O crime e o mistério segundo Mac Adams

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Quem é Mac Adams?

Ele estudou na Cardiff School of Art & Design em 1962-1967. Em 1966 ele se casou com Barbara Whedon, uma estudante de arte americana que estuda em Cardiff. Ele tem uma filha , nascida em 1986. Adams Recebeu um diploma de MFA da Rutgers University (1967-1969), onde estudou com o artista mais influente Bob Watts. Em 1969, quando ainda era um estudante de graduação, ele participou da primeira Exposição de Arte Suave no Museu do Estado de Nova Jersey, junto com Richard Serra. Richard Archwager, Keith Sonnier e John Chamberlain, entre outros.

Em 1970 mudou-se para Nova York, onde viveu e trabalhou até 2002.

Em 1974, sua primeira série “Mystery” foi mostrada na lendária Green Street Gallery, no Soho, N.Y. Em 1976, ele começou a aparecer com a John Gibson Gallery, onde se tornou parte de um movimento conhecido como Narrative Art. Adams foi associado a um grupo de artistas conceituais que usavam textos e fotografias fictícias. Ele se separou desses artistas pois não usava nenhum texto, em vez disso adotou uma abordagem mais semiótica da narrativa em que a fotografia se tornou substituta do texto. A série ‘Mystery’ teve uma qualidade de filme Noir e uma compressão narrativa extrema.

Ao longo de sua carreira, Adams reconheceu que o espaço entre as imagens pode ser tão importante quanto a própria imagem. Ele passou a usar o termo ‘Narrative Void’ (termo usado no cinema quando se fala do espaço entre os quadros) para descrever o significado no espaço entre as imagens. Estas obras foram exibidas na Narrativa Americana / Arte de História: 1967–1977 no Museu de Arte Contemporânea em Houston, Documenta 6, Kassel Alemanha, 1977, Galeria Arnolfini, Bristol, Inglaterra 1975–76, Galleria Studio G7, Bolonha, Itália 1978 Arts Center, S.Wales, 1979 e The Nigel Greenwood Gallery, Londres 1978, para citar alguns. Estes primeiros trabalhos fotográficos tornaram-se influentes para uma geração de artistas

Ao mesmo tempo em que Adams fez seus trabalhos fotográficos, ele também fez grandes instalações de crimes que chegavam ao tamanho de um quarto. Locais onde o público era convidado para reconstruir a narrativa através de interpretação e análise forense.

Trabalho com sombras

Em 1984, Mac Adams começou a trabalhar com sombras. Sombras figurativas foram projetadas a partir de estruturas altamente abstratas, revelando-se apenas sob certas condições de luz. Grandes esculturas de sombra ao ar livre trabalhadas pela luz do sol respondendo à inclinação e deslocamento da Terra, por exemplo: “The Serpent Bearer” Universidade de Montclair, 1987. “The Fountainhead” Museu de Arte Contemporânea de La Jolla, CA 1988, “Meditation” Louis Pasture University Strasbourg, França. 1996. O Departamento de Transporte de Wings and Wheels, em New Jersey, esculturas interiores de Cherry Hill N.J. trabalhavam com holofotes projetados em esculturas abstratas projetando sombras figurativas em paredes e pisos. Modelos e esculturas onde exibido na Farideh Cadot Gallery de Nova York 1887 e John Gibson Gallery NYC. 1992. Este trabalho influenciou outra geração de artistas, como Tim Nobel e Sue Webster.

Quer conhecer Mac Adams?

 

Exposição MENS REA: A Cartografia do mistério no centro cultural FIESP.

Pela primeira vez na América Latina, mostra apresenta a obra de um dos principais artistas da Arte Narrativa, Mac Adams. Além de fotos, o público pode conferir uma instalação site specific

São Paulo, março de 2018 O Centro Cultural Fiesp traz para o Brasil a obra de um dos fundadores do movimento Arte Narrativa (Narrative Art), o artista americano Mac Adams. A exposição Mens Rea: a cartografia do mistério fica em cartaz de 18 de abril a 8 de julho, com entrada gratuita.

Com curadoria de Luiz Gustavo Carvalho e Anne-Céline Borey, a seleção apresenta ao público brasileiro 17 dípticos da icônica série Mistérios, além da instalação site specific Cartografia de um crime, criada especialmente para a exposição em São Paulo. Nesta instalação, o artista reflete sobre a memória e o esquecimento, por meio de uma relação passional obsessiva. Para isso, Mac Adams constrói um diálogo entre suas imagens e fotografias provenientes do arquivo do Museu Nicéphore Niépce (França), um dos mais importantes da Europa.

Artista escolhido pela França para integrar a programação do Ano Rodin em 2017/2018, Mac Adams desenvolveu um trabalho em duas ou três dimensões, que explora o potencial narrativo da fotografia e da instalação na composição de cenas misteriosas. Sua obra mistura referências dos contos do País de Gales, onde nasceu, dos romances de Arthur Conan Doyle, do cinema de Alfred Hitchcock e do cinema noir.

Assim como um contador de histórias, o artista utiliza fotos e objetos em estreita relação semiótica, incitando o espectador a penetrar o espaço/tempo entre as obras. “É justamente neste momento de ‘vazio narrativo entre a imagem e o objeto’,  que Mac Adams eclode em contextos e narrativas diversas, carregadas de carga psicológica para tornar o vazio quase palpável”, comenta a curadora Anne-Céline.

“Toda a produção do artista obriga a pessoa a interrogar a veracidade de elementos que transitam entre a realidade e a ficção. Ao longo da exposição, o espectador é constantemente confrontado com dois instintos: o desejo de ver e as inquietações por ter visto”, explica Luiz Gustavo.

A exposição conta ainda com a participação de autores de diversas nacionalidades, convidados a escrever textos inspirados em algumas das obras escolhidas pela curadoria. Entre os autores, destacam-se a premiada escritora israelense Tal Nitzán e o poeta brasileiro radicado em Berlim Ricardo Domeneck.

Fios soltos: construção e desconstrução de uma arte narrativa

O artista estará presente no Centro Cultural Fiesp, no dia 17 de abril para ministrar a palestra Fios soltos: construção e desconstrução de uma arte narrativa. Em pauta estarão aspectos importantes de sua obra. A palestra também conta com a participação dos curadores Luiz Gustavo Carvalho e Anne-Céline Borey.

Para participar, é preciso fazer inscrição no site www.centroculturalfiesp.com.br. A entrada é gratuita.

 

Serviço:

Exposição Mens Rea: a cartografia do mistério

Artista: Mac Adams

Curadoria: Luiz Gustavo Carvalho e Anne-Céline Borey

Período expositivo: de 18 de abril a 8 de julho de 2018

Local: Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp (Avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Horário: de terça a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 10h às 20h

Agendamentos escolares e de grupos: 3146-7439

Grátis. Mais informações em www.centroculturalfiesp.com.br

 

Palestra Fios soltos: construção e desconstrução de uma arte narrativa

Com: Mac Adams, Luiz Gustavo Carvalho e Anne-Céline Borey

Data: 17 de abril (terça-feira)

Horário: 18h

Local: Mezanino do Centro Cultural Fiesp (Avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Capacidade: 50 lugares

Classificação indicativa: Livre

Grátis. Mais informações em www.centroculturalfiesp.com.br

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Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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