As Guerras Desconhecidas em Santos

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Foto: Fernando Solidade

Companhia Estudo de Cena realiza apresentações do projeto Teatro e Memória em Santos

Nos próximos dias, a Companhia Estudo de Cena apresenta dois espetáculos diferentes na cidade de Santos e convida a população a uma viagem no tempo e na história. O grupo retrata importantes conflitos brasileiros do século vinte e revisita uma parte da história brasileira pouco conhecida.  

Foto: Fernando Solidade

Estudo de Cena se apresenta na Praça dos Andradas e no Parque Roberto Mário Santini em Santos

Nos próximos dias, a Companhia Estudo de Cena chega ao litoral para apresentar dois espetáculos diferentes na cidade de Santos. No dia 15 de junho, às 19h00, o grupo apresenta o espetáculo Guerras Desconhecidas na Praça dos Andradas. E no dia 16 de junho, é a vez de apresentar o espetáculo A Farsa da Justiça, no Parque Roberto Mário Santini, que fica no Posto 1.

Com essas apresentações o grupo inicia seu novo projeto chamado “Teatro e Memória“, que convida a população das cidades por onde vai passar, para uma viagem no tempo, relembrando conflitos sociais e guerras brasileiras que não aparecem na história oficial de nosso país.

Foto: Fernando Solidade

“Nosso teatro narra histórias de revoltas populares que não são lembradas pela história oficial do país, mas que pertencem ao imaginário coletivo de parte do povo brasileiro e retratam a diversidade de nossa cultura. Nesse contexto, esse projeto é um convite à memória social, para que através dela possamos refletir sobre o nosso presente.” – complementa Diogo Noventa, diretor e dramaturgo da Companhia.

A temporada de circulação do projeto “Teatro e Memória” da Companhia Estudo de Cena será realizada de Junho à Agosto, com apresentações confirmadas nas cidades de Santos, Pindamonhangaba, Guararema, Cajati, Presidente Prudente, São Paulo e ABC Paulista. Os espetáculos apresentados serão Guerras Desconhecidas e A Farsa da Justiça.

O espetáculo Guerras Desconhecidas é apresentando em uma “Barraca de Cena”, um teatro mambembe realizado em uma estrutura de ferro e lona, com cerca de trinta e seis metros quadrados. Com essa barraca, o grupo já se apresentou em lugares emblemáticos para a criação do espetáculo. Em uma temporada especial pelo sertão, o grupo visitou feiras, praças e universidades das cidades de Juazeiro, Canudos, Uauá e Euclides da Cunha, na Bahia e Alagoa Grande, Itabaiana e João Pessoa, na Paraíba. Além de ter realizado vinte apresentações experimentais em dez feiras livres diferentes da cidade de São Paulo.

As cenas realizadas remetem o público a três guerras brasileiras que não aparecem na história oficial do país: a Guerra do Pau de Colher, a Guerra de São Bonifácio e a Guerra do Quintino Gatilheiro. A fonte de pesquisa dessas histórias foi o caderno “Guerras desconhecidas do Brasil” escrito pelo jornalista Leonencio Nossa e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em dezembro de 2010.

Foto: Fernando Solidade

Guerras Desconhecidas faz alusão também a escritos dos palestinos Edward Said e Mahamud Darwich, do peruano Aníbal Quijano e do poeta da Martinica, Aimé Césaire. Composto por diferentes recursos, o espetáculo é referenciado em jogos, brincadeiras populares e pantomimas.

Criado em 2013, Guerras Desconhecidas, é um espetáculo de variedades que estreou em 2014. Tem como tema central conflitos sociais da história do Brasil, essas demonstrações coletivas de luta por uma vida digna e por respeito à diversidade cultural brasileira. Com ele, o grupo recebeu o Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro na categoria de “Grupo Revelação do Estado de São Paulo”.

O segundo espetáculo a ser apresentado nesta temporada de circulação é A Farsa da Justiça, que narra o julgamento fictício de um sobrevivente real do Massacre de Eldorado dos Carajás, Inácio Pereira, que se fingiu de morto para salvar a vida. O fato que ficou mundialmente conhecido como O Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorreu em 1996 na estrada PA-150, no sul do estado do Pará.

