Otávio Fialho (de pé à esquerda, em sentido horário), Mário Manga, Eliete, Bozo Barretti, Azael Rodrigues e Arrigo ( Arquivo pessoal de Eliete Negreiros)
Vanguarda Paulista (também Vanguarda Paulistana) foi o nome dado a um movimento cultural brasileiro ocorrido na cidade de São Paulo entre 1979 e 1985.
O rótulo foi criado por jornalistas e críticos musicais da cidade, tanto por seu aspecto de vanguarda, quanto, no caso da segunda denominação, como referência a um dos tempos onde os experimentalistas apresentavam suas obras: o Teatro Lira Paulistana, situado na rua Teodoro Sampaio, bairro de Pinheiros, e que posteriormente transformar-se-ia em selo musical e editora.
As principais figuras da Vanguarda foram Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção; representando o pessoal da Vila Madalena. Do outro lado do rio, o grupo “Pracianos”, a partir da iniciativa de Dari Luzio, lança os artistas Pedro Lua, Le Dantas e Cordeiro, Paulo Barroso. O movimento destaca diversos artistas como Grupo Rumo, diversas cantoras, tais como Suzana Salles, Tetê Espíndola, Eliete Negreiros, Vânia Bastos e Ná Ozzetti, cantores como Hermelino Neder, e grupos como o Premeditando o Breque, Patife Band e Língua de Trapo.
A Vanguarda Paulista marca também a consolidação do chamado “disco independente” (surgido no Brasil na primeira metade dos anos 1970). Embora não tenham sido decisões articuladas, artistas do underground paulistano, criam micro-empresas e praticamente ”abrem suas próprias gravadoras”. Dari Lúzio, um dos pioneiros do movimento, inspirou-se no artista carioca Antonio Adolfo e seu LP ”Feito em Casa”; Dari criou seu selo EKO Produções Artísticas e laçou o LP ”Bastardo”. Ao mesmo tempo Arrigo Barnabé bancava a produção do seu LP inaugural, Clara Crocodilo, por falta de interesse das grandes gravadoras. A partir daí, “produções independentes” tornaram-se marca registrada dos “alternativos”. Na Vila Maria, os Pracianos, artistas que se reuniam na Praça Santo Eduardo, a famosa Praça Maldita, a partir da iniciativa independente de Dari Lúzio, partem para suas próprias produções: Pedro Lua lança o Compacto Duplo Regae Livre, pelo selo EKO; Lé Dantas e Cordeiro criam o selo Raízes e lançam o LP Brincadeira Manhã e Paulo Barroso lança o LP Vozes da Cidade.
Arrigo Barnabé
Itamar Assumpção
Premeditando o breque
Grupo Rumo
Língua de Trapo
Embora em geral tenha sido bem recebida pela crítica especializada, a Vanguarda Paulista jamais foi o que se poderia chamar de sucesso de público. Restrita aos nichos alternativos, seus produtos eram consumidos por universitários e “descolados” em geral da cena paulistana. Presumivelmente, um dos nomes do período ainda lembrados pelo grande público é o da cantora Tetê Espíndola, a qual depois de suas apresentações com Arrigo Barnabé no início dos anos 1980, seguiu carreira-solo e apresentou-se seguidas vezes em programas de auditório populares. Porém,seu auge seu deu em 1985 quando venceu o Festival dos Festivais com a canção Escrito nas Estrelas. O Língua de Trapo também se apresentou e foi finalista nesse mesmo festival com a canção Os Metaleiros Também Amam, a canção mais vaiada pelo público, mas, de longe, a mais engraçada.
1. Arrigo Barnabé nunca tocou no teatro Lira. A banda que o acompanhava não cabia no pequeno palco.
2. Hoje o Teatro Lira é uma lanchonete
3. Apesar de trazer o título de vanguarda no nome, os próprios artistas não se viam como tal. O termo veio de fora para dentro. Como alguns dos principais artistas eram também alunos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e, na época, estudavam música de vanguarda no terreno erudito, não demorou para que a imprensa os batizasse de Vanguarda paulista.
4. Arrigo Barnabé, um dos principais expoentes da vanguarda, conta que a intenção era se tornar popular. No entanto, os obstáculos impostos pelo mercado na época acabaram por restringir o alcance daquela nova música.
5. O teatro Lira não era balada, era um espaço onde o foco principal era aquilo que estava acontecendo no palco. Era o artista, não outras coisas. As pessoas não ficavam conversando, não tinha garçom”, conta Wilson Souto Jr., um dos sócios-proprietários do Lira.
fonte: Wikipedia, Correio Brasiliense
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