Francelino Belém 'Protecao Florestal' Foto: Ana Dias
O Instituto Tomie Ohtake apresenta duas exposições simultâneas. A coletiva ‘Quando o museu é rio’, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, reúne artistas contemporâneos e acervos científicos para refletir sobre memória, território e produção de conhecimento na Amazônia. Paralelamente, o Instituto apresenta ‘Estrelas escolhidas’, individual do Luiz Zerbini com cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos. A mostra destaca a pesquisa do artista em torno da monotipia, desenvolvida a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos e outras materialidades naturais.
Mostra coletiva realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi. Com curadoria de Ana Roman, Sabrina Fontenele e Vânia Leal, e curadoria científica de Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, a mostra parte das reflexões desenvolvidas no projeto Um rio não existe sozinho, realizado em 2025 no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, em Belém, e propõe uma investigação sobre o papel contemporâneo das instituições dedicadas à memória, à ciência e à produção de conhecimento sobre a Amazônia. Quando o museu é rio acontece paralelamente às mostras Viva Viva Escola Viva, sobre o movimento indígena das Escolas Vivas, e Estrelas escolhidas, individual do artista Luiz Zerbini.
A exposição reúne artistas convidados e acervos científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos do Museu Goeldi em uma proposta que articula arte contemporânea, ciência e saberes ancestrais. Participam da mostra Déba Tacana, Elaine Arruda, Estúdio Flume, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa.
Assim como em Um rio não existe sozinho, com curadoria de Sabrina Fontenele e Vânia Leal, para as curadoras da exposição, que somam-se a Ana Roman, a imagem do rio também atravessa esta nova mostra como metáfora para pensar deslocamentos, encontros e transformações. “Ao conectar territórios distintos, atravessar fronteiras e reorganizar continuamente a paisagem, o rio produz zonas de encontro, deslocamento e transformação”, afirmam. Sob essa perspectiva, a exposição propõe repensar o museu “não como instituição estável, mas como campo contínuo de relações entre território, ciência, espiritualidade e vida cotidiana”, em que os acervos deixam de operar como registros fixos do passado e passam a ser compreendidos como “matéria viva a partir da qual é possível imaginar e construir outros futuros”.
Entre os conjuntos apresentados, estão materiais ligados ao Acervo Didático Emília Snethlage, utilizado em ações educativas do museu; pesquisas arqueológicas sobre pinturas rupestres amazônicas; o projeto Replicando o Passado, desenvolvido com ceramistas do Pará e do Amapá; estudos sobre a descoberta de fósseis de preguiças-gigantes na Amazônia; além de projetos científicos e ambientais como o Esecaflor, dedicado à investigação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a Floresta Amazônica. A mostra também destaca a atuação histórica do Museu Goeldi junto a povos indígenas amazônicos e as discussões contemporâneas em torno da classificação e reorganização de acervos etnográficos e biológicos.
Exposição individual de Luiz Zerbini, com curadoria de Ana Roman e Luiza Mello. A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos, cascas e outras materialidades. O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx, além de obras que ampliam o diálogo da produção gráfi ca de Luiz Zerbini com diferentes contextos, como as pesquisas relacionadas à gravura japonesa Ukiyo-e. Estrelas escolhidas acontece paralelamente às exposições Viva Viva Escola Viva, sobre o movimento indígena das Escolas Vivas, e Quando o museu é rio, realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi.
Nascido em São Paulo e radicado no Rio de Janeiro, Luiz Zerbini construiu uma relação contínua com a paisagem e com o universo botânico. Seu ateliê – por muitos anos próximo ao bairro do Jardim Botânico – e, posteriormente, seu próprio jardim particular tornaram-se espaços de observação e convivência cotidiana com diferentes espécies vegetais. Essa relação aparece nas obras não como ilustração da natureza, mas como uma experiência de aproximação, contato e escuta do mundo vivo.
Ao longo dos últimos anos, o artista desenvolveu uma prática em que o mundo vegetal tornou-se agente do processo artístico. Nas monotipias, as plantas são utilizadas como matrizes, deixando suas marcas diretamente sobre o papel por meio da pressão da prensa, revelando nervuras, texturas e densidades que escapam ao olhar cotidiano.
Sua pesquisa gráfica ganhou novos desdobramentos a partir da colaboração com o gravador João Sánchez, do Estúdio Baren. O encontro entre os dois abriu um campo experimental em que o improviso, o erro e a matéria conduzem a composição das imagens. Ao longo dos anos, a investigação incorporou diferentes suportes, como seda, feltro, pedra litográfica e papéis diversos, além da produção de tintas desenvolvidas especialmente para o trabalho.
Além das obras gráfi cas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica ainda em desenvolvimento. Mesas e instalações concebidas para a exposição aproximam processos, matrizes,
referências e obras fi nalizadas, revelando o caráter experimental e processual da pesquisa de Zerbini.
Luiz Zerbini nasceu em São Paulo, em 1959. Iniciou sua atividade artística no fi nal dos anos 1970. Expoente da chamada Geração 80, é conhecido por fazer pinturas em grande escala, de colorido exuberante, em geral fi gurativas e com incursões no abstracionismo geométrico. As composições do artista incluem a paisagem e as formas da natureza. Sua obra transita entre a pintura, a escultura, a instalação, a fotografi a, a monotipia, e a produção de textos e vídeos. Zerbini integra, ainda, o grupo Chelpa Ferro.
Entre suas exposições recentes, destacam-se: Observations: Luiz Zerbini in Conversation with Frank Walter (2025), Fortes D’Aloia & Gabriel | Jardins, São Paulo, Brasil; Vagarosa luminescência voadora (2025), Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, Brasil; Afi nidades III – Cochichos (2024), Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil; Paisagens ruminadas (2024), Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil; Siamo Foresta (2023), Triennale Milano, Milão, Itália; Dry River (2022), Sikkema Jenkins & Co, Nova York, Estados Unidos; A mesma história nunca é a mesma (2022), Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo, Brasil; Fire (2020), Stephen Friedman Gallery, Londres, Reino Unido; Nous les Arbres (2019), Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Paris, França; Intuitive Ratio (2018), South London Gallery, Londres, Reino Unido; e Dreaming Awake (2018), Marres, House for Contemporary Culture, Maastricht, Países Baixos.
Luiz Zerbini é representado pelas galerias Fortes D’Aloia & Gabriel (Brasil) e Sikkema Jenkins & Co (Nova York). Seus trabalhos estão em instituições como o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), em São Paulo, Brasil; Instituto Inhotim, em Brumadinho, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, em São Paulo, Brasil; Christen Sveaas Museum/Kistefos-Museet, na Noruega; Fondazione Sandretto Re Rebaudengo, na Itália; e Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, na França.
‘Quando o museu é rio’
Até 16 de agosto de 2026
De terça a domingo, das 11h às 19h [última entrada até 18h]
‘Estrelas escolhidas’
Até 16 de agosto de 2026
De terça a domingo, das 11h às 19h [última entrada até 18h
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros SP
Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela
De terça a domingo, das 11h às 19h [última entrada até 18h]
Entrada franca
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