Exposições e Eventos

Exposição “Roberto Burle Marx pelos amigos” no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro apresenta, a partir de 1º de julho de 2026, a exposição Roberto Burle Marx pelos amigos, que revela uma faceta pouco conhecida de um dos maiores criadores brasileiros. Muito além do paisagista que transformou a relação entre arte e natureza no Brasil, a mostra destaca Burle Marx como anfitrião, colecionador, amigo e humanista, evidenciando sua profunda conexão com a diversidade cultural que marcou sua trajetória.

Com caráter imersivo, a mostra reúne cerca de 150 fotografias, documentos históricos, reproduções cenográficas, instalações interativas e ambientes sensoriais que conduzem o visitante por uma narrativa construída a partir das memórias de pessoas que conviveram com Burle Marx, especialmente em seus últimos anos de vida. A proposta desloca o olhar do artista monumental para revelar sua dimensão humana, doméstica e espiritual.

Roberto cantando e Ana Candida no piano

Idealizada pelo Memorial Judaico de Vassouras, a exposição percorre episódios pouco conhecidos da biografia de Burle Marx, como suas origens familiares, filho de um judeu alemão e de uma professora católica pernambucana de ascendência francesa, a passagem pela Alemanha durante a juventude e o impacto da ascensão do nazismo sobre sua família paterna. Fotografias inéditas e documentos históricos ajudam a compreender como essa herança multicultural reverberou em sua visão de mundo e em sua produção artística, especialmente em seus últimos anos de vida.

Sobre Roberto Burle Marx

Sempre cercado por muitos amigos, Roberto Burle Marx cultivou relações que atravessaram sua trajetória pessoal e artística. Foi justamente a partir da convivência entre o multiartista e o geofísico Luiz Benyosef, cofundador e presidente do Memorial Judaico de Vassouras, que nasceu o projeto paisagístico concebido por Burle Marx em homenagem a dois imigrantes marroquinos de religião judaica, que foram impedidos de serem sepultados no antigo cemitério católico da cidade no século XIX, dando origem ao Memorial. A exposição apresenta esse episódio como uma das expressões mais sensíveis de seu compromisso com a memória histórica, a tolerância e o diálogo entre povos e culturas.

RBM e Margaret Mee_por Tony Morrinson

Ao longo do percurso, o público encontrará reproduções cenográficas da Sinagoga da Congregação Judaica do Brasil, último projeto realizado por Burle Marx pouco antes de sua morte, referências à Capela de Santo Antônio da Bica preservada no Sítio Roberto Burle Marx e ao projeto místico cabalistico Árvore da Vida, desenvolvido em parceria com sua grande amiga Sulamita Mareines. Judaísmo, catolicismo, religiosidade popular e sincretismo aparecem como elementos que atravessam sua filosofia de vida e ajudam a compreender uma produção artística guiada pela convivência entre diferenças.

Distribuída por duas galerias internas, corredor imersivo e pelo pátio do Centro Cultural Correios, a exposição amplia a experiência para além das salas expositivas. Inspirado nos jardins do Sítio Roberto Burle Marx (IPHAN), o espaço externo será ocupado por um percurso de contemplação formado por placas com frases do artista, evocando o convite permanente à reflexão que ele fazia por meio da natureza e da convivência.

Roberto recebe Le Corbusier 1938 no Sitio

Além dos jardins, a experiência expositiva mergulha na atmosfera do Sítio Roberto Burle Marx, espaço onde arte, natureza e hospitalidade se confundiam. Grandes reproduções fotográficas, objetos cenográficos, ambientes interativos e totens em escala humana aproximam o público de uma intimidade raramente apresentada ao grande público.

Entre corredores imersivos inspirados em sua visão de mundo, jardins cenográficos, documentos históricos e instalações sensoriais, a mostra revela um criador que transitava com igual liberdade entre paisagismo, pintura, desenho, botânica, cerâmica, cenografia, tapeçaria, joalheria e música, fazendo de sua obra uma síntese singular entre arte e vida.

RBM Richard Fuller Robério. Março 1980, foto de WBM

Ao longo do período expositivo, a programação contará com visitas guiadas, exibições audiovisuais e encontros voltados à ampliação do debate sobre a obra e o legado de Roberto Burle Marx. Como ponto alto da programação, 4 de agosto, data de nascimento do artista, será celebrado com uma série de atividades especiais promovidas pela própria exposição. O público poderá assistir à exibição do documentário Eu, Roberto Burle Marx, seguida de conversa com a documentarista e pesquisadora Soraia Cals, codiretora do filme em parceria com a jornalista Tamara Leftel, participar de uma visita guiada com o historiador Joseph Benyosef e acompanhar um recital em homenagem ao artista com Ana Cecília Burle Marx, sobrinha de Roberto Burle Marx, e em sequência um recital com a pianista Miriam Grosman e a instrumentista Daniela Spielmann.

Mais do que celebrar um dos artistas fundamentais do século XX, Roberto Burle Marx pelos amigos propõe uma reflexão sobre memória, pertencimento e diversidade, mostrando que seu maior legado talvez não esteja apenas nos jardins que desenhou, mas na forma como compreendia a convivência entre pessoas, culturas e paisagens como uma verdadeira obra de arte.

Serviço

Roberto Burle Marx pelos amigos
Curadoria: Luiz Benyosef e Memorial Judaico de Vassouras
Período: 1º de julho a 22 de agosto de 2026
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro – Rio de Janeiro
Visitação: terça a sábado, das 12h às 19h
Classificação: Livre
Entrada gratuita

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