Uma reflexão política e social no País em “Aonde vamos?”

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Galeria Lume estreia coletiva com tom crítico e reflexivo
Com trabalhos de artistas de diferentes gerações, exposição curada por Paulo Kassab Jr. sugere reflexão acerca de questões políticas e sociais que assolam o País; Ana Vitória Mussi, Adolfo Montejo Navas, Tiago Tebet e Clara Ianni são alguns dos nomes que compõem a mostra

Frame de Bang, videoinstalação de Ana Vitória Mussi

Uma pausa em meio às intempéries sociais e políticas que tomam conta do País no momento presente. Uma lacuna com indagações para quem busca respostas. Como enxergamos os períodos de transição do passado e do presente? Essas são algumas das questões que conduzem a coletiva Aonde vamos?, exposição que a Galeria Lume realiza a partir de 1º de dezembro, com obras de artistas do corpo representado e também de convidados.

A mostra reúne trabalhos de

  1. Adolfo Montejo Navas,
  2. Ana Vitória Mussi,
  3. Clara Ianni,
  4. Ile Sartuzi,
  5. Kilian Glasner,
  6. Nazareth Pacheco,
  7. Ole Ukena e
  8. Tiago Tebet.

Direta ou indiretamente, as obras dialogam com o momento que o Brasil atravessa e, sem apresentar respostas, propõem uma série de indagações sobre a relação de uma intolerância crescente cultivada em nossa sociedade com hábitos de consumo fugazes e a imponência das redes sociais em nossas vidas.

“Enquanto nos adaptamos e reinventamos formas mais sustentáveis de conviver e compartilhar, o consumo e as redes sociais continuam a crescer como uma fonte de prazer quase orgástica.

Tudo se vende, tudo se compra, tudo se expõe, tudo se posta. As eleições tornaram-se concursos de popularidade em vez de serem um debate racional de propostas.

Enquanto isso, insuspeitos eleitores se deleitam com falsas notícias (fake news), posts revoltos e engajados, uma sucessão infinita de likes e deslikes, afirma  o curador, Paulo Kassab Jr.

“Vivemos um momento de reticência: a transição incerta entre dois governos temerários insinua uma sociedade que se instala entre a euforia e tristeza”

 

 

Ana Vitória Mussi

Ana Vitória Mussi (Laguna SC 1943). Artista visual. Estuda arte com Ivan Serpa e fotografia com Kaulino e Ricardo Holanda, no Senac, Rio de Janeiro. De 1979 a 1989, trabalha como repórter fotográfica. Estuda serigrafia com Dionísio Del Santo e Evany Cardoso na EAV/Parque Lage, entre 1989 e 1990. A partir desta data, retoma o trabalho de arte que utiliza a fotografia e também outros meios de reprodução de imagens.

Cenas de violência do passado e do presente se fundem nas projeções de Bang, videoinstalação da artista catarinense e radicada no Rio de Janeiro, precursora no uso da fotografia vinculada à linguagem audiovisual.

Neste trabalho, ela une a ficção à realidade ao intercalar cenas de filmes que retratam a Segunda Guerra Mundial, registros fotojornalísticos da guerrilha urbana que tem sobrevida nas favelas cariocas e ainda frames aleatórios e nem por isso menos significativos: o voo do avião de combate e o salto de um atleta olímpico do documentário de Leni Riefenstahl, cineasta alemã que ganhou notoriedade por seus filmes propagandas do governo de Adolf Hitler.

Clara Ianni

O trabalho de Clara Ianni (1987, São Paulo) é construído através do uso de diferentes mídias – vídeo, instalações, ações e textos. Graduou-se em Artes Visuais na Universidade de São Paulo. Clara é curadora do programa “Futuro da Memória – Poéticas de Memória e Esquecimento na América Latina”, junto com o Goethe Institute, e trabalhou como assistente do curador do Museu do Louvre, Regis Michel, e na 7 Bienal de Berlin, curada por Artur Zmijewski junto com Joanna Warsza e Voina.

Em War II, a paulistana Clara Ianni faz uma referência ao jogo de tabuleiro que divide jogadores entre continentes e seus respectivos exércitos. Nos seis painéis que compõem o trabalho, a identificação mais do que clara de um inimigo a ser, literalmente, destruído.

Nazareth Pacheco integra a exposição com duas das peças de Objetos Aprisionados, série de caixas que reúnem objetos e documentos de caráter autobiográfico, frutos de tratamentos médicos e estéticos a que a artista foi submetida durante a infância e adolescência. Aqui, os trabalhos chamam atenção justamente para a violência latente na busca incessante por um padrão de beleza socialmente estabelecido – dinâmica hoje reforçada pelas redes sociais. O modo de vida dedicado ao externo, à aparência, impõe padrões massacrantes e, de certo modo, inatingíveis. E uma vez que o mundo real não nos permite as correções de aplicativos como Facetune ou Airbrush, recorremos a cirurgias plásticas, tratamentos e remédios que se vendem como milagrosos.

Tiago Tebet

O artista paulistano traz AssimComoEuOuAssimComoVocê e Canalhada, trabalhos que apresentou em 2017, na coletiva Fábula, frisson, melancolia, no Instituto Tomie Ohtake. Tomando sua cidade como território, faz uso de uma arquitetura que diverge daquela que é ensinada nas universidades, reforçando um descompasso sem fim com um mundo que se especializou em consumir sonhos.

Ao artista, interessa o fazer passado de geração em geração. No primeiro dos trabalhos, por exemplo, sobre uma tela branca, padrões típicos de pinturas de casa. E sobre o painel que se diz parede, alguns rabiscos, que evocam aqueles que o cercam.

Serviço:
Aonde vamos? – coletiva com Ana Vitória Mussi, Adolfo Montejo Navas, Clara Ianni, Tiago Tebet, Ile Sartuzi, Nazareth Pacheco, Ole Ukena e Kilian Glasner

  • curadoria: Paulo Kassab Jr.
  • Local: Galeria Lume
  • Abertura: 1 de dezembro, sábado, das 13h às 18h
  • Período expositivo: de 1º de dezembro a 31 de janeiro
  • Endereço: Rua Gumercindo Saraiva, 54 – Jardim Europa, São Paulo
  • Visitação: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h | sábados, das 11h às 15h
  • Telefone: (11) 4883-0351

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