Foto: Miguel Salvatore
A Casa de Cultura do Butantã torna-se palco de uma ampla intervenção visual com a abertura da Ocupação de Artes Urbanas Femininas, projeto concebido e curado pela artista visual e muralista Andréa Tolaini. Reunindo 13 criadoras com diferentes abordagens gráficas e geracionais, a mostra coletiva intervém diretamente na arquitetura da instituição municipal — abrangendo empenas laterais de grande escala, murais internos, muros externos, lambe-lambes, stencils e intervenções poéticas.
A proposta centraliza o espaço público como suporte de diálogo direto com a comunidade, articulando memória afetiva, preservação socioambiental e a afirmação do corpo feminino no tecido urbano contemporâneo.
A ocupação ancora-se na geografia cultural e ambiental do Butantã, bairro da Zona Oeste paulistana marcado pela presença expressiva de áreas verdes e por um histórico de engajamento civil na defesa de praças e parques. A partir dessa especificidade territorial, as intervenções abordam a confluência entre o direito à cidade e a convivência harmoniosa com a natureza.
O conjunto investiga o rompimento histórico da reclusão doméstica imposta às mulheres, utilizando a escala mural e as linguagens de rua como instrumento formal de presença, enunciação e reapropriação do território urbano.
Curadora do projeto e moradora de origem da região, Andréa Tolaini construiu trajetória destacada como muralista, ativista visual e produtora cultural, assinando projetos como o Ateliê Coletivo Mídia Ninja, o Coletivo Butantânicas, a exposição Marias e intervenções no Parque Chácara do Jockey.
O retorno à Casa de Cultura do Butantã carrega valor biográfico: aos 14 anos, Tolaini subiu pela primeira vez ao palco da instituição com uma banda feminina de reggae. Agora, ao assumir a curadoria do espaço físico com produção de Isabel Tell e Jhemily Garcia, a artista fecha um arco de pertencimento, canalizando sua produção para consolidar as narrativas de mulheres na cena da street art paulistana.
Vinculada à Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, a Casa de Cultura do Butantã opera como centro irradiador de práticas artísticas, oficinas e manifestações comunitárias para a região oeste da capital. A transformação visual de suas fachadas e dependências reforça a função do centro cultural como polo de convivência pública viva, aproximando a pesquisa gráfica urbana contemporânea do cotidiano da vizinhança.
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