Trecento (séc. XIV) – Neoclássico

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(políptico de Giotto – Pinacoteca Nazionale, Itália)

Neoclássico – Trecento (séc. XIV)

O Trecento representa a preparação para o Renascimento e é um fenômeno basicamente italiano, mais especificamente da cidade de Florença, polo político, econômico e cultural da região, embora outros centros também tenham participado do processo, como Pisa e Siena, tornando-os a vanguarda da Europa em termos de economia, cultura e organização social, conduzindo a transformação do modelo medieval para o moderno. Acontece durante todo século XIV, e antecede o que se chama de Quattrocento, a primeira fase do Renascimento. É basicamente um seguimento da arte bizantina, pois muitas de suas características vieram dessa época da arte.

A pintura do período mostra vários trípticos e usa simples folhas de ouro que representam o caráter de Deus. As paredes dos monastérios da Toscana estão decorados com afrescos desta época. Entre os florentinos especializados em afrescos, destaca-se o nome de Giotto, a quem se atribuem as soberbas obras da Cappella degli Scrovegni e a série sobre a vida de São Francisco de Assis. Giotto inaugura a tridimensionalidade da arte mural, dando assim corte radical com a arte bizantina e abrindo caminho para o Renascimento.

A economia era dinamizada pela fundação de grandes casas bancárias, pela noção de livre concorrência e pela forte ênfase no comércio, e cada vez mais se estruturava em moldes capitalistas e bastante materialistas, onde a tradição foi sacrificada diante do racionalismo, da especulação financeira e do utilitarismo. O sistema de produção desenvolvia novos métodos, com uma nova divisão de trabalho organizada pelas guildas e uma progressiva mecanização, mas levando a uma despersonalização da atividade artesanal. A Itália nesta época era um mosaico de pequenos países e cidades independentes. O regime republicano com base no racionalismo fora adotado por vários daqueles Estados, e a sociedade via crescer uma classe média emancipada intelectual e financeiramente que se tornaria um dos principais pilares do poder e um dos sustentáculos de um novo mercado de arte e cultura.

O início do século vive intensas lutas de classes, com prejuízo para os trabalhadores não vinculados às guildas, e como consequência instala-se grave crise econômica, que tem um ponto culminante na bancarrota das famílias Bardi e Peruzzi em torno de 1328-38, gerando uma fase de estagnação que não obstante levaria a pequena burguesia pela primeira vez ao poder.
Esta situação é comentada depreciativamente pelos poetas célebres da época – Boccaccio e Villani – mas constitui a primeira experiência democrática em Florença, durando um intervalo de cerca de quarenta anos. Tumultos políticos e militares, além de duas devastadoras epidemias de peste bubônica, provocam períodos de fome e desalento, com revoltas populares que tentam modificar o equilíbrio político e social, mas só conseguem assegurar a permanência dos burgueses à testa do governo. Os Médici, banqueiros plebeus, assumem a liderança da classe mas logo se revestem da dignidade da nobreza e um sistema oligárquico volta a dominar a cena política, muitas vezes se valendo da corrupção para atingir seus fins, mas também iniciando um costume de mecenato das artes que seria fundamental para a evolução do classicismo no século seguinte.

Na religião a mudança foi assinalada pela busca, amparada pela ciência, de explicações racionais para os fenômenos da natureza; por uma nova forma de ver as relações entre Deus e o homem, e pela ideia de que o mundo não deveria ser renegado, mas vivenciado plenamente, e que a salvação poderia ser conquistada também através do serviço público e do embelezamento das cidades e igrejas com obras de arte, além da prática de outras ações virtuosas. Deve-se frisar que mesmo com a crescente influência clássica, que era toda pagã na origem, o Cristianismo jamais foi posto em xeque e permaneceu como um pano de fundo ao longo de todo o período, criando-se a síntese original que conhecemos hoje.

 

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