Exposições e Eventos

Manu Gomez apresenta a exposição ‘À beira-mar, somos muitos’ no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro inaugura no dia 25 de março de 2026, quarta-feira, às 16h, a exposição “À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez. A mostra, que tem curadoria de Jean Carlos Azuos, reúne 13 pinturas inéditas produzidas entre 2025 e 2026 em diversos formatos, incluindo um mosaico de 2,20 x 3,80m, e uma instalação ao centro da galeria, apresentando um recorte da série “Sonhos dos Invisíveis”, na qual a artista investiga relações entre memória, trabalho e vida coletiva.

Manu Gomez parte de memórias e histórias de sua própria família para construir um conjunto de pinturas que refletem sobre o trabalho e a vida de comunidades ligadas ao mar. Inspirada especialmente nas experiências de seu pai com a pesca submarina em Arraial do Cabo, a artista cria imagens em que pescadores, peixes e cardumes aparecem em movimento coletivo, muitas vezes fundidos em uma mesma cena.

‘Rede do mundo’ 2026, Manu Gomez

Esses elementos funcionam como metáforas visuais: os cardumes evocam a força do coletivo e as estratégias de sobrevivência construídas em grupo, enquanto a presença constante do mar sugere tanto sustento quanto desafio para aqueles que vivem do trabalho da pesca. “Nesse sentido, cada figura pode ser compreendida como arquivo de trabalho, superfície viva na qual a experiência se inscreve e permanece, evidenciando como o corpo, historicamente reduzido à força produtiva, resiste como memória e como sujeito”, afirma o curador Jean Carlos Azuos.

Ao aproximar corpos humanos e animais em um mesmo fluxo, a artista propõe uma reflexão sobre como as relações de trabalho e de subsistência se organizam em torno da natureza e da vida em comunidade. “A ideia de quantidade vem junto com uma estratégia biológica: agrupar-se para parecer um animal maior do que se é. Ao unir humanos e peixes, proponho também uma reflexão sobre como o sistema nos reduz a commodities, a números — tanto peixes quanto humanos”, justifica Manu Gomez.

Sobre a exposição no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

Na parede do fundo da galeria, a artista apresenta uma instalação composta por 24 telas organizadas em um grande painel de 2,20 x 3,80m, que ela prefere chamar de quebra-cabeça. A obra funciona como uma imagem fragmentada formada por partes que se conectam e outras que permanecem deslocadas. “Aqui, os cardumes percorrem as telas como pensamento coletivo em movimento e, ao se repetirem de obra em obra, ondulam uma continuidade visual que a montagem acompanha, conduzindo o espectador por um fluxo que evoca a circulação da maré”, diz Azuos.

Para Manu, o trabalho se aproxima da ideia de um quebra-cabeça de corpos em trabalho e movimento, no qual diferentes fragmentos se articulam, mas nem sempre se encaixam perfeitamente. A obra também dialoga com aquilo que ela descreve como “a grande mão da economia que orienta nossos caminhos para o trabalho”, refletindo sobre o momento em que a vida produtiva passa a organizar o cotidiano e, muitas vezes, substitui a dimensão da brincadeira e da liberdade.

‘Através da Portella pelo Império’ 2026, Manu Gomez

Outro elemento presente na exposição é um carrinho de transporte, objeto associado ao cotidiano de trabalho de seu pai e de seu avô, que o utilizavam para carregar materiais e deslocar objetos. Ao trazer esse elemento para a mostra, a artista propõe retirar a pintura da parede e colocá-la sobre o carrinho, transformando o objeto em suporte para a obra. A escolha também dialoga com a expressão popular “vender o peixe”, que dá nome à obra, conectando memória familiar, trabalho e a própria ideia de circulação das imagens.

Algumas pinturas ainda incorporam latas em suas composições. Esses elementos surgem a partir de associações ligadas ao consumo cotidiano e aos alimentos processados, frequentemente presentes em contextos de subsistência e trabalho. Ao inserir esses objetos no campo da pintura, a artista aproxima imagens do universo da pesca, do trabalho e do consumo, ampliando o conjunto de referências que atravessam a exposição.

“À beira-mar, somos muitos” afirma uma multiplicidade que se manifesta nos corpos, nas alegorias e na própria organização estética e narrativa da mostra. A presença, até aqui murmurada, é feita de trabalho e desejo, de corpos que atravessam um tempo incontornável enquanto o horizonte se abre em infinitude”, define o curador.

‘Dourado sustento’ 2026, Manu Gomez

A exposição “À beira-mar, somos muitos” pode ser visitada de 25 de março a 9 de maio de 2026, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, com entrada gratuita.

Sobre a artista Manu Gomez

Manu Gomez é artista plástica do Rio de Janeiro e estudante da Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ). Sua pesquisa aborda questões raciais e investiga narrativas de protagonismo negro na construção do Brasil. É autora da série Escurecendo a História de Quem Criou o Brasil e atualmente desenvolve Sonhos dos Invisíveis, projeto que explora os sonhos de indivíduos historicamente marginalizados através da imagética da pesca e dos cardumes.

Participou da DAFÉ no LADoB e da 22a exposição do Museu de Ribeirão Preto. Sua produção articula pintura, memória social e crítica às estruturas que definem quem pode sonhar — e quem permanece invisível.

Serviço

Manu Gomez – À beira-mar, somos muitos
Curadoria: Jean Carlos Azous
Abertura: 25 de março 2026 | Das 16h às 20h.
Visitação: 25 de março 2026 a 09 de maio 2026 | terça a sábado, das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro, Rio de Janeiro – RJ
Entrada Gratuita
Classificação Livre

Não foi possível salvar sua inscrição. Por favor, tente novamente.
Sua inscrição foi bem sucedida.
Equipe Editorial

Os artigos assinados pela equipe editorial representam um conjunto de colaboradores que vão desde os editores da revista até os assessores de imprensa que sugeriram as pautas.

Recent Posts

10 obras de arte que viraram símbolos da cultura pop

As obras de arte, por muito tempo, estiveram associadas a museus, galerias, coleções particulares e…

1 dia ago

Artista Sou Kit Gom coloca a pintura em movimento na Galeria Mayer Mizrahi

A Galeria Mayer Mizrahi exibe, a partir de 03 de outubro, “O arrebatamento da pintura”,…

6 dias ago

Exposição sobre Luis Fernando Verissimo chega ao Centro Cultural FIESP

O Centro Cultural FIESP inaugura, em 24 de setembro, a exposição “Traçando Verissimo – O…

7 dias ago

Zéh Palito apresenta “O meu quintal é maior do que o mundo”, na Galeria Simões de Assis

A Galeria Simões de Assis inaugura, dia 26 de setembro, a exposição individual “O meu…

7 dias ago

Grada Kilomba no Brasil!

Grada Kilomba apresenta a exposição “O Barco” no Sesc Pompeia, em parceria inédita com o…

7 dias ago

Bettina Ravioli recebe o Prêmio Mulheres & Histórias 2026 na Câmara Municipal de São Paulo

Bettina Ravioli, fundadora da Agenda Cultural Arte, recebeu o Prêmio Mulheres & Histórias 2026 e…

1 semana ago