No dia 17 de abril daquele ano um grupo de trabalhadores sem terra interditou a estrada em ato pela reforma agrária. A polícia militar agiu com extrema violência, matando oficialmente 19 trabalhadores e deixando 71 feridos. Entre os feridos estava Inácio Pereira, que se fez de morto, foi jogado no caminhão dos corpos e se revelou vivo apenas quando chegou ao Hospital de Eldorado dos Carajás. Posteriormente 02 feridos faleceram, totalizando 21 mortos. O dia 17 de abril se tornou a data mundial da luta pela terra.

No ano de 2005, a peça A farsa da Justiça Burguesa foi criada pela Brigada Nacional de Teatro do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) sob a coordenação de Augusto Boal, para ser apresentada na Marcha Nacional pela Reforma Agrária de 2005. Durante o evento, a apresentação do espetáculo aconteceu em meio a forte repressão policial, que tentou dispersar as pessoas com uso da Cavalaria, helicópteros e a Tropa de Choque. Por conta de sua estrutura, a peça não foi mais retomada pelo MST.

Em 2012, a Companhia Estudo de Cena retomou e adaptou a peça rebatizando-a de A farsa da justiça, com o objetivo de apresenta-la nas ruas e espaços de reflexão crítica. O grupo montou então o espetáculo de rua A farsa da justiça, uma adaptação do texto criado pela Brigada Nacional de Teatro do MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, com coordenação dramatúrgica de Sérgio de Carvalho.

A Estudo de Cena, grupo de teatro e vídeo, trabalha em processos artísticos que são definidos por temas que contribuem com o debate sobre as condições atuais da vida. Unindo experimento de linguagem e temas críticos o grupo atua em parceria com movimentos sociais no sentido de fortalecer a resistência popular do campo e da cidade, e expandir a pesquisa da arte contra-hegemônica.

Com esta Temporada de Circulação o grupo convida toda a população para participar desse momento de troca e de valorização à memória, e à cultura brasileira. As ações fazem parte do projeto Teatro e Memória, contemplado pelo edital 09/2017 do PROAC Circulação de espetáculo de Artes Cênicas para Rua no Estado de São Paulo.

Se você mora no Litoral, aproveite para assistir as apresentações e conhecer o trabalho do grupo. Mais informações em: www.facebook.com/Companhia-Estudo-de-Cena

Espetáculo: Guerras Desconhecidas

Quando: dia 15 de junho de 2018 – Horário: 19hs

O espetáculo apresenta ao público três guerras brasileiras que não aparecem na história oficial do país. O espetáculo é composto de um prólogo e três atos: Guerra do Pau-de-Colher, Guerra de São Bonifácio e Guerra do Quintino Gatilheiro. A narrativa é conduzida por Lampião, Zapata, Pantera Negra e Santa Dica, personagens do imaginário social do nosso continente. Para a criação a Estudo de Cena teve como base o caderno “Guerras Desconhecidas do Brasil” escrito pelo jornalista Leonencio Nossa e a construção de um teatro mambembe, a Barraca de Cena, montada em feiras, praças e ruas.

Onde: Praça dos Andradas – Santos

Duração: 90 minutos – Indicação etária: 14 anos – Grátis

Espetáculo: A Farsa da Justiça

Quando: Dia 16 de junho de 2018 – Horário: 16hs

Nessa comédia trágica um tribunal é montado. Na seção um sobrevivente do Massacre de Eldorado dos Carajás, Inácio Pereira, que se fingiu de morto para garantir a vida, é julgado e condenado por negar o justo heroísmo.

Onde: Parque Roberto Mário Santini – Emissário Submarino – Posto 1, Av. Pres. Wilson, S/N – José Menino, Santos

Duração: 45 minutos – Indicação etária: 14 anos – Grátis

Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini – Cel: (11) 99568-8773 – lucigandelini@gmail.com

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Estudou cinema na NTFS( UK), Administração de Empresas na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil desde então. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil: Um local para unir pessoas com um mesmo interesse, a arte contemporânea. Faz o contato e organiza encontros com os curadores, artistas e colecionadores que representam o conteúdo do qual falamos no Arte Ref

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