relação entre o corpo social e as políticas de segurança pública. Fazendo-nos ponderar como tal fricção alimenta uma engrenagem de violência intermitente e aparentemente sem solução que transcende a especificidade do contexto do Rio de Janeiro e encontra ecos e recorrências em vários outras cidades do Brasil.

Sobre o artista:

Igor Vidor, São Paulo, Brasil, 1985. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil.

Exposições individuais: Expedição Piracicaba (Cabeça Nuvem: Guilherme Teixeira e Igor Vidor), Pinacoteca Miguel Dutra, Piracicaba, Brasil; O sublime como possibilidade diante da morte, Ateliê Aberto, Campinas, Brasil (2011).

Exposições coletivas: The World’s Game: Fútbol and Contemporary Art, Pérez Art Museum Miami, Miami, EUA; 11ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Triângulo do Atlântico, Porto Alegre, Brasil (2018); Dove Audio Video Festival, Sewoon Arcade, Seul, Coreia do Sul; Attention! Promised Place, Contesting Common Grounds, FLUCA Austrian Cultural Pavilion, Plovdiv, Áustria; Montage is a Heart Beat, Deep in the Mountains International Residency, Seul, Coreia do Sul; São Paulo não é uma cidade. Invenções do centro, Sesc 24 de Maio, São Paulo, Brasil; Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, Oca, São Paulo, Brasil; Quando o Mar virou Rio, Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, Brasil; California Pacific Triennial, Orange County Museum of Art, Orange County, EUA; Cinema na Vila Autódromo, Klowden Mann Gallery, Los Angeles, EUA (2017); A cor do Brasil, Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro, Brasil; Jogos do Sul, Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, Brasil; I Mostra Imagem em Movimento, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, Brasil (2016), entre outras.

Seu trabalho integra coleções tais como: MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil e Itaú Cultural, São Paulo, Brasil.

 

Abertura: 04 de Julho – 19h
Até 11 de Agosto, 2018
Av. Valdemar Ferreira, 130
São Paulo | Brasil
Ter – Sex  10h – 19h
Sab  10h – 17h
+55 11 3093.8184
info@galerialeme.com
www.galerialeme.com

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Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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