mercado

O obscuro negócio das galerias de arte

Por Paulo Varella - maio 17, 2019
1522 0
Pinterest LinkedIn

No mercado de arte, são as galerias que constroem e protegem o mercado de arte.

Com poucas exceções, se não existissem os negociantes de arte, muito menos teria se produzido de arte no mundo. Artistas teriam abandonado as suas carreiras antes mesmo de se tornarem famosos.

Mas então, como funciona esta relação entre galeristas e artistas?! O mercado de arte está baseado em talento ou habilidade em gerar negócios?

“Ser bom nos negócios é a forma mais fascinante de arte”

Andy warhol

Personal Branding: andy-warhol

Como este mercado funciona?

Em poucas palavras, os galeristas e negociantes vendem a arte proveniente dos ateliês dos artistas, no que se chama de mercado primário. Em alguns casos, elas também as vendem no mercado secundário, que é quando a arte que foi comprada ou pertenceu a alguém antes.

Os contadores de história

No mercado de arte, quanto mais história uma obra tem, mais valor potencialmente ela ganha. Além da história por trás da obra, existe também a história por trás de quem a comprou anteriormente.

As pessoas se sentem mais confiantes se uma obra já foi comprada e principalmente por quem foi comprada.

Os 3 tipos colecionadores de arte

Existem basicamente 3 razões porque as pessoas compram arte

 

  1. Amor genuíno
  2. Investimento
  3. Para aumentar o seu lugar na sociedade (moeda social)

Cabe ao galerista coletar a maior quantidade de informações relevantes sobre um artista e sua obra para poder criar um valor sobre a “marca”. Para isto ele pode pedir a ajuda de estudiosos no assunto para validarem este discurso.

Por que colecionadores compram arte?

Em 1975, Andy Warhol disse o seguinte:

“Eu gosto de dinheiro na parede. Digamos que você fosse comprar uma pintura por US$ 200.000.
Eu acho que você deveria pegar o dinheiro, amarrá-lo e pendurá-lo na parede.
Então, quando alguém fosse te visitar, a primeira coisa que eles veriam seria o dinheiro na parede. ”

Mas como tal investimento poderia ser valorizado?

Quem iria quer Andy como galerista?! Ele não entendia o funcionamento o índice de preços de varejo (ou somente adorava ser sarcástico). A razão em comprar uma pintura cara é que seu preço magicamente tem grandes chances de se tornar mais valioso no futuro.

O preço da obra supostamente reflete uma interação entre oferta e demanda: uma equação da quantidade a ser fornecida e a demandada.

Os economistas clássicos como Adam Smith se depararam com o mercado de arte enquanto desenvolviam teorias de valor e formação de preços e todos eles concordaram que se tratava de uma exceção que ia além dos limites de suas teorias.

Uma análise sociológica recente dos mecanismos de preços no mercado de arte contemporânea, baseado em entrevistas aprofundadas com negociantes de arte em Nova York e Amsterdã, descreve duas normas de preços: uma inibe os comerciantes de arte de diminuir os preços; a outra os induz a definir preços de acordo com o tamanho.

A definição de preços não é apenas um ato econômico, mas também significativo. 

Apesar de suas conotações impessoais e comerciais, os negociantes expressam uma série de significados culturais através dos preços.

Preços, diferenças de preços e mudanças de preços transmitem significados múltiplos relacionados à reputação dos artistas, ao status social dos galeristas e à qualidade das obras de arte que são comercializadas. (Velthuis, 2003)

O modelo de negócios de Leo Castelli

Imagine que você leve aqueles 200 mil dólares (que Warhol falou) a uma galeria para comprar uma pintura de um artista famoso. Chegando lá você acha o que estava procurando, mas recebe a má notícia de que ela não está disponível para você pois está reservada para um colecionador famoso que possui conexões com um museu.

Leo Castelli, o galerista de Warhol, foi um dos primeiros que entendeu que para quem uma obra de arte é vendida é mais importante de por quanto ela é vendida.

Para o negócio de uma galeria de arte, onde uma obra será exposta é extremamente importante para a carreira de um artista.

A maioria dos galeristas de sucesso usaram o modelo de Castelli, sabendo que um museu pode ajudar um artista a superar quaisquer tendências e apostas no mercado.

Leo Castelli-Ivan Karp-Andy Warhol-Sam Falk-NYT

O novo modelo de negócios

O modelo de negócio de Castelli está cada vez menos possível, pois as galerias não tem conseguido manter um acervo tão grande de obras tão caras e nem os grandes compradores influentes estão tão disponíveis ultimamente, isto sem falar da velocidade da informação que vem redefinindo todos os setores da sociedade.

Vender arte e manter uma galeria é um negócio cada vez mais caro.

Para poder competir elas precisam inovar. Encontrar novos colecionadores, expandir através da tecnologia ou descobrir o próximo grande artista.

As galerias estão perdendo vendas para a internet e já estão reconhecendo a necessidade de ter uma presença online. Neste processo, algumas veem mais valor no mercado online do que outras.

O comportamento dos compradores está mudando. O valor das obras que as pessoas compram na internet está subindo. Há alguns anos atrás ninguém compraria algo acima de 5 mil. Hoje este valor está acima 25 mil.

Ja sobre o valor daquilo que está pendurado na sua parede, somente o tempo vai dirá.

As pessoas normalmente confundem qualidade e preço. Seria muito fácil se fosse assim. Infelizmente este assunto é contra-intuitivo.

Referências:

 

 

Deixe um comentário

avatar
  Inscrever  
Notificar de