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Mostra na Pinacoteca relembra as raízes do construtivismo no acervo do museu

A exposição ocupará o segundo andar do museu até 3 de fevereiro de 2020

Por Equipe Editorial - junho 24, 2019
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, apresenta, a exposição A linha como direção, que ocupa o segundo andar da Pinacoteca Estação.

Com curadoria do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do museu, a mostra apresenta 12 esculturas e relevos, pertencentes ao acervo da Pinacoteca, que tem em comum o fato de apoiarem-se no elemento geométrico da linha para criar sua espacialidade, retendo, de maneira direta ou indireta, alguns dos questionamentos propostos pelo construtivismo no início do século XX. A realização dessa exposição foi possível graças ao apoio da Lei de Incentivo à Cultura.

Escultura Pinacoteca

Em 1920, os construtivistas russos conceberam o Manifesto Realista no qual defendiam “a linha como direção”. O grupo entendia esse elemento geométrico, não como sua representação gráfica, mas como forma de pontuação das forças e dos ritmos escondidos nos objetos. Também buscavam combater o preconceito secular da impossibilidade de se separar o volume da massa de um objeto. Propunham também rejeitar “o volume como forma plástica do espaço” e “a massa como elemento escultórico”.

Eles tinham em mente os exemplos da engenharia – o trilho, a viga, o arco, o contraforte – e sua capacidade de aguentar cargas e tensões sem a necessidade de quantidades enormes de material; a forma como o espaço poderia ser ocupado e os possíveis vazios gerados. Refletiam sobre a ideia de uma escultura que se afastasse da imperiosidade do monumento para proclamar — como novos valores plásticos — a leveza, a transparência, os ritmos cinéticos, o movimento e o dinamismo.

Os trabalhos reunidos nesta exposição aludem alguns pontos defendidos dentro dessa proposta construtivista. Macaparana e Joaquim Tenreiro, por exemplo, criam volumes a partir do cruzamento das linhas ortogonais ou diagonais e formam tramas e grades que transformam a planaridade da linha em tridimensionalidade, por sua aproximação e adensamento.

Acervo Pinacoteca

Willys de Castro Luiz Hermano também operam com a modulação da linha e com ela sugerem volumes sucessivos ou alternados. Todos eles ocupam o espaço, tanto com cheios como com vazios, numa quase demonstração da possibilidade de separar o volume da massa de que também falavam os construtivistas. Sérvulo Esmeraldo joga com a nossa percepção virtual ao transformar a linha em plano e o uso da cor para sugerir cheios e vazios. Sérgio Sister, por sua vez, conhecido por seu trabalho em pintura, também aplica o elemento da cor para enfatizar as mudanças de ritmo na modulação das linhas retangulares de seus relevos.

Foram incluídos também na seleção curatorial, artistas que jogaram nova luz sobre a linhagem construtivista. Mari Yoshimoto utiliza-se das linhas quebradas e ásperas do arame farpado para construir esferas perfeitas. Ignez Turazza, Iole de Freitas e Erika Verzutti operam com a noção de uma linha que não pretende delimitar o espaço ou as forças nele atuantes, mas que se associa à especulação das coisas informes. “Essas artistas retiram sua graça justamente de seu caráter de risco, de quase-objeto – que pode ser completado pela vontade e fantasia, ou que se mantém para sempre em potência, no estado de esboço ou como vestígio, resto ou memória”, finaliza Fernanda Pitta, uma das curadoras do núcleo.

Acervo Pinacoteca

ARTISTAS PARTICIPANTES

  • Bené Fonteles (Bragança, PA, 1953)
  • Erika Verzutti (São Paulo, SP, 1971)
  • Iole de Freitas (Belo Horizonte, MG, 1945)
  • Joaquim Tenreiro (Beira Alta, Portugal, 1906 – Itapira, São Paulo, SP, 1992)
  • León Ferrari (Buenos Aires, Argentina, 1920 – 2013)
  • Luiz Hermano (Preaoca, CE, 1957)
  • Macaparana (Macaparana, PE, 1952)
  • Mari Yoshimoto (Santa Rosa do Viterbo, SP,1931 – São Paulo, SP, 1992)
  • Sérvulo Esmeraldo (Crato, 1929 – Fortaleza, CE, 2017)
  • Willys de Castro (Uberlândia, MG, 1926 – São Paulo, SP, 1988)
  • Sérgio Sister (São Paulo, SP, 1948)

SERVIÇO

A linha como direção

Curadoria do Núcleo de Pesquisa e Curadoria

Visitação: 15 de junho de 2019 a 3 de fevereiro de 2020

De quarta a segunda, das 10h às 17h30 – com permanência até as 18h

Pinacoteca: Estação – Largo General Osório,66 – 2º andar. Gratuita todos os dias.

Wifi livre para visitantes

Acesso para cadeirantes

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