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Monolux no MAM/RJ

março 17 - junho 17

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura no próximo dia 17 de março de 2018, a exposição “Monolux”, com 28 obras inéditas do fotógrafo Vicente de Mello. Com curadoria do poeta Eucanaã Ferraz, a mostra reúne fotogramas, “imagens singulares, simples impressões construídas pela velatura da luz direta que ocorre pelo contato de objetos sobre a superfície do papel fotográfico”. “Vicente de Mello retoma o procedimento, dando a ele um caráter pessoal. Em vez de arranjos estritamente formais ou de avizinhamentos aleatórios, cria “relâmpagos narrativos”. Iluminações. Imagens que, não sendo literárias, ou literais, guardam fragmentos narrativos em sua origem, reduzidas ao mínimo, à condição de peças de um jogo. Especificamente, de um jogo da memória”, observa o artista.

 

Vicente de Mello explica que diante da “desconcertante reprodutibilidade na prática social, onde a imagem se tornou um fluxo permanente que deságua nas redes sociais em uma profusão nunca antes vista”, buscou a natureza primeira da fotografia: os fotogramas. Os fotogramas “são fotografias sem câmera e sem negativo, uma antítese do impalpável e imensurável universo de pixels”. “Agradava-me a ideia de pensar que tanto a luz quanto os objetos exerciam uma ação tátil de clara composição ambígua sobre o papel, resultando em um fato fotográfico de força enigmática”, explica.

 

Fotógrafo educado a “reconhecer o ato fotográfico como uma ação de foro pessoal, autoral, profissional, da procura da imagem perfeita, singular, carregada de significados implícitos”, Vicente de Mello conta que buscou entender e lidar com esta nova situação, em que a tecnologia “esgarçou no século 21 as fronteiras da captação e da pluralidade de imagens”.

 

“No meio da constatação desta espetacular hecatombe de imagens, senti que, eu mesmo já estava há anos convivendo com um grande manancial de imagens editadas, conhecidas, exibidas, adquiridas, publicadas, além das arquivadas que nunca chegaram a outros olhos”, conta Vicente de Mello. “Essas imagens formavam o ‘cosmos’ da minha propriedade como autor, ainda a ser descoberto e revisto em múltiplas análises, recortes e inserções”. Ele ressalta que não considera ter esgotado sua percepção, mas que precisava “retornar a um pensamento em que pudesse construir, dominar, e que ele fosse único, sem a possibilidade de estar, enquanto original, em vários lugares”. “Um novo estatuto da fotografia, sem freio”, afirma.

 

Vicente de Mello reconhece que ao reproduzir digitalmente as imagens dos fotogramas, e elas forem lançadas nas redes, “todo mundo terá acesso, enquanto o original não poderá ser duplicado”. “Para conhecer o original será preciso que o olho humano esteja em frente a ele”, diz.

 

TELESCÓPIO JAPONÊS

O título da exposição, “Monolux”, vem da lembrança de Vicente de Mello do nome de um telescópio japonês de uso amador dos anos 1970, e “pelo fato físico de que, para imprimir os fotogramas, uma única fonte de luz é utilizada: a lâmpada da cabeça do ampliador”.

 

“Os fotogramas abandonam a materialidade do negativo, para lidar com a materialidade da luz, e a experimentação é a força orientadora, a âncora na imaterialidade da imagem”, diz. “O princípio do fotograma é o avesso do que está por cima do papel fotográfico, é o nexo entre a materialidade dos objetos e seu volume nulo, em fundo-abismo”.

 

O artista explica que os materiais utilizados têm uma relação particular entre si: “vieram das minhas coleções de madeira, de itens fotográficos, de coisinhas acumuladas que achei na rua, que comprei no mercado de pulgas, de objetos de uso doméstico e as que criei, exclusivamente, para configurarem como formas reconhecíveis”.

 

Na impressão dos objetos, dentro do retângulo de 50cm x 60cm, “todas as modulações, tentativas e acidentes foram às cegas”, conta ele. “O laboratório precisa estar em completa escuridão e somente uma luz vermelha (que não revela o papel virgem) permeia o ambiente para guiar a colocação dos objetos. O que vejo nos fotogramas é que a forma impressa não respeita a gravidade, tudo flutua e parece entrar em orbita, em um infinito impalpável. Não estou reinventando a pólvora”.

 

O artista comenta que as proposições de seus fotogramas, se baseiam em duas interpretações – uma na literatura italiana e outra na brasileira – que lhe agradam “aos olhos e mente”:

 

“Umberto Boccioni (1882 – 1916), que desde o texto do manifesto técnico da pintura futurista, afirmava que era fundamental estabelecer uma relação de complementariedade entre a observação do mundo fenomênico, o indelével que só existe em nossa mente e o que se manifesta por meio da recordação. A meu ver, ele queria atribuir importância à capacidade de se recorrer às recordações individuais, e por meio da ‘intuição e estado da alma’ constituir o fazer artístico.

 

A outra interpretação de que gosto é a uma fala em “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa (1980-1967) que contextualiza as referências das imagens dos meus fotogramas: “O que lembro, tenho!”. A relocação dos objetos no pré-table top, foram fundamentais para transcender o representado, o que via na composição realizada a olho nu, das imagens que tinha em mente, não eram o resultado em preto e branco, após o laboratório. Olhava para as composições e pensava: ‘vocês perderão a posição de protagonistas e entrarão em uma atmosfera de cumplicidade’.”

