Os espaços culturais do passado que devíamos visitar

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Espaços Ancestrais 1: Grupo Grimm

Eu penso em espaços e grupos culturais antigos como se fossem parentes antigos dos novos espaços, comparo eles à indivíduos que um dia serão apenas um retrato exposto e depois nem isso, caso não haja história física ou oral registrada.

Lembro aos leitores que temos um laço afetivo com o chão que pisamos, com os espaços que frequentamos, justo por que tudo isso tem um link profundo com a nossa memória individual, que se entrelaça com a nossa memória ancestral.

Então, se há algo que me incomoda é pensar na imagem dos museus e espaços culturais novos ou sobreviventes, e ao mesmo tempo lembrar do fato de que milhares de pessoas passam por exemplo, perto de um estacionamento ao lado de uma Travessa Belas Artes e ignoram que ela tem esse nome, por que esse espaço vazio é repleto de uma alma que não sobrou sequer o esqueleto, nesse caso uma das primeiras construções da Escola de Belas Artes no Rio. Ou se encaminhar para o MAC em Niterói, passar pela Boa Viagem e nunca ter ouvido falar no Atelier do Grupo Grimm.

No decorrer desta matéria eu econtrei nomes de galerias que eu não encontrei referencia alguma da localização, então fique sempre atento ao que vou chamar de Rotas Fantasma: O prédio que voce passa em frente pode ser um túmulo cultural, e voce não sabe, talvez jamais vá saber.

Aceito dicas e envios de “parentes mortos” da sua região, a intenção dessa série, é de um desesperado resgate, é para que possamos encher de flores os nossos mortos

Espaços Ancestrais 1: Grupo Grimm

Local de atuação: Niterói, Boa Viagem

Área de Atuação: Pintura paisagística

Período: 1884/1886 (com muitos frutos nos anos subsequentes)

Participantes: O mestre Johann Georg Grimm e seus seguidores Antônio Diogo da Silva Parreiras, Giovanni Battista Felice Castagneto, José da França Júnior, Francisco Joaquim Gomes Ribeiro, Hipólito Boaventura Caron e Domingos Garcia y Vasquez, além do assistente Thomas Driendl.

Rota Fantasma:

Estudio Grupo Grimm

estúdio grupo Grimm

Casa de Wilde (local de exposição no Rio de Janeiro, ficava na Rua 7 de setembro, n 102)

Glace Élégante (local de exposição não localizado)

Galeria Moncada (local de exposição não localizado)

Salão Insley Pacheco (local de exposição não localizado)

Casa Vieitas (local de exposição)

Personagem feminino que falta informações: Abigail de Andrade, nascida em 1864Expôs na Exposição Geral de Belas Artes, recebeu medalha de ouro junto aos grandes nomes do grupo, porém, tendo engravidado de um dos professores, precisou partir para a França e lá morreu aos 26 anos de idade. A seguir um de seus quadros.

Abigail de Andrade, 1885

Tudo começou numa exposição realizada em 1882 no Liceu de Artes e Ofícios, organizada por Francisco Joaquim Bittencourt da Silva (1831-1911), que criou a Sociedade Propagadora das Belas Artes (SBPA) para manter tal escola de ensino popular.

Liceu

Foi neste ano, na época ainda professor da AIBA (Academia imperial de Belas Artes), Georg Grimm participou de uma exposição contendo 128 quadros de sua autoria, que lhe deu grande notoriedade. Tal notoriedade fez com que a família imperial o convidasse para ocupar a cadeira de pintor oficial de “paisagem, flores e animais”, sucedendo Victor Meirelles (1832 – 1903) e Zeferino da Costa (1840 – 1915).

O convite o deu segurança para ir contra a Academia e finalmente ir pintar ao ar livre, pois nesta época a academia se sujeitava a pintar paisagens apenas dentro dos ateliers (onde o ensino de paisagens foi extinto em 1890 justo pela negação da pintura ao ar livre).

academia imperial de belas artes

Apesar da insatisfação da AIBA, em 1884 na Exposição Geral de Belas Artes no Rio de Janeiro, Grimm e seus alunos são premiados pelas suas paisagens iluminadas. Foi o momento de ruptura, e a sorte do município de Niterói, onde Grimm estabeleceu seu ensino com pinturas ao ar livre.

Formou-se o Grupo Grimm, esses pintores se reuniam entre outros lugares de Niterói, na Praia da Boa Viagem, conta-se que o estímulo à subsistência do grupo era um dos grandes predicados do mestre, que cultivava uma filosofia comunitarista, na qual os ganhos sustentavam mantimentos e materiais para o uso em comum.

Em 1886 Grimm se muda para Teresópolis e o grupo se dispersa, mas tudo que se vê, ou que se lê sobre esses dois breves anos e as consequências na vida dos pintores do grupo, são um marco na história do paisagismo brasileiro.

Antonio Parreiras por Sylvio Fraga Neto – Série História Oral / Museu Antonio Parreiras

Históricos de seus componentes:

Johann Georg Grimm (Immenstadt im Allgäu (“Algovia”), 22 /04/1846 — 24/11/1887) foi um pintor, professor, desenhista e decorador alemão que viveu e trabalhou alguns anos no Brasil.

Veja aqui toda a sua carreira

https://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Grimm

Antônio Diogo da Silva Parreiras

Niterói (onde ainda se encontra o seu Museu), 20/01/1860- 17/20/1937- pintor, desenhista, ilustrador, escritor e professor brasileiro.

Em 1886 D. Pedro II adquiriu 2 obras do pintor, neste período ele passava por dificuldades financeiras e foi então que, com base em acordos, conseguiu a venda de algumas de suas obras à Academia, em troca de, quando retornasse ao Brasil, lecionasse algumas aulas sem a necessidade de receber salário. Na França montou seu próprio ateliê e quando voltou cumpriu o acordo e se tornou professor de paisagem na Academia.

Giovanni Battista Felice Castagneto

(Gênova, 27/11/1851 — 29/12/1900) foi um marinheiro, pintor, desenhista, professor e restaurador nascido na Itália

Permaneceu Georg Grimm pelos 2 anos quando trabalhou junto ao pintor e ajudou-o a estabelecer o estúdio do Grupo Grimm na praia de Boa Viagem, em Niterói, se tornando o primeiro membro do grupo. Em 1986 Castagneto começou a lecionar no Liceu de Artes e Ofício do Rio de Janeiro (Niterói) e expôs na La Glace Élégante.

Referência física sobrevivente em Niterói https://www.facebook.com/MuseuAntonioParreiras

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