Essa manchete poderia seguir uma notícia dos tempos atuais, mas aconteceu em 1975, quando uma guerra civil estourou no Líbano enquanto Mona Hatoum (nascida em Beirute numa família Palestina) estava visitando o Reino Unido.
Este é o chamado do texto que abre a exposição retrospectiva de 35 anos de trabalho da artista. Tanto trabalhos feitos em 1980, entanto Mona estudava na Slade School of Art (entre as cinco mais importantes da cidade de Londres), como “Hot Spot” de 2013, uma de suas esculturas mais tensas, integram a exposição.
A cada sala que se passa a sensação é de que casa é um lugar que não tem o valor de propriedade. Casa é um lugar de tensão, guerra e luta constante. “Homebound” ou “Laço ao lar” (numa tradução livre) é um dos trabalhos mais chocantes. Utensílios de cozinha e mobiliário de qualquer residência estão cobertos e transpassados por fios elétricos desencapados e lâmpadas de alta tensão. A artista coloca cabos de aço entre o espectador e este teatro de tensão elétrica. Ou você ou o trabalho estão encarcerados.
Homebound, 2000
“+ and –“ para mim é um dos trabalhos mais fortes da exposição. Uma espécie de yin yang em ação, umá máquina de desenhar e apagar, fazer e desfazer, construir e destruir. Uma máquina de guerra, talvez ainda uma representação do mundo, da história do mundo, da história do lar.
“+ and –“ 1994-2004
Não há como passar pela exposição e não sentir a violência de sentir que algo foi destruído, que tudo pode deixar de existir. Mas, também, de que você é parte de tudo ao seu redor. Você é um soldado que vai a lugares inóspitos lutar pela sua energia de vida.
As obras de arte, por muito tempo, estiveram associadas a museus, galerias, coleções particulares e…
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