A terça Aberta no Kasulo

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Vomain Mamvoin, de Gervásio Bras

Dois trabalhos intimistas compõem a edição de outubro (dia 9, às 20h) da Terça Aberta no Kasulo: o primeiro, “Réquiem para uma Face Perdida”, solo criado por Raymundo Costa e interpretado pela bailarina  Fernanda Bueno, lida com o exato momento em que recebemos uma má notícia, seja de morte, de perda ou decepção; o segundo, “Vomain/Mamvoin”, do ator e bailarino Gervásio Bras, narra o percurso entre dois mundos – do belo ao tenebroso – na vida de uma mulher em constante busca de sua maternidade dilacerada.

Em “Réquiem para uma Face Perdida”, Raymundo Costa tem como inspiração o filme alemão “Notturno”, de Fritz Lehner, sobre os últimos anos de Franz Schubert, e o Adágio do Quinteto para Cordas, que ele compôs com a saúde já debilitada, pouco antes de morrer de sífilis. A intérprete Fernanda Bueno colaborou na criação do trabalho e no figurino; o desenho de luz é de Sueli Matsuaki.

No solo de dança e teatro “Vomain/Mamvoin”, Gervásio Braz mostra a jornada da vida de uma mulher em um só espaço e muitos tempos; a ausência constante de sua cria imaginária, que por vezes é ela mesma, a faz transgredir para o lado mais primitivo e grotesco, impelir o mundo com o próprio corpo e também destruí-lo ou destruir a si mesma.

Em um corpo masculino, se faz possível  um encontro com as ancestrais femininas – bisavó, avó, mãe – e outras mulheres presentes no imaginário coletivo. Vagner Cruz colabora na trilha sonora, e Viviane Bezerra, na iluminação.

A ação, proposta pela Cia Fragmento de Dançaque teve início em 2016, e em 2017 recebeu o Prêmio Denilto Gomes, na categoria “Difusão em Dança”, realizou 18 edições, apresentando um total de 48 criações em dança, teatro e performance, de artistas que desejavam compartilhar seus processos colocando-os em debate.

Em cada terça-feira mensal, uma média de três trabalhos dividiram as noites e trocaram impressões entre si e com o público, sob a mediação das curadoras Janaína Leite (atriz do Grupo XIX de Teatro) e Vanessa Macedo (bailarina e diretora da Cia Fragmento de Dança).

A Terça Aberta no Kasulo acolhe trabalhos de dança, teatro e performance, inéditos, já estreados ou ainda em processo, em meio a um bom papo entre os artistas, com a participação do público e mediação das curadoras Vanessa Macedo, bailarina e diretora da Cia Fragmento de Dança, que concebeu o projeto, e Janaina Leite, atriz do Grupo XIX de Teatro.

Durante todo o evento, comidinhas são preparadas pelos integrantes da Cia Fragmento de Dança e vendidas no bar do Kasulo – Espaço de Cultura e Arte, sede da Cia que recebe as edições do projeto.

A ação integra o projeto “Dança Depoimento em contágio”, contemplado pelo 24º edital do Programa de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

A entrada é gratuita.

Serviço:

Terça Aberta no Kasulo, proposta da Cia Fragmento de Dança.

Dia 9/10, terça-feira, às 20h.

Com: “Réquiem para uma Face Perdida”, de Raymundo Costa, com interpretação de Fernanda Bueno, e “Vomain/Mamvoin”, de Gervasio Braz.

Kasulo – Espaço de Cultura e Arte

(Rua Souza Lima, 300, Barra Funda, Metrô Marechal Deodoro – Linha Vermelha – Tel: 11 3666 7238).

     Capacidade: 40 lugares

     Ingressos: Grátis (retirada a partir das 19h até 19h40; ail

Duração: 90 min. | Classificação Indicativa: 16 anos

Fichas técnicas dos trabalhos:

“Réquiem para uma Face Perdida”

Coreografia e Figurino: Raymundo Costa com a colaboração da intérprete | Intérprete: Fernanda Bueno | Música: Franz Schubert – Adágio do Quinteto em Dó | Desenho de Luz: Sueli Matsuzaki

Links:

 Vomain/Mamvoin

Criação, Direção, Iluminação e Figurino: GervásioBraz | Colaboração de trilha sonora: Vagner Cruz | Operação de Luz: Viviane Bezerra

Um pouco dos artistas

Raymundo Costa

Integrante do Balé da Cidade de São Paulo desde 1980, onde atuou como bailarino, coreógrafo, professor, assistente de coreografia e de direção, na Cia 2 de 2001 a 2009, e hoje coordena o Acervo e Projetos Didáticos, Raymundo Costa dançou no Ballet Schindowski, em Gelsenkirchen,  na Alemanha  de 1983 a 1987. Coreografou para diversas companhias em São Paulo, pelo Brasil e em Nova Iorque, onde dançou e estudou pedagogia e técnicas de dança contemporânea, para óperas e ministrou aulas de consciência corporal para os Corpos Artísticos do Theatro Municipal de São Paulo. Recebeu o Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Artes – de melhor bailarino em 1995.

Gervásio Braz

De Recife, o ator e bailarino Gervásio Braz é licenciado em artes cênicas pela UFPE (Universiade Federal de Pernambuco). Integrou o grupo de teatro João Teimoso, dirigido por Oséas Borba Neto, de 2005 a 2008. Desenvolveu trabalhos teatrais também com os diretores José Pimentel, Carlos Carvalho, Kleber Lourenço e Emanuel Matheus. Como bailarino, foi integrante da Compassos Cia. de Danças (PE), no período de 2006 a 2015, e a Cia. Corpos Nômades (SP), dirigida por João Andreazzi, de 2015 a 2018. Trabalhou com os coreógrafos Raimundo Branco, Ivaldo Mendonça, Kiran de Souza e Luiz Roberto da Silva. Recebeu o Prêmio APACEPE 2014/2016,  como  melhor bailarino, pelo Festival Janeiro de Grandes Espetáculos.

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