O capitalismo é exacerbado em suas formas de tomar as nossas vidas e a bienal de Berlin convida artistas para expor esse assunto na sua potência drag.
Começa quando entramos na sede principal da Bienal o KW situado no bairro central de Berlin. A área da recepção foi transformada num longe que mostra fotos gigantes de famílias afro descentes felizes e saudáveis, como também vídeos promocionais da bienal que mostram vários arquétipos interagindo com placas de acrílico em formato de smartphones e laptops. A sensação é de uma feira corporativa misturada com um ar de design total.
Mesmo antes, quando chegando perto do prédio principal da Bienal somos expostos a banners promocionais com frases que questionam o avanço de um capitalismo cujas bases está nos domínios meios de produção. Porém, hoje em dia, no que se diz a “era da informação”, podemos identificar o domínio dos meios de produção ideológicos e midiáticos.
Caminhando pelo prédio principal encontramos uma instalação estranha de um banheiro de show room onde os mesmos vídeos promocionais se encontram instalados. Temos a todo momento que lidar com a constante promoção deste evento que já estamos em contato. O lugar fala de seu conteúdo de todas as formas que consegue. Ele tenta reafirmar o que já vemos nos trabalhos, no prédio, nos textos de parede. Em tudo. O que contraria a própria natureza da obra de arte que, segundo conceitos modernistas deve se bastar por si só e se resumir numa experiência estética avassaladora, sem nenhuma necessidade de hyperlinks.
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