Galeria Raquel Arnaud inaugura três exposições

O evento conta com apresentações de Carlos Zilio, Júlio Villani e Raúl Díaz Reyes

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Obra Júlio villani
Caligrafia do Médico

Carlos Zilio – Fragmentos

Carlos Zilio (Rio de Janeiro, 1944) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Estudou pintura com Iberê Camargo no Instituto de Belas Artes e formou-se em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participou de algumas das principais exposições brasileiras da década de 1960 – Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira, por exemplo, e de mostras com repercussão internacional: a 9ª, 20ª e a 29ª Bienais de São Paulo (1967, 1989, 2010), a 10ª Bienal de Paris (1977), a Bienal do Mercosul (2005) e Tropicália, apresentada em Chicago, Londres, Nova York e Rio de Janeiro.

Ao privilegiar a pintura, o artista elege a reflexão sobre o ato de pintar como um dos seus principais temas. Partindo desse pressuposto, as nove obras selecionadas refletem seu enfrentamento com questões culturais e de linguagem pictórica. A cor, a densidade da tinta, o formato da tela são temas presentes e que o auxiliam na definição de sua produção.

Carlos Zilio
O delírio de Thales (prova dos nove), 1981, acrílica sobre tela
110 x 245cm

Em Delírio de Thales (1981) aparece o prazer da pincelada ou, como diz o artista, “uma outra possibilidade da geometria, como se o plano e a reta fossem transgredidos por curvas cromáticas que anulam os limites da tela numa continuidade incessante”, completa.

O que interessa ao artista é, sobretudo, a temporalidade que a pintura tem na história da arte. “Está no passado e no presente, permitindo sucessivas retomadas sempre carregadas de uma alta carga de expressão, e isso que me fascina”, completa Zilio. 

Júlio Villani – Alinhavai

Júlio Villani (Marilia, 1956) vive e trabalha entre Paris e São Paulo. Cursou artes Plásticas na FAAP, na Watford School of Arts de Londres e na École Nationale Supérieure des Beaux Arts de Paris. Seu trabalho foi apresentado em exposições no MAM de Paris, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador; SESC; Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Museo del Barrio, Nova York.

Em Alinhavai, Júlio Villani apresenta, além de pinturas (acrílica, carvão e kaolin sobre tela) e desenhos, bordados, objetos, esculturas, brinquedos e colagens que envolvem o espectador pela linha, algo tão presente e constante em sua obra.

Obra de Júlio Villani
Automate

A ideia de desequilíbrio permeia os trabalhos, de tal forma que, para o artista, a retirada de uma linha poderia levar ao desmoronamento de toda a estrutura. Estão presentes, também, os Tamboretes, esculturas de madeira que reapresentam em escala aumentada o que no início eram diminutas montagens de objetos. Segundo Samuel Titan, que assina o texto expositivo, os fios e linhas que Villani traça (estica, pendura, estende) servem antes para ligar (vincular, amarrar, enlaçar), para sugerir constelações de seres, formas, regiões da experiência que pareciam apartadas até então.

Raúl Díaz Reyes – Vocabulário para fixar vertigens

Raúl Díaz Reyes (Madri, 1977) vive e trabalha entre Madri e São Paulo. Em seu trabalho, a união que se estabelece com a arquitetura e a mistura de materiais nos fala das cidades em relação com seus habitantes como sistemas dinâmicos em constante movimento e alteração. Desta forma, não há limites dimensionais, nem leis técnicas: a fotografia é contemplada como uma escultura, e a pintura entra nela. Os resultados dessa reflexão sobre a cidade como lugar de interação e mudança questionam modelos de exibição, alteram códigos e geram novas paisagens com múltiplas possibilidades.

Especialista em gravura pela Escola de Arte nº10 de Madri, Reyes já teve seu trabalho exibido em diferentes lugares entre os quais se destacam, Ponce + Robles, Madri; Osnova, Moscou; Raquel Arnaud, São Paulo; LMCC (Lower Manhattan Cultural Council), Nova Iorque, 3 + 1 Arte Contemporânea, Lisboa; MATADERO MADRID, Madri; Pelaires, Maiorca; Ana Mas Projects, Barcelona; Círculo de Belas Artes, Madri; PIVÔ, São Paulo; Calcografía Nacional, Madri; Biblioteca Nacional, Madri; Emma Thomas, São Paulo; CENTRO CENTRO, Madri; Espacio DAFO, Lleida, + R Galeria, Barcelona; IED, Madri, Ele também participou de feiras internacionais de arte, tais como: ARCO, Madri; VOLTA, Basileia, SP Arte, São Paulo, PARC, Lima e Cosmoscow, Moscou.

Obra de Raúl Reyes
A cor das vogais

Em Vocabulário para fixar vertigens o artista espanhol apresenta objetos bidimensionais produzidos em acrílico colorido – azuis, pretos e vermelhos – que nascem a partir da junção de formas puras geométricas – triângulos, círculos e quadrados – em um procedimento que dá origem a novas configurações. O conjunto lembra uma espécie de glossário de ícones e logos que remete ao universo urbano e publicitário.

“As peças de Raúl encontram-se neste terreno, ‘entre’. São quase-pinturas, quase-palavras ou quase-letras que sintetizam e materializam signos presentes na cultura visual contemporânea, na sinalética das cidades e na história da arte. Nesta obra, cruzam-se referências ou contaminações sem citações explícitas e específicas de distintas épocas e procedências”, conclui Izabella Lenzi, que assina o texto expositivo.

Serviço

Galeria Raquel Arnaud

Abertura: 15 de junho, das 11h às 16h

Visitação: até 24 de agosto de 2019

De segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 12h às 16h.

Rua Fidalga, 125 – Vila Madalena

Telefone: (11) 3083-6322

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