 

 

LISTA DE OBRAS/DESCRIÇÃO

Vicente de Mello assinala que cada fotograma tem sua natureza particular, e comenta cada uma das obras:

 

  • “Manet” (2017) – Édouard Manet e sua “A Amazona de veste negra”, profunda, que dá quase para colocar o braço dentro da pintura;

 

  • “Marco zero, para Daiana (Ground zero, to Daiana)”, 2017 – A primeira foto do grau zero, ainda selvagem e cru, da nova capital do Brasil;

 

  • “J.T.G., para Renato” (2018) – A Sur América (e não Sir América), de Joaquim Torres Garcia, com figuras suturadas em aço, como um bordado das linhas que seriem impressas pela luz, mas que se sobrepõem tridimensionalmente;

 

  • “Milton/ Notlim” (2017) – A memória descritiva da operação cardíaca de meu pai, em 1982, e o encontro com os quatro nós internos de aço, que amarraram seu esterno. Refutar a noção tradicional da realidade do “retrato”;

 

  • “Ni Ni” (2018) e “Daguerre” (2017) – A história da fotografia universal e seus inventores cientistas, e as primeiras experiências na procura do melhor ângulo com betume branco da Judeia (“Ni Ni”) na década de 1920, e do suporte mais resistente com o uso do cobre, na década de 1840 (“Daguerre);

 

  • “Sobre seda (Silk on silk)”, 2017 – Proposta estética do movimento concretista principalmente os fotogramas de José Oiticica Filho na série “Recriação”, da década de 1960;
  • “ Prisma Planetarium” (2018), “O jovem sol (The Young sun)”, 2017/“Ni Ni”/“Grand Tour” ( 2016)/ “Sr. Kassuga (Mr. Kassuga)”, 2018/ “Carbono-14 Teste I (Carbon-14 Test I)”, 2016/”Carbono-14 Teste II (Carbon-14 Test II)”, 2016/ “Não se esqueça / Não me esqueça (Do not forget / Do not forget me)”, 2018 – Os materiais fotográficos analógicos, com que convivi durante décadas, fundamentais para a liga familiar: álbuns, câmeras, slides, projetores visores, porta-retratos, filme …

 

  • “Tentativa Niemeyer (Niemeyer attempt)”, 2017/ “Zig Reidy Zag” (2017) – Os inimagináveis desenhos modernos como as colunas do MAM Rio, flechas em plena tensão, e do Palácio da Alvorada de Brasília, tacapes “valentes de guerra”;

 

  • “Tri/Bo” (2017)/”Domingo de Arp (Arp’s Sunday)”, 2017/ “BSB” (2017) – O organismo autônomo que são vistas aéreas do Parque do Ibirapuera (“Domingo de Arp”), da Avenida Paulista (“Tri/Bo”) e da Esplanada dos Ministérios em Brasília (BSB);

 

  • “Bass” (2017) – Os recortes matissianos de Saul Bass para o filme “O homem do braço de ouro” + o nome Bass que ressoa como algo sonoramente grave, marcas precisas, mas nebulosas;

 

  • “Entre séculos (Between centuries)”, 2018 – A ferida de Caravaggio e Lucio Fontana, e a minha credulidade com meu braço, que não é de ouro, como o acima;

 

  • “A dimensão do volume é a própria superfície (The dimension of the volume is the very surface)”, 2017 – Minha mão dobrando o papel em plena ação da luz e a confirmação de um autorretrato;

 

  • “Voluta (Volute)”, 2018 – O Raygraph “Plume”, de Man Ray, de 1920, o uso de penas em fotogramas históricos + o sincretismo nordestino na xilogravura de Gilvan Samico: “Alexandrino e o Pássaro de Fogo”, de 1962;

 

  • “Grand Tour” (2016) – De quando Carlos Eduardo da Maia, de Eça de Queiroz, saiu em viagem de navio para realizar um grand tour, e seu avô, Afonso da Maia, ouve o apito do navio que partira, e que só dali a dois anos retornaria a Lisboa;

 

  • “Taurides Brasileis” ( 2018) – Tampinhas de garrafa amassadas e uma moeda de R$1 configuram a imagem do panteão da bandeira nacional do Brasil, as estrelas do positivismo como uma chuva de meteoros.

 

  • “C.V.” (2018) – O acúmulo de câmeras fotográficas analógicas usadas, legadas ao esquecimento, abandono, brechó e afins finais; e

 

  • “El Shadai , El Elohim” (2017) e “O vazio em Eridano (The emptiness of Eridanus)”, 2017 – A imagem quase microscópica da origem da matéria e da existência humana, e o buraco colossal na constelação de Eridano em que a cosmologia supõe que “é evidentemente nítido que há outro universo além do nosso próprio”.

 

Serviço: Exposição Vicente de Mello – Monolux

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

[Segundo andar, Espaço 2.4 ]

Abertura: 17 de março de 2018, sábado, das 15h às 18h

Até 17 de junho de 2018

Curadoria: Eucanaã Ferraz

Patrocínio: Lei de Incentivo à Cultura/Ministério da Cultura/Governo Federal

e Mantenedores do MAM: Petrobras,

Rede D´Or São Luiz e Organização Techint
Realização: MAM Rio

De terça a sexta, das 12h às 18h.

Sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h.

Ingresso: R$14,00

Estudantes maiores de 12 anos: R$7,00

Maiores de 60 anos: R$7,00

Amigos do MAM e crianças até 12 anos: entrada gratuita

Quartas-feiras a partir das 12h: entrada gratuita

Domingos ingresso família, para até 5 pessoas: R$14,00

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85

Parque do Flamengo – Rio de Janeiro – RJ 20021-140

Telefone: 21. 3883.5600

www.mamrio.org.br

Detalhes

Início:
março 17
Final:
junho 17

Local

MAM Rio
Av. Infante Dom Henrique, 85
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro 20021-140 Brazil
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Telefone:
21. 3883.5600
Website:
www.mamrio.org.br