Dinheiro triturado é a matéria prima para obra de artista plástico argentino

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Qual a exposição? “Quimera”, de Pablo Boneu, com curadoria de Jully Fernandes.

Quem é o artista? O artista plástico Pablo Boneu nasceu em Córdoba, na Argentina, em 1969. Autodidata, sua produção artística é bastante heterogênea e ligada à fotografia, desenho e video. Seus trabalhos já foram expostos em diversos museus e galerias da Argentina e México, ainda que seu principal interesse seja as intervenções em espaços públicos.

O que terá a mostra? A exposição terá 12 fotos de murais criados pelo artista a partir de colagens de tiras de notas de dinheiro; o livro “Instrucciones para destruir dinero”, onde o artista narra o dia a dia do processo criativo e apresenta suas reflexões surgidas nesse período; e a máquina, “Money Destroyer”, criada por Pablo Boneu especialmente para este fim – durante a exposição, os visitantes poderão testar a máquina de Boneu.

Sobre o espaço: Fundada em 1999 por Jully Fernandes, a Galeria de Babel consolidou seu papel no cenário brasileiro de artes plásticas, sendo a primeira a trabalhar exclusivamente com fotografia.

Período expositivo: De 10 de junho a 31 de julho

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Na tradição grega, Quimera era um monstro de aparência híbrida, que reunia partes de diferentes animais, para nós é sinônimo de ilusão, sonho impossível. Para o artista, Pablo Boneu, sua Quimera é feita de colagens com restos de notas (todas em circulação) de diversos países trituradas por sua máquina feita especialmente para isso e a partir daí remontadas, compondo novos sentidos e formatos.

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A ideia da obra teve origem há dez anos, quando o artista pediu mil dólares emprestados a um amigo para sair da Argentina. Ao regressar, Pablo foi pagar a dívida, mas o amigo dizia não se lembrar dela. Boneu começou, então, a pensar como poderia retribuir tal favor. A solução encontrada foi transformar o dinheiro em algo que tivesse significado para o amigo. Assim surgiu a ideia de converter mil dólares em uma obra de arte: um mural de 4,2 metros de comprimento e 2,7 de altura.

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As criações de Boneu questionam o que é o dinheiros hoje e propõem resignificar seu valor, subvertendo a ordem vigente que, segundo o artista, contribui para confundir o verdadeiro valor que as coisas possuem. “Quando você tritura as primeiras notas, se dá conta que elas não passam de papeizinhos”, reflete o artista.

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